Aloysio Nunes, um macho-man no Itamaraty

Luis Nassif em 17/5/2018

Poucas vezes na história do Brasil viu-se chanceler mais sem noção do que Aloysio Nunes. Nada surpreendente para um governo que tem Elsinho Mouco como marqueteiro, Eliseu Padilha como chefe da Casa Civil e Moreira Franco como o estrategista dos macronegócios.

Mesmo nesse time de campeões, Aloysio tem merecido justo destaque.

Para rebater manifesto de algumas das maiores lideranças mundiais, em favor de Lula, recorreu ao mesmo estilo que emprega em bate-bocas com manifestantes em aeroportos ou em guerrilhas de Twitter: o do macho latino-americano, que não leva desaforo para casa.

Ele, Roberto Freire e Marcelo Itagiba são a prova viva da deformação retórica de qualquer um que se abrigue ou se abrigou sob o guarda-chuva de José Serra. Na modelagem delicada e sutil da política, trocam o cinzel pelo martelo. Sua única função é a de guerrear, e Nunes sempre guerreou com a agressividade de um pitbull sem noção e respeito pelos cargos que ocupou e ocupa.

Como tem o atrevimento de questionar o direito de seis personalidades internacionais de manifestar sua opinião pessoal em favor de Lula? François Hollande, ex-presidente da França, José Luis Rodrigues Zapatero, ex-presidente espanhol, Massimo D’Alema, Enrico Letta e Romano Prodi, ex-presidentes do Conselho de Ministros da Itália, e Elio Di Rupo, ex-primeiro-ministro da Bélgica, não estão mais no exercício de mandato. Falam em seu nome pessoal. E, como tal, denunciaram a farsa do julgamento e prisão de Lula. Aloysio solta uma nota oficial do Itamaraty, grosseira, invocando o “legítimo processo legal”, querendo justificar o aparato jurídico do fascismo para líderes de países que sofreram o fascismo na veia.

Aloysio não se dá conta de que ele não é um chanceler qualquer. É Ministro do governo Temer, o mais corrupto da história, e é padrinho político de Paulo Preto, o Paulo Roberto Costa do PSDB. Está sendo salvo de denúncias pelo trabalho pertinaz do Ministro Gilmar Mendes, no Supremo Tribunal Federal.

Não se exija dele a postura de um diplomata que ele nunca foi. Mas ao menos o pudor de se resguardar em um momento em que Gilmar Mendes se sacrifica estoicamente para não deixar nenhum companheiro ferido no campo de batalha.

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