Paulo Skaf, pai do pato amarelo, tenta fazer de conta que não chocou Temer

Leonardo Sakamoto em 8/6/2018

“Eu não vejo a necessidade de carregar a imagem de ninguém.” Paulo Skaf, pré-candidato do MDB ao governo de São Paulo fugiu da “bola de ferro” representada por Michel Temer, em sabatina promovida pelo UOL, pela Folha de S.Paulo e pelo SBT na sexta-feira, dia 8/6.

Com popularidade mais baixa que broca de dentista, Temer tem sido um problema aos candidatos da base de sustentação de seu governo e, principalmente, do próprio MDB. Henrique Meirelles, pré-candidato do partido à Presidência da República e ex-ministro da Fazenda, tem evitado explicar qual o papel de Temer em sua campanha por exemplo. A resposta, por certo, seria: garantir a máquina do governo a seu favor e, pessoalmente, ficar o mais longe possível.

“Esse negócio de padrinhos, esse negócio de partidos, já não deu certo no Brasil. As pessoas votam para pessoas”, disse Skaf, passando por cima de todo sistema político. Para evitar a pecha de “candidato do Temer” quis mostrar que tem boa relação com todo mundo. O problema é que Paulo Skaf, junto com a Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), do qual é presidente licenciado, foram atores centrais no processo de chegada de Temer ao poder. E, depois, fiadores de sua manutenção.

Tanto que o seu Pato Amarelo inflável, nascido para criticar a alta de impostos, se tornou uma espécie de mascote do impeachment de Dilma Rousseff. Bancado com o dinheiro de empresários, esteve presente em várias manifestações pelo país em nome da moralidade. Mas, alcançado o seu objetivo, murchou e desapareceu. Mesmo diante de um tsunami de denúncias de corrupção e uso de montanhas de recursos públicos para salvar o pescoço de seu correligionário, o pato ficou em silêncio.

Temer chegou ao poder com o apoio aberto do grande empresariado e do mercado com duas missões: jogar a conta da crise econômica criada pelo governo Dilma para longe do colo dos mais ricos e aproveitar a janela de oportunidade para implementar um programa de governo que nunca seria eleito – as tais reformas impopulares. Reformas que reduziriam o tamanho da proteção social do Estado a fim de manter as políticas de apoio ao desenvolvimento econômico e empresarial. Em resumo, tirar dos pobres para dar aos ricos.

Temer e aliados foram figuras constantes em eventos para grandes empresários, quando eram efusivamente aplaudidos ao prometer as Reformas Trabalhista e da Previdência. Enquanto isso, falavam ao trabalhador apenas por propagandas a fim de tentar convencê-los a pagar o pato pela crise.

E ele pagou. Pagou com a aprovação da PEC do Teto dos Gastos e a limitação de investimentos públicos em áreas como educação e saúde por duas décadas. Pagou com a Lei da Terceirização Ampla, que deve ampliar a precarização do trabalho. Pagou com a aprovação da Reforma Trabalhista, na qual as medidas negativas superam, em muito, as positivas – principalmente no que diz respeito à saúde e segurança do trabalhador mais pobre.

Reforma, aliás, que é um misto de demandas apresentadas por federações e confederações empresariais com certos votos derrotados em julgamentos do Tribunal Superior do Trabalho que significaram perdas a empresários e ganhos a trabalhadores.

Não à toa, na sabatina desta sexta, ele defendeu o serviço feito: “Por mais que o governo esteja mal avaliado, nós temos que admitir que ele fez as reformas necessárias para o país”. Para o país ou para o grupo que ele representa? Por que fazer crer que os interesses de industriais e de trabalhadores são os mesmos sempre e peleguismo ou falta de compreensão quanto à dificuldade de equilíbrio entre as demandas desses dois importantes polos.

Em uma sincera entrevista concedida ao jornal O Estado de S.Paulo, em junho do ano passado, Paulo Skaf afirmou que “não cabe à Fiesp falar sobre renúncia de Presidente da República”, quando a situação de Temer se complicou. “Cabe à Fiesp defender reformas estruturais para recuperar a competitividade.” Questionado sobre desigualdade de tratamento por conta do impeachment de Dilma, disse que a situação era diferente, que o país havia perdido o controle e isso não estaria acontecendo agora. E que “cabe à Fiesp discutir economia, não política”.

Gostaria de viver no mesmo Brasil que ele, que – hoje – não está fora de controle.

O que Skaf entende por perder o controle é a manutenção dos interesses de determinado grupo econômico sobre os do restante da sociedade. O Congresso Nacional aprovou e Temer sancionou perdões bilionários de grandes empresários devedores de impostos. O único quac do pato quanto a isso foi um soluço de felicidade ao comemorar essas notícias com um bom uísque.

Ele disse, nesta sexta, que o “pato cumpriu seu objetivo”, em relação ao aumento de impostos. Como o símbolo inflável não foi usado pela Fiesp apenas em sua campanha contra as propostas do PT de aumento de impostos por conta da crise, mas com fins políticos visando à substituição presidencial, eu diria que sim, cumpriu mesmo.

Qualquer instituição tem a liberdade de se manifestar a favor ou contra quem quiser, por mais que manifestações soem seletivas e oportunistas. Mas os eleitores também deveriam ter o direito de saber quem foram os arquitetos do atual governo. Com essa informação em mãos, podem se manifestar nas urnas da forma que acharem melhor.

E esse governo também é filhote de Skaf. Quem chocou o ovo, que agora o aninhe entre suas asas. Ou arque com a responsabilidade da sujeira que ele espalhou por aí. Reescrever a história durante a campanha eleitoral é falta de coragem com a própria biografia, para dizer o mínimo.

Uma resposta to “Paulo Skaf, pai do pato amarelo, tenta fazer de conta que não chocou Temer”

  1. heloizahelenapiasblog Says:

    ele sempre será o próprio pato, com ou sem kbç ele já dançou faz tempos.

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