Crise? Aloysio Nunes e comitiva desfrutaram de hotéis de luxo por 23 dias

Mulher do ministro Aloysio Nunes também fez parte da missão à Ásia com gastos de R$279,7 mil em pleno colapso de abastecimento.

Via Metrópoles em 11/6/2018

Enquanto o cidadão comum sofria com o desabastecimento de gasolina e gás de cozinha durante a greve dos caminhoneiros, uma comitiva de dez integrantes do Ministério das Relações Exteriores (MRE) se hospedou em hotéis com até 7 estrelas. A viagem da equipe do ministro Aloysio Nunes, que incluiu a mulher do titular da pasta, a jornalista Gisele Sayeg, gastou R$279,7 mil com estada e passagens aéreas em viagens oficiais à Ásia, entre 2 e 25 de maio.

Além desses gastos, um avião da Força Aérea Brasileira (FAB) levou o chanceler e os diplomatas brasileiros em 17 trechos na mesma missão. Segundo os registros da FAB (clique aqui para ver relatório de todas as viagens), a comitiva incluiu mais três dias até o retorno em Guarulhos no dia 28 de maio e outros destinos na Europa (Portugal), África (Cabo Verde) e nos Estados Unidos (Anchorage, Denver e Fort Lauderdale).

Só com hospedagem, a missão gerou gastos de U$$54.057,89, (em média R$210 mil). As passagens dos servidores do Itamaraty custaram ao contribuinte US$17.872,79 mil, ou cerca de R$69,700 mil, além dos custos com o avião da FAB. Os dados foram obtidos pelo Metrópoles via Lei de Acesso à Informação (leia também a íntegra da resposta enviada pelo MRE).

De acordo com o Itamaraty, os bilhetes foram emitidos em classe econômica pelas companhias Latam, Singapore Airlines, Gol, Lufthansa, Emirates, Thai Airways, Vietnam Airlines, All Nippon Airways, China Eastern, Air France, Korean Air e Air China. Mas, no registro da FAB, a previsão de número de passageiros, 10 pessoas, é a mesma dos integrantes da equipe listados na resposta por meio da Lei de Acesso à Informação.

“O périplo por sete países da Ásia (China, Coreia do Sul, Indonésia, Japão, Singapura, Tailândia e Vietnã) visou explorar o enorme potencial inexplorado nas relações do Brasil com a região”, ressaltou o órgão. Ainda segundo a assessoria, a viagem “busca recuperar o tempo perdido, colocando a Ásia no centro da política externa brasileira”.

Para executar a tarefa oficial, a equipe ficou acomodada em hotéis 5 estrelas e um deles de 7, o Wanda Reign Xangai, o primeiro da categoria na região.

“Ao entrar no saguão, os visitantes atravessam os pisos incrustados de jade inspirados na Art Déco em direção a uma pintura abstrata do renomado artista contemporâneo chinês Shi Qi. Grandes colunas de mármore se estendem até um teto de 10 metros de altura”, descreve a CNN Travel. As diárias custam de R$368 a R$1.429 (com base nas tarifas médias de quartos standard, segundo o Tripadvisor).

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O 7 estrelas de Aloysio Nunes 1
Ayrton Centeno

Enquanto os patos, as patas e todas as suas vítimas de 2016 curtiam durante horas a fila do posto para comprar gasolina, o alto escalão do Ministério de Relações Exteriores do governo de Michel, o Mínimo, queimava a grana do contribuinte no Wanda Reign Xangai, hotel das mil e uma noites na Ásia. Comandada pelo chanceler Aloysio Nunes, a comitiva escolheu o Wanda Reign que é, simplesmente, um hotel de 7 estrelas. Sim, 7, porque gente fina não se rebaixa. O grupo de dez pessoas gastou R$279 mil, somente com hospedagem no seu giro pela Ásia. Os dados foram levantados pelo portal Metrópole , apelando à Lei de Acesso à Informação.

Vale a pena ler a descrição do Wanda Reign: “Ao entrar no saguão, os visitantes atravessam os pisos incrustados de jade inspirados na Art Déco em direção a uma pintura abstrata do renomado artista contemporâneo chinês Shi Qi. Grandes colunas de mármore se estendem até um teto de 10 metros de altura”, descreve a CNN Travel.

O 7 estrelas de Aloysio 2
Em Bangkok, os queridos escolheram o The Sukhothai, descrito como “um palácio na região mais nobre da cidade”. Entre os luxos do hotel, está um bufê com 20 tipos de chocolates finos, feitos com “os melhores cacaus do mundo”. Em Tóquio, ficaram no Ana Intercontinental, com diárias até R$1.847 e vencedor do prêmio Haute Grandeur como melhor hotel de negócios do continente e “em estilo de vida” no Japão. Recebeu ainda o World Travel Awards.

Em Singapura, Aloysio e os seus – o que incluiu sua senhora, Gisele Sayeg, acomodaram suas carnes nobres nos leitos do Shangri-la, um dos 50 melhores hotéis do mundo no Readers’ Choice Awards. Lá, a diária pode custar R$1.793. “Este lugar é onde você encontrará seu próprio Shangri-La”, promete a descrição do estabelecimento.

Assim, enquanto você e os demais mortais desfrutavam da boa vida na fila do posto, Aloysio e sua trupe enfrentavam as asperezas de diplomata no exterior.

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