Deputado aecista que está na Lista de Furnas quer afastar delegado que investiga Lista de Furnas

João Leite, que está na Lista de Furnas, quer afastar delegado que investiga Lista de Furnas.

Joaquim de Carvalho, via DCM em 16/5/2018

Uma nota publicada hoje em O Estado de Minas mostra que o grupo de Aécio Neves continua com seus tentáculos nos órgãos de imprensa. Detona Nílton Monteiro, o antigo operador de esquemas políticos no Estado, e William dos Santos, advogado que preside a Comissão de Direitos Humanos da OAB no Estado e denunciou, na semana passada, que o delegado Rodrigo Bossi de Pinho tem recebido ameaça de morte. Rodrigo, chefe do Departamento de Investigação sobre Fraudes, está à frente do inquérito que apura um megaesquema que abafou as denúncias de corrupção nos governos de Aécio Neves e Antônio Anastasia. A nota, publicada na coluna de Baptista Chagas de Almeida, registra:

“Ele foi demitido, mas recebia da Assembleia Legislativa (ALMG) R$7.377,53 quando estava lotado na liderança do Governo. Trata-se do advogado William dos Santos. Só para lembrar, ele foi o advogado de Nílton Antônio Monteiro, um antigo conhecido das delegacias de estelionato e autor da famosa e falsa Lista de Furnas. Talvez fosse necessário avisar aos deputados Durval Ângelo e Rogério Correia. Ele tinha ainda na gaveta o mesmo expediente, só que contra o PT. Afinal, o apelido dele na denúncia do Ministério Público fala por si. Era Niltinho 171”.

Há pelo menos uma mentira comprovada nesta nota: a Lista de Furnas é autêntica, conforme perícia realizada pela Polícia Federal. Alguns anos atrás, quando Aécio se apresentava como o estadista que consertaria o Brasil, esse mesmo tipo de nota era plantada na imprensa de Minas e também na imprensa nacional, como Veja e IstoÉ. Colou durante certo tempo, e criou um ambiente propício a que o dono de um site mineiro crítico a Aécio fosse preso, em 2014, mesmo sem condenação, e manteve a mão da justiça longe de criminosos que assaltavam os cofres públicos.

Eles voltaram, no momento em que o delegado Rodrigo Bossi avança na investigação sobre o esquema, que envolve delegados, promotores, juízes e até desembargadores. Ele já fechou o acordo de delação com Marcos Valério, operador dos mensalões mineiros e de Brasília (do PT e do PSDB). E também com Nílton Monteiro, que já tinha delatado os esquemas por trás da lista de Furnas e do mensalão mineiro.

Ao mesmo tempo, o deputado João Leite, candidato de Aécio Neves que perdeu as eleições para prefeitura em 2016, realizou uma audiência com peritos de Minas Gerais em que defendeu o afastamento do delegado Rodrigo Bossi de Pinho da investigação. Ele acusa o delegado de fazer o que a perícia da Polícia Federal indicou que se fazia na época de Aécio e Anastasia: forjar laudos.

João Leite não tem isenção mínima para fazer esse tipo de acusação ou cobrar o afastamento do delegado, já que ele aparece em quatro listas de doações clandestinas de recursos para suas campanhas eleitorais, incluindo a de Furnas, todas elas investigadas pelo delegado que ele quer longe da investigação.

Atender João Leite seria o mesmo que afastar os procuradores da investigação que registrou o primo de Aécio, a mando deste, buscar malas de dinheiro na JBS. Não dá.

Tanto a nota plantada no jornal quanto a ofensiva de João Leite se encaixam no método de operação do grupo que mandou no Estado e ainda demonstra focos de poder. Da outra vez, deu certo.

Agora, tem tudo para fracassar.

Com a derrubada da cortina de ferro que protegeu Aécio, a população de Minas e do Brasil já sabe onde estão os bandidos da política mineira, a quem servem e como agem. É farsa.

E quem está por trás dessa farsa? O beneficiário maior é Aécio, o mesmo que, em grampo da Polícia Federal, apareceu ordenando a um deputado federal do PT (os tentáculos de Aécio em Minas são pluripartidários), Gabriel Guimarães, que se movimentasse para fazer o governador Fernando Pimentel, também do PT, calar Rogério Correia, o parlamentar do PT que faz uma fiscalização implacável de Aécio desde o tempo em que a bancada petista era minúscula na Assembleia.

Logo depois, Aécio se desgraçou de vez. Rogério continuou na ofensiva. E Aécio sobrevive, não tão forte, mas com um poder maior do que se poderia imaginar para quem foi flagrado traficando influência e malas de dinheiro sujo, com alguns deputados e delegados firmes a seu lado.

A nota plantada em O Estado de Minas.

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