Operador entrega em sigilo esquema que envolve caciques do MDB

Via Jornal GGN em 20/6/2018

A garantia que o juiz federal de Curitiba, Sérgio Moro, cobra dos delatores que fecham acordo da Operação Lava-Jato vem sendo bem demonstrada por Mário Ilineu Miranda, apontado como um dos operadores de propina do MDB e ex-executivo da Petrobras. Até agora, ele entrega o esquema de um contrato que rendeu, pelo menos, R$170 milhões de propina ao partido em negociação de Temer, Cunha e Henrique Alves. Para ser solto, pagou fiança de R$11 milhões.

Inicialmente, a prisão do ex-executivo foi determinada em abril, durante a 51ª fase da Lava-Jato, denominada Dejà vu. Como ele estava em Portugal, se apresentou aos investigadores no dia 14 de maio e confessou crimes em depoimento à Lava-Jato.

A fase, em si, foi deflagrada para investigar propina de R$200 milhões ao MDB, ao PT e a ex-funcionários da Petrobras, por meio de fraudes em contratos e contas no exterior. Uma das contas, inclusive, era de Ilineu Miranda. Mas, até agora, apenas confessou crimes envolvendo o MDB.

Dos R$200 milhões inicialmente suspeitos pelos investigadores, o operador anunciou que US$40 milhões, que equivale a R$170 milhões em valores atualizados, foram diretamente para o partido de Michel Temer, de Henrique Eduardo Alves e de Eduardo Cunha, em acordo negociado entre a Odebrecht e os próprios então parlamentares em 2010.

A reunião para acertar os repasses ocorreu dentro do escritório de Michel Temer em São Paulo, segundo os investigadores, e partiu de um acordo quando a Odebrecht fechou um contrato com a área Internacional da Petrobras no valor de US$825 milhões, que renderam as propinas aos membros do MDB, então PMDB. O operador teria atuado neste contrato juntamente com outro investigado, Sérgio Bocaletti.

A suspeita é que os operadores receberam US$31 milhões por meio de contas mantidas no exterior para intermediar os políticos do MDB, entregando valores em espécie a um terceiro interlocutor que repassava os montantes aos agentes políticos.

As declarações de Miranda, contudo, foram mantidas em sigilo. Desde que começou a colaborar com os investigadores, foi solto da prisão no dia 1º de junho. Em troca, Miranda aceitou bloquear US$7,2 milhões de suas contas na Suíça, que seriam de origem ilícita e pagou uma fiança de R$11 milhões.

A prisão dos investigados foi determinada pelo juiz Sérgio Moro após as autoridades da Suíça enviarem todos os dados da apuração aberta e iniciada naquele país.

Além de Mario Miranda, também são apontados de integrar o esquema os ex-funcionários da estatal Aluisio Teles Ferreira Filho, Rodrigo Zambrotti Pinaud e Ulisses Sobral Calile; o operador Ângelo Tadeu Lauria, que intermediava repasse de recursos ilícitos a políticos do MDB; e quatro executivos da Odebrecht.

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