Filha de Temer revela conexão de reformas com coronel Lima

Maristela Temer admitiu à PF que buscou coronel Lima para reformas por amizade com seu pai e por ser dono da Argeplan e que “não guardou nenhum comprovante”.

Via Jornal GGN em 19/5/2018

A investigação que apura se Michel Temer teria lavado dinheiro por meio de reformas em imóveis de familiares avançou. Em depoimento à Polícia Federal, fornecedores confirmaram o recebimento para reformar a casa de Maristela Temer, filha do presidente, em dinheiro vivo e em cheques. E a filha do mandatário afirmou que não guardou os comprovantes do pagamento da obra.

As informações constam nos depoimentos prestados à Polícia Federal no início do mês. De acordo com as suspeitas dos investigadores, no âmbito da Operação Skala, Temer teria limpado parte dos R$2 milhões que teria recebido de maneira ilícito de seu amigo, o coronel Lima, por meio de reformas em imóveis de sua filha e de sua sogra, Norma Tedeschi.

Maristela Temer foi ouvida pela PF no último dia 3 de maio, no Aeroporto de Congonhas, São Paulo. O blog de Andréia Sadi obteve a íntegra dos depoimentos e divulgou, na noite de sexta-feira, dia 18/5, parte das informações prestadas.

Em seu depoimento, a filha do mandatário relatou que a reforma contou com a ajuda do coronel Lima, investigado em outros inquéritos, porque “João Baptista era amigo de seu pai e também proprietário de empresa de arquitetura e engenharia, no caso, a Argeplan”, narrou à PF.

Para realizar as obras, a esposa do coronel Lima, Maria Rita Fratezi, foi quem a ajudou a fazer os orçamentos, de maneira individual. Em determinado trecho da transcrição da PF sobre o depoimento, a filha de Temer diz que a sua relação com Maria Rita era afetiva, “quase familiar”, e que por isso contou com a sua ajuda. O projeto teria sido escolhido ou mesmo elaborado pela esposa do coronel Lima.

“Maristela relatou que Maria Rita Fratezi ‘comparecia eventualmente na obra para verificar o seu andamento’ e que uma pessoa indicada para realizar parte da obra, chamada Visordi ou Visani, teria sido paga pela própria Maristela, mas que ‘não se recorda do valor pago’. Neste momento, ela ‘aproveita para esclarecer que alguns pagamentos da obra foram realizados diretamente por Maria Rita Fratezi, em função de descontos que a mesma possuía junto às empresas do ramo, por Maria Rita ser arquiteta; que posteriormente, a declarante ressarcia Maria Rita de tais despesas.”

que reitera que a declarante nunca contratou de fato Maria Rita Fratezi para executar a obra, de forma remunerada pela depoente por tal serviço, sendo que a relação de Maria Rita com a depoente sempre foi de auxílio nas necessidades de obra. Que não tem o conhecimento se o dinheiro que Maria Rita Fratezi utilizava para a realização de pagamentos para fornecedores era da empresa Argeplan, mas acredita que não faria sentido Maria Rita utilizar recursos da empresa para tais pagamentos, uma vez que classifica a relação entre a depoente e Maria Rita como pessoal”, continuou.

Ainda que inicialmente Maristela Temer mencionou que contatou o coronel Lima por, além de ser amigo próximo de seu pai, ser dono da Argeplan, aos delegados a filha do mandatário afirmou que “a empresa Argeplan não exerceu nenhum papel na reforma da residência da declarante e afirma a declarante que eventual auxílio foi recebido diretamente de João Baptista Lima Filho e, em especial, de Maria Rita Fratezi”.

E mais uma vez entra em contradição, depois de tentar afastar a relação da empresa com a reforma em sua casa, afirmar que “acredita” que os orçamentos apreendidos na empresa do coronel Lima, a Argeplan, “sejam os que foram apresentados a ela na época, mas que a obra não ocorreu como previsto neles”.

Sobre a origem do dinheiro para pagar a reforma, a filha de Temer disse que foram de “aproximadamente R$500 mil remanescentes da venda do antigo imóvel, empréstimos bancários, não se recordando os valores e mais R$100 mil que a depoente solicitou emprestado de sua mãe; que ainda utilizou uma reserva de aproximadamente US$7 mil que possuía guardado”, disse.

Que também utilizou na obra parte da remuneração recebida de sua atividade profissional e, inclusive, naquela ocasião, a depoente recebeu vários pagamentos em espécie de seus pacientes, na sua atividade profissional; que também não se recorda o valor total destes recursos que repassou em espécie; que, somando superficialmente os valores, acredita ter gasto algo em torno de R$700.000,00 (setecentos mil reais) na obra”, seguiu.

Por fim, Maristela Temer respondeu que “não possui e não guardou nenhum comprovante dos pagamentos e contratos eventualmente realizados durante e para a execução da reforma de sua casa”.

Também foram ouvidos pela PF os fornecedores das obras, que detalharam as entregas e os pagamentos, que foram realizados em cheques e em dinheiro vivo.

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