Pedro Parente é o representante dos EUA no Brasil, diz embaixador

Samuel Pinheiro: “Golpe em curso efetuou um ataque às grandes empresas brasileiras e nenhum ataque a empresa estrangeira”. Foto: Wilson Dias/ABr.

Samuel Pinheiro Guimarães diz ainda que Henrique Meirelles é o candidato de Wall Street nas eleições. Para ele, o próximo alvo dos interesses do Estados Unidos, depois de destruir a Petrobras, são os bancos.

Eleonora de Lucena e Rodolfo Lucena, via Tutaméia em 25/5/2018

O Brasil é um país ocupado, cujo governo faz tudo que o estrangeiro quer. É um governo estrangeiro no Brasil. O capital externo está forte em todos os setores, exceto no dos bancos. Agora, o último ataque – que já está em curso – é contra os bancos, que são, na maioria, brasileiros. A análise é do embaixador Samuel Pinheiro Guimarães Neto em entrevista ao Tutaméia.

Na visão dele, Henrique Meirelles é o candidato de Wall Street nas eleições. Já Pedro Parente, presidente da Petrobras, é o representante dos interesses do Estado norte-americano no Brasil –daí seu empenho em destruir a Petrobras.

Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos da Presidência da República no governo Lula e Alto-Representante Geral do Mercosul (2011-2012), Pinheiro Guimarães é autor de livros essenciais para a compreensão do Brasil no contexto mundial, como Quinhentos Anos de Periferia (UFRGS/Contraponto, 1999) e Desafios Brasileiros na Era dos Gigantes (Contraponto, 2006) – com este último, ganhou o Troféu Juca Pato da União Brasileira de Escritores.

Espionagem e destruição de concorrente
Para o embaixador, o golpe em curso no Brasil efetuou um “ataque às grandes empresas brasileiras e nenhum ataque a empresa estrangeira. Pegaram as grandes construtoras, porque na área industrial é tudo estrangeiro” –com exceção de empresas menores nos setores têxtil, de calçados. Diz Pinheiro Guimarães:

“Pegaram alguns setores que tinham uma certa prevalência de capital nacional, que eram empresas de engenharia. Foram em cima delas. Os processos contra as empresas são todos irregulares, as delações, advogados [de defesa] que não têm acesso, juiz que divulga seletivamente. A delação premiada é uma forma de tortura. Instrumentado de fora, o lawfare. Montaram [esse roteiro] não só contra o Brasil. Prenderam o presidente da Samsung na Coreia, na França”.

De acordo com o embaixador, “é uma estratégia norte-americana de luta contra a corrupção dos outros, não a deles” que visa “destruir os concorrentes usando esses acordos de cooperação judiciária”. Assim usam todo o sistema de espionagem. “Espionaram a Petrobras, espionam tudo, inclusive essa gravação agora”. O objetivo é “ a destruição das empresas, dos instrumentos de capitalismo nacional”.

Ele afirma que esse processo de “destruição do que sobrou do capital nacional” atingiu não só as empreiteiras – que estão prejudicadas em uma futura reforma da infraestrutura brasileira, abrindo espaço para as estrangeiras –, mas outros setores. “Esse negócio da JBS é uma parte também disso, destruir a JBS que concorre no mundo”.

Febraban não é Fiesp
As mudanças vão sendo feitas com o discurso de que a empresa privada é capaz de resolver todos os problemas da sociedade e o que atrapalha é o Estado, aponta o embaixador. Por isso, a alardeada necessidade de privatização. Mais do que isso, os defensores dessas ideias acham que “a empresa privada estrangeira é melhor do que a brasileira”.

“Daí a ideia de que se pode permitir o capital estrangeiro na educação, na saúde. Vai entrar no setor de advocacia, onde já entrou disfarçadamente. Entrou em tudo, exceto os bancos. O último ataque é contra os bancos, que são na maioria brasileiros. O ataque já está em curso. Estão dizendo que o problema da economia brasileira são os juros altos. Por quê? Porque não há competição. Como aumenta a competição? Com os bancos estrangeiros, não vai ser com banco brasileiro. Não tem nenhum grupo capaz de criar um banco brasileiro”.

Para o embaixador, “os bancos já perceberam isso. A Febraban já deve ter percebido que agora é com eles. Tem havido artigos frequentes contra os bancos, juros altos, spreads altos. (Dizem): o BC reduz os juros, mas os juros não caem para o consumidor porque falta competição. E a competição vai vir de fora, só pode ser. Mas aí terão embate muito difícil. Ali não é a Fiesp; é a Febraban. É o último grande setor que não está (predominantemente em mãos estrangeiras)”.

Forças de ocupação
Pinheiro Guimarães trata do contexto da política mundial que explica o golpe no Brasil. E discorre sobre a destruição promovida pelo governo golpista em vários aspectos – na desorganização no mercado de trabalho, na privatização desenfreada, na redução dos bancos públicos, no enxugamento do Estado. E resume:

“Vamos supor que o Brasil tivesse sido invadido por uma potência estrangeira. O que as forças de ocupação fariam? Iriam reduzir o Estado, destruir as empresas daquele país que está ocupado. Com fizeram na Alemanha, no Japão. Iriam dar todo o favorecimento aos vencedores. É o caso que estamos vivendo. Estamos vivendo um governo estrangeiro no Brasil. O que é um governo estrangeiro no Brasil? É o que favorece o estrangeiro”.

Candidato de Wall Street e representante dos EUA
Pinheiro Guimarães afirma que o governo Temer “é um fracasso extraordinário” e comenta os cenários para a eleição. Defende a candidatura Lula e avalia alguns dos candidatos. Para ele, Wall Street tem candidato: “Chega de intermediários, Meirelles para presidente”. Segundo ele, Henrique Meirelles “representa os interesses do mercado internacional”.

Já o “representante dos interesses do Estado norte-americano é (Pedro) Parente”. E declara; “No Brasil, o que interessa muito aos EUA é destruir a Petrobras. Vai vendendo, parcelando. Para os EUA, é essencial o abastecimento de energia”. Ele lembra que os Estados Unidos se abastecem um pouco na Venezuela e no Oriente Médio, que é uma zona de conflito. Daí a vantagem de se Brasil, que está próximo, não está numa zona de conflito e que está dando todo acesso às companhias estrangeiras”.

Na análise do embaixador, “o que os EUA querem é que o Brasil fique na sua posição de país subdesenvolvido, exportador de produto primário, soja, minérios, nióbio, algum processamento, como suínos e frangos, mas não produto manufaturado”.

Pinheiro Guimarães debate na entrevista democracia, desenvolvimento, justiça social e soberania –pontos essenciais para o país. Para avançar rumo a esses objetivos, o primeiro passo é a luta pela libertação do presidente Lula.

Assista.

***

PARLAMENTARES CULPAM GESTÃO DE PARENTE NA PETROBRAS E ACIONAM JUSTIÇA
Governo diz que redução do diesel terá impacto de R$9,5 bilhões. Deputados e senadores veem incapacidade de Temer de resolver crise e acusam privatização da Petrobras “por dentro”.
Hylda Cavalcanti, via RBA em 28/5/2018

Greve dos Petroleiros: Petroleiros na refinaria de Capuava, Mauá (SP). “Esquenta” da greve de 72 horas a partir de quarta-feira, dia 30, para denunciar política de preços. Foto: Roberto Parizotti/CUT.

Algumas das concessões anunciadas pelo governo na noite de ontem [27/5] para reduzir o valor do óleo diesel e acabar com a greve dos caminhoneiros dependem, oficialmente, do Congresso Nacional. O ministro da Fazenda, Eduardo Guardia, durante entrevista coletiva, afirmou que a redução de R$0,46 no preço do diesel terá impacto de R$9,5 bilhões nas contas públicas. E, por isso, cerca de quatro medidas provisórias (MPs) serão publicadas de hoje [28/5] a quarta-feira [30/5].

O governo estima ter de remanejar R$3,8 bilhões de dotações do Orçamento Geral da União (OGU). A lista com os setores que vão sofrer ainda mais cortes que o que já estava previsto no final de 2017 será divulgada ainda na segunda-feira, dia 28/5.

Outros R$5,7 bilhões para cobrir o valor da redução do preço do diesel sairão de verbas previstas pelo governo para aumento de arrecadação, a partir da reoneração de 28 setores da economia e de valores previstos para capitalização de estatais. Só que o projeto de reoneração só foi aprovado pela Câmara.Ainda precisa do aval do Senado. Ou seja: esse dinheiro nem começou a entrar nos cofres públicos.

O texto da reoneração só pode ser votado depois da desobstrução da pauta do Senado, que inclui, atualmente, seis outras matérias. E só após essas votações é que o plenário da Casa terá condições de colocar em pauta a urgência do Projeto de Lei Complementar que regula preços de fretes rodoviários, outra medida oferecida aos caminhoneiros.

O presidente do Congresso, senador Eunício Oliveira (MDB/CE), que passou o fim de semana em Brasília e chamou vários parlamentares para apressar o retorno à capital, anunciou a realização de sessão extraordinária a partir das 16h, no Senado.

Política da Petrobras
Os senadores Roberto Requião (MDB/PR), Lindbergh Farias (PT/RJ) e Gleisi Hoffmann (PT/PR) ingressaram na sexta-feira, dia 25/5, com ação popular com pedido de liminar para suspender a atual política de preços praticada pela Petrobras.

“Pedem os autores que determine à Petrobras a imediata aplicação dos preços praticados antes da atual política, portanto, em setembro de 2016, atualizados até a presente data pelo índice nacional de preços ao consumidor – IPCA”, diz trecho do pedido de liminar. A ação está com a juíza federal Vânia Hack de Almeira, do Paraná.

Segundo os senadores, a política de preço dos combustíveis praticada pelo governo de Michel Temer tem causado, a longo prazo, danos à própria Petrobras, “na medida em que os distribuidores concorrentes estão deixando de comprar gasolina do Brasil, preferindo importar, já que os preços praticados pela Petrobras estão elevados”.

Na ação, os parlamentares citam danos causados aos consumidores, obrigados a pagar caro pelo combustível para que a empresa dê lucro aos seus acionistas, além dos danos ao país, que “ao invés de valorizar seu produto, está cada vez mais importando do exterior”.

Segundo os autores, a gestão da Petrobras tem causado causa dano à soberania nacional ao fazer o Brasil ser cada vez mais dependente do mercado internacional.

Agenda travada
Na segunda-feira, dia 28/5, os parlamentares, entretanto, considera que a origem do problema diz respeito à política de preços da Petrobras e defende que o que deve ser modificado é o modelo implantado pelo governo Michel Temer.

O deputado Adelmo Leão (PT/BA) defendeu um debate maior de ações duradouras para defesa da empresa como estratégica para o país. “Vemos uma Petrobras que está atualmente cedida a interesses privados. Não dá para estabelecer preços de mercado internacional e nos submetermos aos interesses privados. E precisamos mudar essa lógica“, afirmou.

O líder da oposição na Câmara, deputado José Guimarães (PT/CE), defendeu a demissão do atual presidente da companhia, Pedro Parente. Guimarães lembrou a carta aberta divulgada durante o final de semana por um grupo de governadores fazendo duras críticas ao governo e avaliou que o desastrado tratamento dado à crise dos combustíveis levou a tudo o que o país está enfrentando, além de indicar o isolamento político de Temer.

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta (RS), anunciou que a bancada vai acionar na Justiça as mudanças feitas no estatuto da Petrobras, que, segundo ele, “privatizam por dentro a companhia e a colocam sob controle de suas concorrentes multinacionais”.

Pimenta lembrou que a cláusula inserida no estatuto da estatal obriga o ressarcimento à empresa, pelo erário público, por qualquer política de preços de combustíveis que contrarie a lógica de lucro máximo do mercado, em detrimento da sociedade e da economia nacional.

Já o líder da legenda no Senado, Lindbergh Farias (RJ), aproveitou para fazer contas sobre reajustes realizados, em pouco período de tempo. “Foram absurdos 229 reajustes no preço do diesel nos últimos dois anos. Nos 12 anos de governo do PT, foram apenas 16 reajustes. É preciso previsibilidade nas mudanças de preços praticados após ciclos espaçados e moderados, o que não tem acontecido neste governo”, criticou.

Falta de autoridade
O deputado Orlando Silva (PCdoB/SP), relator do projeto de reoneração que zera o PIS/Cofins para o diesel, destacou que não vê, perante o governo “autoridade moral, política, nem capacidade para liderar o país no processo de superação da crise dos combustíveis“.

“É fundamental rediscutirmos a nova política de preços da Petrobras, que é desastrosa, insustentável e acarreta em custos elevadíssimos não só do diesel, mas da gasolina, do etanol e do gás de cozinha, causando enorme prejuízo na vida do povo brasileiro”, disse Silva.

Também a deputada Jandira Feghali (PCdoB/RJ) ressaltou que um dos motivos que levou à crise foi o fato de a Petrobras e o atual governo “passarem a fazer uma política de extrair o óleo cru do pré-sal e exportar, sem nenhum valor agregado, e depois passarem a importar dos Estados Unidos e de outras produtoras internacionais o derivado do nosso petróleo”.

“Inviabilizaram as refinarias e a possibilidade de transformar esse óleo cru em derivados, inclusive em combustível para o mercado interno”, acrescentou Jandira, ao lembrar que os deputados e senadores não querem saídas mágicas. “Nós não queremos instabilidade nem saídas que possam levar a mais problemas do que soluções para o povo brasileiro”.

Amanhã [29/5], na Câmara dos Deputados, está prevista a realização de uma comissão geral, ferramenta legislativa que consiste num grande debate, com especialistas e representantes de todos os setores, para discussão da crise de combustíveis no país.

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Uma resposta to “Pedro Parente é o representante dos EUA no Brasil, diz embaixador”

  1. COPACABANA EM FOCO Says:

    Agora, que a vaca foi pro brejo é que os deputados de esquerda vão tentar dirimir ou diminuir o estrago feito pelo governo Temer? Tem um político, um daquelas raposas velhas, o Senador Requião do MDB que gosto muito de ouvir-lo. Tem traquejo na fala.

    Na segunda eleição da Presidenta Dilma, ele falava do panorama indigesto e uma nuvem sombria que está pairando no ar em relação ao Impeachment da Dilma. Que ele tinha sido convocado diversas vezes às reuniões em que políticos do seu próprio Partido, do PSDB e dentre outros, estavam maquinando e articulando a destituição de Dilma, se caso ela fosse vencedora do escrutínio eleitoral, e não só trancar todas as pautas e votações do interesse do governo federal e da população, assim, como também deixar livre o caminho para a privatização da Petrobrás e a entrada maciça das empresas estrangeiras, como é o caso da China. Ele avisou a Dilma, e pediu a mudança na política econômica, urgentemente. Mas é aquele negócio. A doutrinação partidária. Partido é bom para um debate democrático e fazer o seu programa, mas a partir que há interferência na condução de um mandato presidencial, aí, acontece o que aconteceu. A política do Lula de governar para todos, não foi o mesmo para Dilma. O PT foi pego de calças nas mãos e não conseguiu inverter o quadro desastroso de ter como Presidente, um usurpador, traidor, corrupto até a medula e um lesa-pátria.

    No Brasil, temos um problema sério, é que a maioria da população é desinformada culturalmente e academicamente ou que apesar dos temidos escolarizados que cultuam um capitalismo transnacionais selvagem, como é o caso dos Estados Unidos, não vejo a curto e a médio prazo nenhuma transformação para este tipo de mudança. Parece ser a nossa sina de sermos o povo subdesenvolvido, ou como diz o Tio Sam pro latinos, sub-raça, e como tal, uma vez submissos seremos sempre escravos. Já tá na história e no sangue.

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