Executivo da Odebrecht confessa que delatou petista sabendo que ela era inocente

Miriam Belchior. Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil.

Ele simplesmente disse que colocou na sua lista de delatados o nome de todos os políticos do PT com os quais manteve contato. O caso virou inquérito.

Via Revista Fórum em 8/6/2018

De acordo com a Crusoé, em nota de sexta-feira, dia 8/6, o delator da Odebrecht, Alexandrino Alencar, admitiu à Polícia Federal (PF) que delatou a ex-ministra Miriam Belchior mesmo sabendo que ela não cometeu nenhum crime.

Ele simplesmente disse que colocou na sua lista de delatados o nome de todos os políticos do PT com os quais manteve contato. No caso de Miriam Belchior, ele citou as obras que tratou com ela no tempo em que era ministra do Planejamento e depois presidente da Caixa.

“O nome de Miriam Belchior surge em anexo introdutório que trata do relacionamento com agentes políticos e públicos do PT. Perguntado se quando da apresentação do anexo 5º o colaborador tinha consciência de que não havia fato crime envolvendo tais reuniões, respondeu que sim. Perguntado então por que foi apresentado o anexo 5 como fato de interesse para a colaboração, respondeu que todos os contatados do Partido dos Trabalhadores constantes da agenda institucional do colaborador, que fossem agentes políticos, geraram anexos”, diz em trecho do depoimento.

O anexo em que Miriam Belchior é citada acabou virado um inquérito, onde Alexandrino foi ouvido recentemente. A PF acabou pedindo o arquivamento, já que o executivo alegou que não houve crime nos contatos com a ex-ministra.

O advogado do delator, Alexandre Wunderlich, disse à Crusoé que a tarefa de avaliar os fatos é da procuradoria e não de seu cliente. A ele cabia apenas, de acordo com o advogado, mencionar situações em que acreditava haver alguma conduta criminosa.

***

MIRIAM BELCHIOR: “O QUE ACONTECEU COMIGO É O QUE ACONTECEU COM LULA. UMA FARSA”.
Em entrevista à Fórum, ex-ministra afirmou que ficou “indignada” com a delação de um executivo da Odebrecht que citava seu nome mesmo sabendo que ela não havia cometido crime algum, simplesmente pelo fato de ser do PT.
Julinho Bittencourt, via Revista Fórum em 8/6/2018

Na sexta-feira, dia 8/6, veio à público que o delator da Odebrecht, Alexandrino Alencar, admitiu à Polícia Federal (PF) que delatou a ex-ministra do Planejamento, Miriam Belchior, mesmo sabendo que ela não cometeu nenhum crime. Ele simplesmente disse que colocou na sua lista de delatados o nome de todos os políticos do PT com os quais manteve contato. No caso de Miriam Belchior, ele citou as obras que tratou com ela no tempo em que era ministra do Planejamento e depois presidente da Caixa.

O anexo em que Miriam Belchior é citada acabou virado um inquérito em que Alexandrino foi ouvido recentemente. A PF acabou pedindo o arquivamento, já que o executivo alegou que não houve crime nos contatos com a ex-ministra.

A citação do nome de Miriam, bem como o inquérito que a obrigou a prestar depoimento na Política Federal, ainda que tenha sido arquivado, trouxe desgaste à ex-ministra. Em entrevista à Fórum, Miriam disse que ficou “indignada” com a delação.

“Ele [Alexandrino] pôs todos os contatos que ele teve com petistas, está escrito explicitamente isso. Então, é pelo fato de ser petista? Qual é a função de parte da Polícia Federal e parte do judiciário? Perseguir petista? […] Não há crime, e ele reconheceu isso. Submetem a pessoa a esse desgaste sem nenhuma razão. É, no mínimo, um desrespeito”, afirmou.

Para a ex-ministra, trata-se de um modus operandi na operação Lava-Jato a perseguição a petistas com base em delações sem fundamento. Ela chega a comparar sua situação ao acontecido com o ex-presidente Lula, preso há dois meses em Curitiba.

“Fico extremamente indignada com essa farsa porque não dá pra chamar de outra coisa o que aconteceu comigo. E é o que aconteceu com o presidente Lula, outra farsa”, disse, lembrando que no processo do ex-presidente Lula não há nenhuma comprovação de que o apartamento “mequetrefe” do Guarujá seja dele e que ele foi condenado com base em delações.

Miriam Belchior revelou ainda que cogita processar o delator por denunciação caluniosa.

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