A aula de Dilma sobre a dolarização do petróleo brasileiro e o golpe na Petrobras

Foto: Ricardo Stuckert.

Via Jornal GGN em 1º/6/2018

Dilma Rousseff esteve com Lula, em Curitiba, na quinta-feira, dia 31/5, e, na saída da visita ao ex-presidente, deu uma aula sobre o que está acontecendo na Petrobras desde o (e em função do) golpe parlamentar de 2016.

Em suma, Dilma indicou que “inventaram que a Petrobras está quebrada” para promover o desmonte de uma série de políticas que fariam com que a estatal garantisse ao mercado brasileiro a autossuficiência em petróleo. O Brasil tem potencial para deixar de exportar petróleo bruto e importar derivados, fazendo um movimento no sentido contrário quanto ao produto refinado.

Mas o governo Temer está caminhando para esvaziar a capacidade das refinarias do Brasil e, com isso, abrir caminho para que o petróleo internacional chegue ao mercado interno com preços absurdos.

Confira os principais pontos e declarações diretas abaixo:

Os governos do PT projetaram que a Petrobras, a partir da descoberta do pré-sal, teria condições de garantir ao País a autossuficiência no abastecimento. Isso significa não permitir que o Brasil estivesse sujeito à chamada “maldição do petróleo”, que é exportar petróleo bruto a um gasto menor do que a importação dos demais bens derivados do petróleo.

Para impedir essa “maldição”, Lula e Dilma lançaram mão de algumas políticas, com destaque para a expansão de refinarias e modernização das existentes.

A autossuficiência consiste na capacidade de, em vez de exportar óleo bruto, exportar sobretudo derivados de petróleo, ou seja, petróleo processado. Lula achou que o pré-sal tiraria esse projeto do papel. Outra ação dos antigos governos foi investir em “conteúdo local mínimo”: produzir no Brasil os equipamentos demandados pelas refinarias que poderiam ser produzidos domesticamente.

O governo Temer acabou com a política de conteúdo local e transformou o Brasil num paraíso para grandes empresas produtoras de petróleo e que fornecem derivados.

“Inventaram que a Petrobras estava quebrada para de fato reduzir a produção das refinarias, e reduziram. Hoje as refinarias do Brasil trabalham com capacidade ociosa. Antes tinha um grau de produção que beirava os 70%, às vezes chegava a 75%, oscilava.”

“Por que isso? Com petróleo brasileiro, encontrado com capacidade tecnológica brasileira, não podemos aceitar que dolarizem o petróleo brasileiro.”

“Vocês nunca se perguntaram por que o petróleo brasileiro, com custos nacionais, produzido em real, tem que estar dolarizado ou ligado ao preço internacional do petróleo? Baseado em que? Diziam que a gente segurava os preços relacionados ao petróleo? Segurávamos em relação ao quê? Vamos discutir como se forma o preço do petróleo internacionalmente? É o livre mercado? É a oferta e demanda absolutamente límpida? Não. O mercado de petróleo é aquele que está eivado de pressões derivadas de guerra, jogo geopolítico.”

“O mercado do petróleo é um mercado que, se você deixar que ele controle você, você deixa que interferências de outros países, de agentes que você não controla, definam o preço.”

“Eles fazem isso porque é uma reivindicação dos acionistas minoritários. Quem são os acionistas majoritários? Somos nós, todos os brasileiros. Porque o nosso interesse – que é o de obviamente não querer reajuste da gasolina e gás de cozinha todos os dias – é que esse preço não seja vinculado ao mercado internacional.”

Uma empresa de petróleo é medida pela reserva. Uma empresa de petróleo sem reserva não vale nada. A oscilação do preço internacional não é fundamental.

“Lula me lembrou tudo isso, discutiu comigo, e nós avançamos nessa compreensão do absurdo que está sendo a destruição da maior empresa estatal brasileira – 51% é da União e 49% está aberto no mercado internacional.”

Talvez nós sejamos uma das únicas empresas públicas que abriram seu capital para o mercado internacional. Outros países, como Arábia Saudita, não abriram e não deixam a ingerência chegar neste ponto.

“Eles não defendem os interesses do Brasil, mas sim a de grandes petrolíferas internacionais, principalmente daquelas que não têm reservas próprias e que olham para as nossas reservas porque sabem que uma empresa de petróleo faz diferença pelas reservas que ela possui. O que eles querem é acesso às nossas.”

“Para isso é preciso, primeiro, privatizar todas as refinarias, para depois justificar que vão ter que cobrar o preço do mercado internacional do produto dessas refinarias porque se não o investidor não vai ficar tranquilizado.”

“O processo em curso de privatização do refino é para isso, para abrir o mercado brasileiro desnecessariamente para a importação de petróleo. Eu olho esse momento que o País vive com indignação.”

Clique aqui para assistir à integra do vídeo.

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