Ontem éramos comparados à China e à Rússia, hoje a Honduras e ao Paraguai

Roberta Limongi, via DCM em 2/6/2018

No final da primeira década do século 21, durante os governos progressistas, o Brasil chegou foi comparado a países como China, Rússia, Índia e África do Sul.

Naqueles anos, algumas características em comum chamaram a atenção de especialistas que visualizaram ali uma alternativa ao projeto neoliberal, capitaneado pelos Estados Unidos.

Um grande mercado consumidor interno e uma pauta desenvolvimentista em que o investimento era organizado e dirigido a partir do estado.

No Brasil da atualidade, após o golpe jurídico-parlamentar de 2016, que culminou em dois anos de desgoverno de Temer, voltamos à dura realidade. Estamos mais próximos de países como Honduras, Paraguai, Egito.

O hondurenho Manuel Zelaya, deposto em 2009, foi acusado de tentar dar um golpe plebiscitário, seja lá o que for isso.

O paraguaio Fernando Lugo, por sua vez, foi deposto em 2012 após um julgamento que durou poucas horas, não dando chance ao contraditório.

Lugo foi acusado de desgoverno, e responsabilizado por uma série de confusões no campo, que envolveram brasiguaios e sem-terra locais, que terminaram, infelizmente, em mortes.

No Egito, em 2013, a situação foi ainda mais retrógada. O presidente Mohamed Morsi, o primeiro representante civil e ativista islâmico eleito democraticamente, foi deposto e preso por uma junta militar, que desde então governa aquele país.

O presidente egípcio, resumidamente, foi acusado de manter diálogo com grupos islâmicos que não são bem vistos pelas potências ocidentais como, por exemplo, o Hamas e o Hezbollah.

Aliás, Morsi tinha sido eleito para comandar os egípcios após a queda do ditador militar Hosni Mubarak, que ficou 30 anos no poder. Ou seja, os egípcios viveram sob um regime democrático por tempo inferior a um ano.

Outra semelhança entre Honduras, Paraguai e Brasil, que vale a pena citar, foi a presença da embaixadora americana Liliana Ayalde.

Ayalde pode ter revelado os métodos modernos de intervenção utilizados pelos Estados Unidos.

Esses métodos visavam o financiamento de supostas ONGs ou/e movimentos sociais, que atuam como agentes desestabilizadores ou criadores de lideranças pró mercado.

O método busca também encontrar lacunas constitucionais que possibilitem dar, a tais processos como o de impeachment, um ar de legitimidade.

As situações citadas acima representam a era Obama. De acordo com essa visão, no âmbito do neoliberalismo a guerra é encarada como um problema, pois restringe o comércio, onde tem destaque a comercialização de materiais bélicos.

Assim sendo, a principal arma dos neoliberais, portanto, são as sanções econômicas. Em outras palavras, para o soft power, ou o país faz o que nós queremos, ou os sufocamos economicamente.

Sob Donald Trump, a orientação para as relações internacionais não é mais predominantemente o emprego do soft power. Agora o que impera é o hard power.

De maneira geral, por essa perspectiva a guerra não é um problema, ela é apenas uma extensão das negociações.

Isso significa que, ou os países seguem as orientações dos EUA e fazem o que eles querem, ou serão “curvados” fisicamente. Nesse ponto reside o perigo real de voltarmos a viver um regime de exceção nos moldes do egípcio.

As pressões internas foram propiciadas por uma classe dominante medíocre e egoísta que aceita ser apenas representante do capital multinacional em terras brasileiras, sonhando em ganhar o máximo de capital aqui para poder gastar e Miami, Londres e Paris.

As pressões externas, por sua vez, vieram principalmente do bloco neoliberal, capitaneados pelos Estados Unidos.

Esse bloco enxerga no Brics uma séria ameaça ao poderio americano e à sua área de influência exclusiva e permanente – a América Latina.

Uma resposta to “Ontem éramos comparados à China e à Rússia, hoje a Honduras e ao Paraguai”

  1. Moacyr medeiros alves Says:

    O poder judiciário de qualquer país é aquele poder que dispõe e julga os acertos e erros cometidos por suas instituições, suas empresas e seus cidadãos; portanto, sem um poder judiciário coerente, justo e honesto, nação nenhuma poderá ser considerada uma “democracia”.

    Mas no Brasil, país onde o povo se deixa iludir com as infames pregações de uma mídia corrupta, impatriótica e espertalhona, que dentre um mundo de baboseiras, o fez aceditar que patriotismo é torcer por onze caras que defendem as cores de uma seleção de futebol e que, partindo dessa imbecilidade, cria ídolos, heróis e inadmissíveis castas, para as quais os direitos são diferentes dos direitos dos demais cidadãos que trabalham para sustentar essa farsa, falsa premissa a que o povo, como um bando de carneiros deslumbrados, vem, insensatamente, se sujeitando há muito tempo.

    Mas essa “elite” covarde de nosso judiciário, que se julga acima das leis pois é ela que as faz cumprir, engana-se redondamente! Tudo na vida tem fim; e essa gentinha covarde, traiçoeira e arrogante, que se julga esperta e intocável, também é mortal — todos nós somos –, tendo, portanto, seus dias definidos pela natureza que não é corrupta como eles são.

    Por fim, essa gentinha traiçoeira, covarde, desonesta, desumana arrogante e totalmente desprovida de bestunto, se tivesse um pouco de humildade recorreria à filosofia para centrar seus lastimáveis juízos; para isso, uma frase filosófica atribuída Abraham Lincoln, que diz: “Pode-se enganar a todos por algum tempo; pode-se enganar alguns por todo o tempo; mas não se pode enganar a todos todo o tempo”, seria um inteligente e ideal ponto de partida.

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