Alckmin une os golpistas, Ciro chora e Meirelles… que Meirelles?

ALCKMIN AVANÇA, CIRO PERDE E MEIRELLES SE ISOLA
Kennedy Alencar em 20/7/2018

Candidato a presidente mais consistente politicamente no campo de centro-direita, o tucano Geraldo Alckmin avança na disputa ao fechar o apoio de cinco partidos: DEM, PP, PRB, PR e Solidariedade. As cinco siglas fazem parte do chamado centrão, grupo de legendas conservadoras que costuma votar unido no Congresso.

Ciro Gomes (PDT) perde. Ele tentou fechar aliança com o centrão e foi preterido. No PDT, há quem queira tentar atrair o Solidariedade, oferecendo ao partido a vaga de vice. É uma operação difícil, apesar de o acordo das cinco siglas com Alckmin ainda depender de negociações pontuais para ser oficialmente selado – haverá debate sobre candidaturas a governos de Estado e ao Senado.

O ex-governador de São Paulo ganha gás num momento importante da disputa. Terá enorme tempo de TV e rádio, o que será fundamental para outro desafio: desconstruir a candidatura de Jair Bolsonaro (PSL).

Traduzindo: terá a ferramenta para bater duro no deputado federal e tentar obter a vaga do campo conservador no segundo turno. Bolsonaro sofreu duas derrotas recentemente: o senador Magno Malta (PR) e o general da reserva Augusto Heleno (PRP) recusaram a vaga de vice do ex-capitão do Exército.

Alckmin aglutinou apoio e ficou mais competitivo. Terá, porém, o desgaste da companhia de partidos que também entraram na linha de tiro da Lava-Jato e que formam a base de Temer no Congresso. Ficará difícil a dissociação do atual governo. O impeachment de Dilma e a administração Temer foram avalizados e apoiados pelo PSDB.

O movimento de Alckmin isola ainda mais a pré-candidatura de Henrique Meirelles, do MDB. Haverá pressão para que o partido do presidente Michel Temer entre na canoa tucana. O tucano é o nome preferido do empresariado e do mercado financeiro.

Agora, falta combinar com os russos. Ou seja, Alckmin vai conversar com o empresário Josué Gomes (PR) a fim de acertar com o empresário a indicação para vice-presidente. Filho de José Alencar, que foi vice de Lula, Josué é um nome que adensa a candidatura presidencial.

***

ALCKMIN JOGOU ÁGUA NO CHOPE DE CIRO
Bernardo Mello Franco em 20/7/2018

Geraldo Alckmin jogou água no chope de Ciro Gomes. O pedetista abre hoje [20/7] a temporada das convenções partidárias. Ontem à noite, o tucano estragou os preparativos da festa. Ele venceu a disputa pelo apoio do centrão na corrida presidencial.

Alckmin estava desacreditado. Desde o início do ano, ele sofre para convencer aliados, empresários e eleitores de que não será um peso morto na eleição. O acordo tem potencial para ressuscitá-lo.

Ao fechar negócio com o centrão, o tucano garantiu um latifúndio no horário eleitoral. Ele poderá chegar a seis minutos a cada bloco de propaganda em rádio e TV. Agora Ciro é quem terá que se mexer para não sumir do radar do eleitor.

Até aqui, Alckmin só colecionava más notícias na pré-campanha. Ele foi sabotado pelo afilhado João Doria e viu parte do eleitorado cativo do PSDB migrar para a candidatura de Jair Bolsonaro.

O tucano aparece em quarto lugar no Datafolha, com apenas 7% das intenções e voto. É um desempenho sofrível para quem já foi candidato ao Palácio do Planalto e governou por quatro vezes o estado mais poderoso do país.

Apesar de investir no discurso ético, o presidenciável pediu socorro a símbolos do que diz combater. Ele costurou o acordo do centrão com o ex-deputado Valdemar Costa Neto, o poderoso chefão do PR. Alguns dias antes, selou aliança com Roberto Jefferson, dono do PTB.

É uma estratégia curiosa. Na eleição de 2006, Alckmin apostou tudo na indignação do eleitorado com o mensalão do PT. Agora ele se alia a dois caciques que foram presos e condenados por corrupção no mesmo escândalo.

O acordo com o centrão também reforça o vínculo do candidato do PSDB com o governo Temer, do qual ele tentava se distanciar. Agora o tucano terá em seu palanque a maior parte da base aliada no Congresso. Não será surpresa se o MDB desistir de Henrique Meirelles para apoiá-lo.

O tempo de TV deve impulsionar Alckmin, mas não é garantia absoluta de sucesso na eleição. Em 1989, Ulysses Guimarães e Aureliano Chaves tiveram as maiores fatias da propaganda na TV. Um terminou a disputa em sétimo lugar. O outro, em nono. E naquele tempo não havia celular, WhatsApp ou Facebook.

Leia também:
Após atirar pra todo lado para cativar os golpistas, agora Ciro quer se juntar à esquerda
“Não me deixem só”: Com desafio de controlar língua, Ciro oficializa candidatura sem alianças
O golpe se une em torno de Geraldo Alckmin
Chamou de “filho da puta” promotora do MP: PDT pede ponderação ao destemperado Ciro

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: