Operação Efeito Dominó: Doleiro preso já havia delatado Aécio Neves, mas foi solto

DOLEIRO PRESO HOJE FOI SOLTO EM 2014 POR UM JUIZ DEPOIS DE DELATAR AÉCIO. ADIVINHA O NOME DO JUIZ?
Rogério Correira em 15/5/2018

O doleiro Carlos Alexandre Rocha, conhecido como Ceará, foi preso hoje na Paraíba. Segundo a PF, teria retornado “às suas atividades ilegais”.

Em 2014, o mesmo Ceará havia sido capturado pela PF no âmbito da Operação Lava-Jato. Ele então começou a delatar. O alvo predileto era Aécio Neves – Ceará foi quem disse que Aécio era “o mais chato” para cobrar propina.

Estranhamente, porém, depois que passou a acusar Aécio, o doleiro foi solto pelo juiz responsável. Até hoje muita gente não entende por que isso ocorreu.

Ganha um picolé de limão quem souber o nome desse juiz. Dica: começa com Sergio e termina com Moro.

Agentes da PF cumprem mandado de busca e apreensão da Operação Efeito Dominó.

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PF VÊ “INDÍCIOS MUITO CLAROS” DE QUE DINHEIRO DO NARCOTRÁFICO FOI PARA POLÍTICOS CORRUPTOS
Leandro Prazeres, via UOL em 15/5/2018

O delegado da Polícia Federal responsável pela Operação Efeito Dominó, Roberto Biasoli, disse na terça-feira, dia 15/5, que há indícios de que dinheiro oriundo do narcotráfico tenha sido entregue a políticos e agentes públicos corruptos investigados pela Operação Lava-Jato. “Há indícios de um vínculo muito claro do dinheiro do narcotráfico, em espécie, indo parar nas mãos de políticos”, afirmou Biasoli.

A Operação Efeito Dominó foi deflagrada na terça-feira, dia 15/5, e prendeu oito pessoas, entre elas dois doleiros que atuavam para o narcotraficante Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, conhecido também como o “embaixador do tráfico”. Ele é apontado pela PF como o maior traficante de drogas do Brasil e um dos maiores do mundo.

O vínculo entre o narcotráfico e as investigações da Operação Lava-Jato é o doleiro Carlos Alexandre Souza Rocha, o Ceará. Em 2015, ele firmou um acordo de colaboração premiada com a PGR (Procuradoria-Geral da República) que foi homologado pelo STF (Supremo Tribunal Federal).

No acordo, Ceará afirma que trabalhava para o doleiro Alberto Youssef como entregador de valores e mencionou repasses de dinheiro em espécie direcionados a diversos políticos como os senadores Fernando Collor de Melo (PTC/AL), Renan Calheiros (MDB/AL) e Aécio Neves (PSDB/MG). Os repasses teriam sido ordenados por empreiteiras investigadas pela Operação Lava-Jato.

Biasoli diz que há indícios de que Ceará trabalhava como doleiro tanto para o narcotráfico quanto para o esquema investigado pela Operação Lava-Jato. A suspeita é que dinheiro recebido por Ceará oriundo do tráfico de drogas era depois repassado a políticos e agentes públicos.

De acordo com o delegado, há indícios de que Ceará prestou serviços financeiros ilegais a Cabeça Branca em 2016, período posterior à homologação do seu acordo de colaboração premiada.

Biasoli afirma que, durante seus depoimentos à Operação Lava-Jato, Ceará havia dito que ele seria atrativo a Youssef por ter acesso a dinheiro em espécie oriundo da venda de relógios e vinhos. O delegado diz acreditar que, na realidade, a liquidez à qual Ceará tinha acesso era resultado da sua atuação junto ao tráfico de drogas.

“Sistema de compensação”
Igor Romário de Paula, delegado regional de Combate ao Crime Organizado da PF no Paraná, afirma que os doleiros atuam como se fossem uma espécie de câmara de compensação bancária e que o dinheiro oriundo de uma atividade criminosa pode ser repassado a outro cliente que atue em outro ramo do crime.

O delegado disse que, na maioria das vezes, os “clientes” dos doleiros não sabem a origem do dinheiro que estão recebendo. Não há indícios, segundo a PF, de que as empreiteiras ou os políticos investigados pela Operação Lava-Jato soubesse que o dinheiro operacionalizado pelos doleiros tinha origem no narcotráfico.

Em geral, doleiros usam dinheiro em espécie para realizar transações financeiras ilegais sem que as autoridades tenham conhecimento. Nesse meio, segundo a polícia, ter acesso a esses recursos com facilidade (liquidez) é extremamente valorizado.

“Ele [Ceará] atende a diversos tipos de clientes, mas não há, necessariamente, uma vinculação entre eles. A atuação do que a gente chama de doleiro é um sistema de compensação”, afirmou o delegado.

Biasoli disse que a prisão de Ceará será comunicada ao juiz da 13ª Vara Federal da Justiça Federal do Paraná, Sérgio Moro, responsável pelos processos da Lava-Jato na primeira instância, à PGR e ao STF.

Por ter, segundo a PF, continuado a atuar como doleiro, Ceará corre o risco de perder os benefícios que conseguiu ao firmar o acordo de delação premiada.

O traficante Luiz Carlos da Rocha, o “Cabeça Branca”, que mudou de rosto para fugir.

Quem é Cabeça Branca
Luiz Carlos da Rocha, o Cabeça Branca, é apontado pela PF como o maior traficante de drogas do Brasil e um dos maiores do mundo. Ele foi preso pela Polícia Federal em julho de 2017 durante a primeira fase da Operação Spectrum.

Planilhas encontradas durante esta fase indicam que entre 2014 e 2017 ele tenha comercializado 27 toneladas de cocaína e movimentado pelo menos US$138 milhões. Em depoimentos à PF, ele admitiu seu envolvimento com o tráfico internacional de drogas.

Cabeça Branca está preso na penitenciária federal de Mossoró, no Rio Grande do Norte.

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