No Dia dos Namorados, Estadão vira piada com declaração de amor a Temer

Fernão Mesquita, herdeiro do Estadão, mostra sua lucidez e sua finesse.

O jornal da famiglia Mesquita culpa os brasileiros pela impopularidade dele.

Kiko Nogueira, via DCM em 12/6/2018

No Dia dos Namorados, o Estadão publicou um editorial declarando seu amor a Michel Temer que virou piada imediata.

Em resumo, a popularidade nula (3% no Datafolha está na margem de erro) de Michel, uma das últimas fontes garantidas de recursos do jornal graças à publicidade oficial, é fruto do “mau humor” da patuleia.

Reproduzimos os trechos menos constrangedores:

Não há nada pior para a democracia do que um estado permanente de desconfiança. Quando os cidadãos vão muito além do saudável ceticismo em relação ao poder e, de maneira irrefletida, passam a não acreditar mais nas instituições nem nos pactos constitucionais, tem-se uma situação em que tudo o que emana das estruturas que regulam a vida social, política e econômica do País torna-se objeto de descrença, quando não de hostilidade.

Em situações desse tipo, a realidade é sumariamente ignorada, muitas vezes de forma deliberada, prevalecendo uma percepção distorcida e confusa sobre a conjuntura nacional, reforçada por um tremendo mau humor em relação ao establishment político e econômico. A versão segundo a qual nada que venha do governo, do Congresso ou da Justiça tem valor começa perigosamente a se impor.

Tome-se o exemplo das recentes pesquisas de opinião que qualificam Michel Temer como o mais impopular presidente da história do País e expressam profundo pessimismo a respeito da economia. Em nenhum dos dois casos a percepção se sustenta nos fatos. Por nenhum parâmetro racional se pode considerar o presidente Temer pior, por exemplo, do que sua antecessora, Dilma Rousseff, que praticamente arruinou a economia nacional e foi defenestrada da Presidência, entre outras razões, por ser incapaz de se relacionar com o Congresso.

Temer, ao contrário, restabeleceu o diálogo com deputados e senadores e, a partir dessa base, essencialmente democrática, criou as condições necessárias para reorganizar as contas públicas e encaminhar uma importante agenda de reformas. Tudo isso, aliado à escolha de uma competente equipe econômica, controlou a inflação, que sob Dilma havia desembestado, tirou o País da recessão e devolveu ao setor produtivo a capacidade de crescer e gerar empregos. […]

Junta-se a isso a impressão, igualmente sem respaldo na realidade, de que a situação econômica do País está muito pior agora – na pesquisa do Datafolha, 72% dos entrevistados deram essa opinião, 20 pontos porcentuais acima do verificado em abril. Nenhum dado do cotidiano econômico dos brasileiros apresentou, nesse intervalo, deterioração que justificasse tamanho aumento de ceticismo. […]

É possível que esses eleitores sejam tão ou mais céticos do que aqueles que declaram voto nos inimigos da democracia; mas também é plausível que eles estejam apenas esperando que algum candidato consiga convencê-los de que, a despeito das aparências, é possível resolver os imensos problemas nacionais por meio do diálogo político – e dentro das regras da democracia.

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