Cinco submetralhadoras iguais à usada para matar Marielle e Anderson sumiram da polícia do Rio

Diferentes tipos da submetralhadora MP5, arma que matou Marielle e Anderson, em exposição na sede da firma na Alemanha.

Lido no DCM em 17/5/2018

Cinco submetralhadoras HK MP-5 desapareceram do arsenal da Polícia Civil do Rio até 2011, segundo informações obtidas pelo RJTV. De acordo com peritos, a arma alemã foi usada por criminosos para matar a vereadora Marielle Franco e o motorista dela, Anderson Gomes.

Conforme informou a repórter Bette Lucchese na quinta-feira, dia 17/5, havia 71 submetralhadoras MP-5 no arsenal das polícias fluminense. Em 2011, durante um recadastramento, foi constatado que cinco delas haviam desaparecido das cerca de 60 que a Polícia Civil tinha.

As outras 11 submetralhadoras do mesmo tipo pertencem ao Batalhão de Operações Especiais (Bope) e foram cedidas ao Tribunal de Justiça do Rio (TJ). Nesta quinta, foi confirmado que nenhuma delas foi extraviada ou roubada.

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ARMA QUE MATOU MARIELLE TEM RASTRO OBSCURO ATÉ A ALEMANHA
Submetralhadoras da alemã Heckler & Koch estão no arsenal de grupos de elite pelo mundo – e também de criminosos. Ex-funcionários estão sendo julgados por exportações ilegais, e ativistas exigem fim de vendas ao Brasil.
Via DW Brasil em 17/5/2018

Na comunidade de entusiastas de armas de fogo, os produtos da Heckler & Koch são considerados lendários. Fazem parte do arsenal de alguns dos mais famosos grupos de elite do mundo, como a Swat e os Navy Seals nos EUA. Um de seus fuzis foi usado para matar Osama bin Laden.

No cinema, Bruce Willis usou uma das submetralhadoras da empresa para matar vilões em Duro de Matar. Em 2016, o controlador da Heckler & Koch (H&K), Andreas Heeschen, definiu a empresa como a “Porsche das armas”.

Mas a Heckler & Koch também ostenta outras marcas: seus produtos alimentam guerras e estão entre alguns dos favoritos de criminosos e de forças que violam direitos humanos. E uma das submetralhadoras produzidas pela empresa, segundo investigações, foi usada no assassinato da vereadora carioca Marielle Franco e de seu motorista em março.

O caso Marielle acendeu mais uma vez o alarme de ativistas que cobram controles mais severos para a exportação de armas pela Alemanha e o banimento de vendas para países acusados de violar direitos humanos.

Segundo apontou a Polícia Civil do Rio de Janeiro, Marielle foi atingida por disparos de uma HK MP5, uma submetralhadora de uso restrito no Brasil. Teoricamente, só deveria ser encontrada nos arsenais das polícias Militar, Civil, Federal e de alguns grupamentos das Forças Armadas. Não está claro se a arma foi desviada de um desses arsenais. Não é raro que armas da H&K sejam encontradas em poder de criminosos no Brasil.

Exportações ilegais e processo
A associação dos produtos da H&K com crimes em países em desenvolvimento, como o caso Marielle, é rotineira para ativistas que acompanham a trajetória da empresa e cobram mais responsabilidade em suas vendas.

Segundo eles, a Heckler & Koch não é uma mera fabricante que se mostra incapaz de rastrear o destino de seus produtos e que não pode controlar como eles vão ser usados. Em alguns casos, membros da empresa sabiam muito bem que suas vendas poderiam alimentar o crime ou conflitos.

No momento, seis ex-funcionários da empresa – incluindo dois ex-executivos – estão no banco dos réus de um tribunal de Stuttgart. A acusação: vender ilegalmente fuzis de assalto para autoridades de alguns estados do México, violando decreto do governo alemão que proibia esse tipo de transação. O julgamento começou nesta terça-feira (15/5) e deve terminar em outubro.

O caso envolve a venda de 4.700 fuzis HK G36 por cerca de 4 milhões de euros. Eles não poderiam ser vendidos em certas regiões do México onde foram registradas violações de direitos humanos por forças de segurança. As transações ocorreram entre 2006 e 2009 e foram reveladas em 2015. Segundo a acusação, a empresa chegou até mesmo a treinar policiais locais mesmo com embargo em vigor.

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