Mário Miranda, outro operador do MDB, confessa crime e entrega US$7,2 milhões

Reprodução de termo entregue à Lava-Jato por Mário Miranda.

Preso na 51ª fase da Lava-Jato manteria o dinheiro em contas na Suíça. Advogado diz que Miranda entregou a propina no escritório de Michel Temer em São Paulo.

Luiz Vassallo, via Estadão on-line em 21/5/2018

O operador do MDB Mário Miranda confessou crimes e deixou à disposição da Justiça US$7,2 milhões em valores repatriados – montante oriundo, segundo ele próprio disse, de práticas ilícitas em contratos da Petrobras. Sob sigilo, as declarações de Miranda foram registradas pela força-tarefa da Operação Lava-Jato no dia 16.

O depoimento envolve contrato que, segundo a Odebrecht e os investigadores, beneficiou o MDB em 2010, em suposto acerto com políticos da cúpula do partido, dentro do escritório de Michel Temer em São Paulo. O termo foi assinado após a prisão de Miranda na 51ª fase da Operação Lava-Jato, que mira suspeita de propinas em benefício do partido.

A defesa de Miranda é constituída pelo advogado Antônio Figueiredo Basto, um dos maiores especialistas em delação premiada do País. Pioneiro e responsável por acordos de importantes delatores, como o doleiro Alberto Youssef, o corretor Lúcio Funaro e o dono da UTC, Ricardo Pessoa, ele também é citado em delações.

O Estado revelou no sábado, dia 19/5, que os doleiros Vinícius Claret e Cláudio de Souza citaram suposto pedido do advogado por uma “taxa” mensal de US$50 mil em troca de “proteção” em investigações. O advogado nega e afirma que nunca teve contato com Claret e Souza.

Foi Basto que afirmou ao juiz federal Sérgio Moro que Miranda, “em longo depoimento gravado, reiterou seu firme propósito de colaborar com as investigações, de comparecer a todos os atos processuais e repatriar os valores ilícitos recebidos”. “Apenas para contextualizar, registre-se uma vez mais que o requerente procurou a Polícia Federal e Ministério Público Federal ainda em 2016 e antes da colaboração da Odebrecht com a finalidade de iniciar uma colaboração.”

Em janeiro deste ano, Miranda voltou a encaminhar, por meio de sua defesa, ofício à força-tarefa no qual diz estar à disposição para colaborar e para os trâmites relativos à devolução de valores decorrentes de crimes. No entanto, ele acabou preso na Lava-Jato. Para os procuradores, há “contas secretas ainda mantidas no exterior e que não tiveram saldos sequestrados”, como a offshore Fairfamily Foundation, mantida pelo operador nas Bahamas.

Contas. De acordo com o advogado, no depoimento do dia 16, Miranda “respondeu a todas as perguntas e enfrentou as apontadas omissões que, segundo o MPF, justificaram a prisão preventiva”. Ele disse que o operador “manifestou em seu depoimento que abre mão de eventuais valores depositados no exterior e concorda com a repatriação, comprometendo-se ainda a apresentar, quando os bancos enviarem, “os documentos da conta da fundação no Banco Heritage que deram origem à movimentação para a instituição nas Bahamas”.

Entre as contas de valores ilícitos repatriados e já postos à disposição das autoridades pelo operador estão uma mantida no banco suíço Julius Bar, com saldo atualizado em 2 de abril de 2017 no valor de US$1.834.682, e outra no Credit Suisse, com saldo atualizado em 17 de março de 2017 no valor de US$5.449.540.

De acordo com Miranda, o valor totaliza US$7.284.222, a ser atualizado. Ainda restaria conferir o “saldo na conta mantida nas Bahamas cujos demais dados desconhece”.

Miranda foi preso preventivamente na Operação Dejà Vu, 51ª etapa da Lava-Jato, no dia 8. Essa investigação mira contrato da área Internacional da Petrobras no valor de US$825 milhões que teria rendido propinas de US$40 milhões ao MDB, em suposto encontro entre delatores da Odebrecht, os ex-presidentes da Câmara Henrique Eduardo Alves e Eduardo Cunha e Temer, então candidato a vice-presidente, em 2010.

Ele e outro operador, Sérgio Bocaletti, são suspeitos de receber US$31 milhões por meio de contas mantidas por operadores financeiros no exterior e supostamente representavam políticos do MDB. Os operadores são investigados por entregas de valor equivalente em moeda nacional, em espécie e no Brasil, ao encarregado pelo recebimento e distribuição do dinheiro aos agentes políticos.

Defesas. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa do Palácio do Planalto, mas não obteve resposta. Também procurou a defesa dos ex-deputados federais Eduardo Cunha e Henrique Alves, mas elas também não se manifestaram.

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