Deputado da bancada evangélica levou homem apontado como chefe da máfia chinesa a Temer

O homem apontado como “Cabeça de Dragão” da máfia chinesa e Fausto Pinato, deputado do PP.

Pedro Zambarda de Araujo, via DCM em 5/7/2018

O DCM divulgou no dia 27 de junho, com exclusividade, que Mário Yê Sui Young esteve na cerimônia que estabeleceu a data de 15 de agosto como o Dia Nacional da Imigração Chinesa no Brasil.

Young é apontado há pelo menos três anos como um chefe da máfia chinesa com sede em São Paulo. Seu apelido é “Cabeça de Dragão”.

No evento, Mário apareceu em fotos cumprimentando Michel Temer. O encontro do presidente da República com um homem acusado de crimes de contrabando no país não se deu por acaso.

Uma investigação da Departamento Estadual de Homicídios e de Proteção à Pessoa (DHPP) prendeu 14 pessoas ligadas a uma quadrilha que costumava extorquir, sequestrar e matar chineses em março de 2017 com ligações na máfia. As prisões ocorreram em São Paulo e em Guarujá e tinham conexão com contrabando no Porto de Santos. O presidente Temer é investigado no chamado “inquérito dos portos”, acusado de editar um decreto para favorecer empresas portuárias em troca propina no período entre 2013 e 2017.

Michel Temer com Mário Yê Sui Young, apontado como o “Cabeça de Dragão”, no Planalto. Fausto Pinato aparece à esquerda. Foto: DCM.

Quem está por trás da viagem do Cabeça de Dragão ao Planalto?

O responsável por isso é o deputado federal Fausto Pinato, do PP de São Paulo. Natural de Fernandópolis, no interior paulista, ele é advogado e tem 41 anos.

Mário Yê com Fausto Pinato, ao centro, num encontro com autoridades chinesas.

Evangélico, o deputado é ligado à Congregação Cristã no Brasil, onde atuou como músico. Mas sua vida pública política começou no PRB de Celso Russomanno. Por conta da votação expressiva dele, Fausto Pinato venceu a eleição de 2014.

Entre as empresas que doaram para sua campanha eleitoral estão Constran, Construcap e Queiroz Galvão. São empreiteiras investigadas na Operação Lava-Jato. O seu patrimônio declarado na eleição era de R$117 mil.

Eleito deputado, deixou em março de 2016 o PRB para entrar no PP, o partido com mais acusados na Lava-Jato.

Apoiador de Michel Temer, Fausto Pinato chegou a ser relator do processo no Conselho de Ética de Eduardo Cunha, mas renunciou ao cargo dando a cadeira para o PRB. Após o golpe de Temer contra Dilma, transformou-se num defensor do presidente, chamando o delator Joesley Batista e sua empresa de “quadrilha da JBS”.

No mesmo ano que entrou no PP, Pinato se integrou com a Frente Parlamentar Brasil-China e, desde agosto de 2017, fez uma parceria com a Associação Chinesa do Brasil.

Desde então, Fausto Pinato foi visto na companhia de Mário Yê Sui Young. Celso Russomanno teria participado de algumas reuniões dessa frente.

Young foi acusado de ser chefe da máfia chinesa num esquema de contrabando com sede em São Paulo pelo site Metrópoles em 2015. O esquema do Cabeça de Dragão funciona, de acordo com a reportagem, na Rua 25 de Março e na Feira da Madrugada.

Essas acusações não inibiram Pinato de se aproximar de Mário Yê Sui Young. Num post de 18 de junho deste ano no Instagram, Fausto Pinato fala de um encontro com o prefeito da cidade chinesa de Dongguan e aparece sentado num almoço ao lado do homem acusado de ser chefe de máfia.

Young e Pinato aparecem em outras imagens juntos em ações da Frente Parlamentar Brasil-China

Na cerimônia do Dia Nacional da Imigração Chinesa no Brasil, com a presença de Michel Temer, Fausto Pinato não postou mais fotos com Young em suas redes sociais. O DCM obteve, no entanto, imagens que ele aparece com o homem acusado de ser o Cabeça de Dragão da pirataria em São Paulo.

O DCM procurou Fausto Pinato para prestar esclarecimentos. Ele diz que tem boa relação de amizade com as associações chinesas que ajuda politicamente.

“E esse trato se estende à Associação Chinesa do Brasil, da qual o senhor Mário Yê é presidente honorífico”, explicou.

Pinato afirma que a viagem de Mário Yê Sui Young foi de responsabilidade da Associação Chinesa do Brasil. E o deputado foi questionado se não vê nada de errado ao se associar com um homem acusado de ser chefe de máfia ou de conduzi-lo a um encontro com o presidente da República.

Aproximação de Fausto Pinato com a Associação Chinesa do Brasil. Mário Yê está à direita.

“Seria antes um dever que todas as acusações contra qualquer cidadão fossem apuradas, antes de condenadas pela opinião pública ou pela imprensa. Não conheço a história do senhor Mário Yê, logo não posso fazer esse tipo de juízo. Deixo para que a Justiça julgue. Partindo de uma opinião pessoal, acredito que se fosse verdade as acusações, certamente ele já teria sido processado, condenado e preso. O meu papel é de representar a comunidade chinesa no Brasil, não de segregar ou julgar a conduta dos membros que a pertencem”, respondeu.

Mário Yê, à esquerda, com Fausto Pinato, na mesma cerimônia que foram recebidos por Temer. Foto: DCM.

Procurada, a assessoria da Presidência da República não respondeu ao DCM.

Já a Associação Chinesa do Brasil possui um site desatualizado desde 2016 na internet com conteúdo originalmente em chinês. Na página, aparece como presidente Zhu Suzhong, Liu Wei como presidente de supervisores e Zhang Liqun como secretário. Nem a imagem ou o nome de Mário Yê Sui Young aparecem no site oficial. Pinato diz que ele é “presidente honorífico” da entidade.

Procurada, a Associação Chinesa do Brasil não respondeu.

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