A briga (cínica) entre Estadão e Lava-Jato de Curitiba por causa de vazamentos

Via Jornal GGN em 8/6/2018

Um duelo cínico ocorre entre Estadão e os procuradores de Curitiba na sexta-feira, dia 8/6. O jornal aproveitou que o blogueiro Marcelo Auler emplacou uma importante vitória no Supremo Tribunal Federal contra censura imposta por delegada da Lava-Jato para também atacar os vazamentos seletivos, mas como se não tivesse bebido desta fonte nos últimos quatro anos. A turma de Curitiba, então, respondeu com uma nota pública na qual joga na cara do Estadão que divulgou e divulga informações sobre processo sob Sérgio Moro justamente para “subsidiar” jornais da grande mídia – como o próprio Estadão. Os procuradores ainda desafiaram o diário a apresentar provas de ilegalidade – o que poderia comprometer a credibilidade do próprio jornal.

A troca de farpas é cínica porque foi atuando ativamente para garantir a cobertura incessante na grande mídia que a Lava-Jato conseguiu ter peso decisivo na formação da tempestade perfeita que levou à derrubada de Dilma Rousseff. Também com apoio da imprensa tradicional, a operação criou o mito Sérgio Moro, que condenou e levou Lula à prisão sem que as fragilidades no processo tenham sido levadas ao conhecimento das massas com o mesmo destaque que teve a denúncia.

Somente após atingir esses objetivos, e quando as delações passaram a ameaçar um grupo político de oposição ao PT, é que parcela da grande mídia começou a criticar (hipocritamente) os vazamentos seletivos dos quais se alimentou durante toda a operação.

“Não há nenhuma evidência de que os acordos de colaboração firmados no âmbito da Lava-Jato em Curitiba tenham se originado de estratagemas eticamente discutíveis, como leva a crer o editorial. A ampla divulgação das ações e dos resultados da Lava-Jato tem por objetivo apenas subsidiar veículos de comunicação como o próprio Estadão com informações confiáveis que já não estão sob sigilo e manter a população informada sobre a operação. Se for diferente, que esse jornal aponte as evidências que possui”, escreveram os procuradores em resposta ao Estadão.

A nota da força-tarefa da Lava-Jato responde ao editorial do Estadão que afirmou que os vazamentos vêm sendo usados “em grande escala por detentores de segredos, com o objetivo de constranger os investigados, manipular a opinião pública e forçar delações”.

O jornal ainda opinou que “o STF agiu corretamente quando derrubou a censura de reportagens que mostravam os vazamentos de informações sigilosas por parte de membros da força-tarefa da PGR em Curitiba. Mas seu grande desafio é deter de uma vez por todas esses vazamentos, que são praticados justamente por quem recebeu da Constituição a missão de zelar pela defesa da ordem jurídica.”

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