Documento secreto dos EUA revela “golpe de mestre” já em curso contra Venezuela

Premiada jornalista argentina revela um documento secreto dos EUA sobre um plano envolvendo Brasil, Argentina e outros países da América do Sul para derrubar Maduro antes das próximas eleições com ações que envolvem, inclusive, o uso da força militar.

Stella Calloni, via Diálogos do Sul em 15/5/2018

Os Estados Unidos e seus sócios preparam, em silêncio, um brutal plano para “acabar com a ‘ditadura’ da Venezuela: o golpe de mestre”, que já está em marcha e cuja primeira parte começaria antes das próximas eleições venezuelanas, que serão realizadas no próximo domingo, dia 20/5, e, se não tiverem êxito em derrocar o presidente Nicolas Maduro com a nova ofensiva, na qual utilizarão todo o aparato propagandístico e midiático, além de ações violentas em “defesa da democracia”, acionarão o Plano B, que abarcará vários países impondo uma “força multilateral” para intervir militarmente.

Panamá, Colômbia, Brasil e Guiana são pontos-chaves do movimento militar, com o apoio da Argentina e outros “amigos”, sob o controle do Pentágono. Já estão preparadas as bases que serão ocupadas, os países de apoio direto (fronteiriços) até hospitais e centros de reserva de víveres para seus soldados.

O documento analisa a situação atual ratificando a Guerra contra Insurgente que se dá contra a Venezuela, mas também o perverso esquema da guerra psicológica que permite estender a perseguição, o assédio, o desprestígio, a mentira criminosa e que é utilizado para liquidar, não apenas com os movimentos populares, mas contra os povos da região.

Isto faz parte de um documento real, que tem a assinatura do almirante USN K W TIDD, ou seja, Kurt Walter Tidd, almirante da Armada dos Estados Unidos, atual comandante do Comando Sul, e que ainda não foi divulgado.

Ao se referir à situação atual da Venezuela, o informe menciona que cambaleia a “ditadura venezuelana chavista como resultado de seus problemas internos, da grande escassez de alimentos, do esgotamento da entrada de fontes de dinheiro externo e de uma corrupção desenfreada, que diminuiu o apoio internacional, ganho com petrodólares e que o poder aquisitivo da moeda nacional está em constante picada”.

Supõem que este cenário, que admitem que eles mesmos criaram com uma impunidade que espanta, não mudará. Nesse caso, justificam suas ações advertindo que o governo venezuelano acudirá a novas medidas “populistas” para preservar o governo.

Assombra o lugar em que colocam a oposição que eles manipulam, assessoram e pagam ao entender que “o corrupto regime de Maduro colapsará, mas lamentavelmente as forças opositoras defensoras da democracia e do bem-estar de seu povo, não têm poder suficiente para pôr fim ao pesadelo da Venezuela” por causa das disputas internas e inclusive “pela corrupção similar à de seus rivais, assim como à escassez de raízes” (ou seja de patriotismo) que não lhes permite tirar “o máximo proveito desta situação e dar o passo necessário para sobrevoar o estado de penúria e a precaridade na qual o grupo de pressão que exerce a ditadura de esquerda submergiu o país”.

O que resulta aterrador é que, enquanto consideram que se está diante de “uma ação criminosa sem precedente na América Latina”, referindo-se ao governo da Venezuela, que nunca agiu contra nenhum de seus vizinhos e que tem sido de uma intensa solidariedade regional e mundial, o Plano sustenta que a “democracia se estende na América, continente em que o populismo radical estava destinado a tomar o controle. Argentina, Equador e Brasil são exemplos disso. Este renascimento da democracia (chamam assim) está amparado nas determinações mais valiosas e as condições da região correm ao seu favor. Este é o momento dos EUA provarem com ações concretas que estão implicados nesse processo no qual derrotar a ditadura venezuelana seguramente representará um ponto de inflexão continental”.

Por outro lado, estimulam o presidente estadunidense Donald Trump a agir considerando que “esta é a primeira oportunidade da administração Trump para demonstrar e levar adiante sua visão sobre democracia e segurança”, e querem convencê-lo de que “sua participação ativa é crucial, não só para a administração, mas para o continente e o mundo. O momento chegou”.

Isto significa “intensificar a derrocada definitiva do chavismo e a expulsão de seu representante, socavar o apoio popular” ao governo e “estimular a insatisfação popular”, aumentando o processo de desestabilização e o desabastecimento para “assegurar o deterioro irreversível de seu atual ditador”.

Se alguém quiser avançar na arte da perversão contra insurgente basta ler este parágrafo: “Sitiá-lo [a Maduro], ridicularizá-lo e mostrá-lo como um símbolo de torpeza e incompetência, expô-lo como uma marionete de Cuba”, mas, ao mesmo tempo, sugerem “exacerbar a divisão entre os membros do grupo de governo, revelando as diferenças de suas condições de vida e a de seus seguidores e, ao mesmo tempo, incitando-os a manter em aumento essas divergências”.

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Stella Calloni é jornalista argentina e colaboradora de Diálogos do Sul. Escreve sobre temas políticos da América Latina. Ajudou a desvendar as entranhas da Operação Condor no continente.

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