Pesquisa confirma o desinteresse da maioria dos brasileiros pela seleção

Joaquim de Carvalho, via DCM em 12/6/2018

Pesquisa Datafolha divulgada hoje pela Folha de S.Paulo coloca em números um fato que é percebido e que já foi tratado em artigo e vídeo pelo DCM: o desinteresse dos brasileiros pela Copa do Mundo.

Segundo a pesquisa, 53% dos brasileiros afirmaram não ter nenhum interesse pelo mundial de futebol. Às vésperas da Copa de 1994, ano em que essa pesquisa foi feita pela primeira vez, apenas 20% dos brasileiros se declaravam desinteressados pela Copa.

O jornal especula que o desinteresse poderia ter alguma relação com a economia fraca e a ressaca da paralisação dos caminhões, que travou o país.

Mas é mais do que isso: a apropriação pelos golpistas e manifestoches de um patrimônio nacional, a camisa da Seleção Brasileira.

A imagem simbólica da usurpação é o voto da deputada Cristiane Brasil, do PTB, a favor do impeachment, em maio de 2016. Lá estava ela, vestindo a camisa da CBF, com o pai ao fundo, votando em nome dele, da verdade e da democracia pela abertura do processo contra Dilma, sem crime de responsabilidade.

Cristiane não tinha relevância política, mas peso simbólico: com a camisa amarela, representava todos aqueles que foram às ruas vestidas como ela. Gritaram contra a corrupção, mas o que queriam mesmo tirar Dilma Rousseff do Planalto sem crime de responsabilidade.

Conseguir pela violência institucional o que não tinham conseguido pela força do voto.

Com a experiência de quem disputou uma Copa do Mundo e participou da campanha das diretas, o ex-jogador Casagrande alertou para o oportunismo do uso de um símbolo do esporte que é a paixão nacional para uma ação política que resultou no impeachment.

“Oportunistas se apoderam da camisa como se ela fosse uma representação deles, mas ela não é ligada a partido ou movimento algum”, disse ele, em entrevista ao UOL. “Todo mundo que faz isso é oportunista”.

Casagrande disse mais: “Desde que comecei a participar da política brasileira, nunca separei a camisa da seleção da política. Independentemente de qualquer situação, a camisa da seleção é política”, afirmou.

Em outras palavras: por ser política, por ter um sentido de representação, não pode estar vinculada à parcialidade. A camisa amarela cai bem hoje, por exemplo, em Sergio Moro ou sua esposa, mas jamais em uma pessoa isenta.

Muito menos em progressistas.

Casagrande comparou o movimento que resultou no impeachment com outro de dimensão nacional, o das Diretas Já.

“Não há qualquer semelhança entre os movimentos. Eu não lembro de uma camisa da seleção na Praça da Sé ou no Anhangabaú, movimentos que reuniram mais de 1 milhão de pessoas. As pessoas vestiam a camisa do Brasil”.

O Brasil estreia na Copa do Mundo domingo, dia 17/6, contra a Suíça, às 15 horas (horário de Brasília).

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