Locaute: Greve dos caminhoneiros ganha força com ajuda dos patrões

Diumar Bueno, presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA).

MANIFESTAÇÕES GANHAM FORÇA COM ADESÃO DE ENTIDADES EMPRESARIAIS
Especialistas afirma que setor de transporte de carga está praticando locaute.

Via Folha on-line em 25/5/2018

Os manifestantes pediram e conseguiram suspender a política de reajustes diários de preços da Petrobras até o fim do ano. As revisões no valor do diesel serão mensais. Caso a estatal tenha prejuízos, a União cobre – uma prática que resgata o subsídio aos combustíveis.

É preciso esperar a reação dos caminhoneiros na sexta-feira, dia 25/5, para medir o nível de adesão ao acordo. A Abcam (Associação Brasileira dos Caminhoneiros), que vinha liderando a paralisação, deixou a mesa de negociação e não assinou o acordo. O governo vai monitorar em particular se a desmobilização será tão ágil quanto foi a organização.

A rapidez com que a paralisação se alastrou pelo país desperta suspeitas de que as transportadoras, que também sofrem com a alta do preço do diesel, participam da mobilização, o que é proibido por lei.

Seria o chamado locaute, espécie de greve coordenada por empresários. A legislação brasileira só garante o direito à greve aos trabalhadores.

Em entrevista a Folha, na noite de quinta-feira, dia 24/5, o ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann, disse que informações da área de inteligência do governo identificaram indícios de participação do setor empresarial que, se comprovada, vai exigir ação da Polícia Federal.

O setor de transporte de carga – que responde pela movimentação de 60% de tudo que o país produz e consome – é hoje muito mais profissionalizado. Da frota regularizada de 1,76 milhão de veículos de carga que circulam no país, o caminhoneiro autônomo responde por pouco mais de um terço – 37% do total, conforme dados da ANTT (Agência Nacional de Transporte Terrestre). Transportadoras privadas e cooperativas respondem por 62% do setor.

[…]

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CAMINHONEIROS CONDICIONAM FIM DA GREVE À REDUÇÃO DO PREÇO DO DIESEL
Via Agência Brasil em 24/5/2018

No quarto dia de greve dos caminhoneiros e pelo segundo consecutivo de reunião no Palácio do Planalto, o presidente da Confederação Nacional dos Transportadores Autônomos (CNTA), Diumar Bueno, condicinou na quinta-feira, dia 24/5, o fim da paralisação à redução do preço do diesel nas bombas dos postos de combustíveis.

“Como condição para não deixar o movimento acontecer, solicitamos que houvesse um estancamento do reajuste combustível principalmente”, afirmou o representante da CNTA.

Bueno e representantes de mais 11 entidades de classe, que falam em nome dos caminhoneiros, estão reunidos na Casa Civil. Os caminhoneiros querem a redução de impostos sobre o preço do óleo diesel, como PIS/Cofins e ICMS e o fim da cobrança de pedágios dos caminhões que trafegam vazios nas rodovias federais que estão concedidas à iniciativa privada.

A reunião é conduzida pelo ministro da Casa Civil, Alexandre Padilha, e participam também os ministros Valter Casimiro Silveira (Transportes), Carlos Marun (Secretaria de Governo), Sérgio Etchegoyen (Gabinete de Segurança Institucional), além do diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres, Mário Rodrigues, do secretário-executivo do Ministério dos Transportes, Hebert Drummond.

Pela manhã, o presidente Michel Temer se reuniu com Padilha, Casimiro e Marun para discutir a paralisação. Ao final, Marun afirmou que o governo espera conseguir uma trégua na paralisação dos caminhoneiros. Para ele, já houve avanço a partir do anúncio da Petrobras de reduzir em 10% o valor do diesel nas refinarias por 15 dias.

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