Mauro Santayana: Ou o STF para o fascismo ou o fascismo toma posse do Brasil

Mauro Santayana em 27/6/2018

A fascistada acordou ontem [26/6], com a decisão da 2ª turma do STF de relaxar a prisão de José Dirceu, com uma macaca de pijama de cetim.

As reações foram um primor de hipocrisia, canalhice e manipulação.

Até mesmo procuradores ligados à Lava-Jato, provando mais uma vez que não tem a menor desfaçatez de tentar fazer, descaradamente, política – o que lhes é claramente vedado pela Constituição – atacaram a decisão do Supremo Tribunal Federal e postaram, com a criatividade e o senso de humor de lagartos dourando-se ao sol, piadinhas e “ironias” insossas nas redes sociais.

Apesar do jogo da seleção brasileira, bolsossauros, mbls e hitlernautas, passando por coxinhas adoradores de patos de borracha e outros tipos de otários que compõem, de modo geral, a massa ignara e preconceituosa que se espraia como detrito sólido na maré baixa cibernética, rasgaram as vestes e espalharam as cinzas do morolismo e da falsidade sobre suas cabeças, em um dia como todos os outros, em que a esquerda e aqueles que se dizem preocupados com a democracia e o futuro da liberdade no nosso país não federam nem cheiraram e brilharam, mais uma vez – que nos perdoem a franqueza – por sua costumeira ausência do combate direto ao fascismo nos espaços de comentários dos principais jornais, revistas e portais da internet.

Ao fazer isso, muita gente perdeu a oportunidade de lembrar que, quanto a José Dirceu, qualquer um com um mínimo de discernimento que não se paute de forma abjeta e imbecil pelo noticiário das redes de televisão, sabe que o mensalão foi um golpe destinado a livrar a cara de bandidos que para tirar o seu traseiro da reta resolveram jogar um coquetel de esterco e de mentiras no ventilador.

Abrindo caminho para uma interferência indevida da justiça na história nacional, baseada em uma tese jurídica aqui esdruxulamente aplicada, que deu início a um processo retorcido de criminalização do financiamento empresarial de campanha, da atividade política e do presidencialismo de coalizão no Brasil.

Não se pode continuar repartindo, de forma desigual, como o pão do inferno, entre gregos e goianos, a perseguição, a exceção e a arbitrariedade, e o ideal é que elas deixassem de ser usadas, ao menos no plano jurídico, como cínicas e contundentes armas políticas neste país.

É preciso parar, ou ao menos disfarçar, a evidente, massacrante, de paquidérmica sutileza, parcialidade e seletividade de certos segmentos da justiça no Brasil.

Da mesma forma que ninguém investiga em que circunstâncias se deu, por empresas privadas, o financiamento e a construção da sede do Instituto Fernando Henrique Cardoso, que foi inaugurado em apenas dois anos, com dez milhões em caixa e todo mundo investiga o terreno que pretensamente estava destinado ao Instituto Lula.

Do mesmo jeito que policiais e procuradores fuçam, com lupas, as provas das palestras de Lula, quando e como foram feitas, procurando pelo em cabeça de ovo, e ninguém investiga as de Fernando Henrique, que custavam o mesmo preço e eram dirigidas para basicamente os mesmos clientes, sem que nesses encontros FHC explicasse o milagre de ter feito o PIB e a renda per capita do país diminuir e a dívida líquida pública duplicar com relação ao PIB em oito anos, apesar de ter vendido US$100 bilhões em empresas estratégicas para os gringos; e Lula certamente tenha sido instado a explicar como conseguiu quintuplicar o PIB e a renda per capita em oito anos e cortar a dívida pública pela metade, além de pagar os US$40 bilhões que FHC deixou de dívidas com o FMI e ainda economizar mais de US$300 bilhões em reservas internacionais.

E que todo mundo investiga e bloqueia o dinheiro do Instituto Lula e os bens de Lula, mas ninguém os recursos do Instituto de Fernando Henrique, que tem dentro e fora do Brasil apartamentos (mesmo quando se trata de agregados) perto dos quais o tal tríplex – que, ao contrário de FHC, não está nem nunca esteve no nome de Lula – pareceria um barraco de favela; José Dirceu foi condenado por fazer consultorias quando, se fosse de direita, todo mundo acharia perfeitamente normal que as fizesse e ainda enfiasse dezenas de milhões de reais no bolso – vide o caso do Sr. Henrique Meirelles que recebeu, pouco antes de entrar no governo, mais de R$220 milhões com esse tipo de serviço apenas em contas no exterior em quatro anos e ninguém se coçou por causa disso.

Ora, ao soltar João Cláudio Genu e José Dirceu, permitindo que eles aguardem em casa os recursos encaminhados por sua defesa, deixando claro que ao tomar essa decisão não estavam agindo de forma ideológica, porque os dois beneficiados pertencem a orientações políticas totalmente diferentes, a maioria dos ministros da 2ª turma mostrou que não aceita a validade de súmulas gestapianas (de Geheime Staatspolizei, a polícia secreta do estado nazista) como a do TRF4, que transformou em automática a prisão após condenação em 2ª instância.

Nem a chicana armada pela vice-presidente da mesma instituição, endossada pelo ministro Edson Fachin, dirigida a sabotar o funcionamento da justiça e impedir que os ministros da 2ª turma pudessem apreciar e julgar a situação de Lula, em um momento de extrema gravidade para o futuro nacional.

O que está por trás dos embates do Supremo, entre “justiçalistas” (de justiçamento mesmo) e constitucionalistas, não é apenas o destino de um ex-presidente da República, mas o porvir do Brasil.

O ministro Edson Fachin e outros que tem seguido suas posições precisam entender que, com sua teimosia em impossibilitar, com manobras jurídicas, a candidatura Lula, baseados em uma condenação espúria, sem provas, criticada em todos os países civilizados do mundo, estão assumindo – ao impedir que o povo escolha livre e soberanamente por quem quer ser governado – mais que o risco, a inequívoca decisão de entregar o Brasil de mão beijada à truculência e ao autoritarismo da pior espécie nas eleições que se realizarão neste país em pouco mais de 12 semanas.

A ignomínia e o descaro são tão grandes que já tem deputado afirmando, publicamente, que é preciso “parar o STF”.

Quando o que está ocorrendo é exatamente o contrário.

Depois de tantos equívocos, recuos e subterfúgios, é o fascismo, com base na mais estrita observância da Constituição e do espírito da lei, que tem que ser parado pela Suprema Corte do país.

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