Operação Prato Feito mostra esquema dos governos tucanos no escândalo da merenda

Via Jornal GGN em 9/5/2018

A operação Prato Feito levantou indícios de que campanhas de políticos de oposição ao PT em São Bernardo do Campo (SP) podem ter sido financiadas por esquema envolvendo contratos da merenda escolar.

São Bernardo do Campo está entre as cidades do ABC Paulista que, até a eleição de 2016, eram consideradas parte do chamado “cinturão vermelho” dominado pelo PT, mas cuja administração foi parar nas mãos dos tucanos a partir da vitória de Orlando Morando.

Como a origem dos recursos de contratos para a merenda são programas de educação assinados com o governo federal, o esquema investigado pela PF se estendeu não apenas por São Paulo, mas também pelo Paraná, Bahia e Distrito Federal.

No capítulo que trata especificamente da Prefeitura de São Bernardo do Campo, chama atenção o cuidado com que a PF aventou a possibilidade que a campanha de Orlando Morando tenha sido beneficiada por dinheiro sujo.

No documento enviado à Justiça, a delegada Melissa Maximino Pastor escreveu: “Apesar dos indícios de que a vantagem ilícita foi ofertada em benefício do atual Prefeito Orlando Morando, não temos elementos de seu recebimento […]”

A PF suspeita que o tucano tenha sido beneficiado porque as empresas envolvidas no esquema em São Bernardo também atuaram em outros municípios e tinham como “modus operandi” apostar em candidatos ao Executivo durante as eleições, ou seja, faziam doações eleitorais e, depois, fraudavam os contratos da merenda para compensar os gastos com os políticos.

Em São Bernardo, há indícios de que o ex-vereador Admir Ferro, do PSDB local, tenha servido como porta de entrada para as empresas durante mais de uma década. Ele ocupou o cargo de secretário de Educação e é citado em grampos feitos pela PF como parte do esquema dentro da Prefeitura.

O relatório da PF também implica outro homem forte do governo Morando, Carlos Roberto Maciel, atual Secretário de Coordenadoria de Assuntos Governamentais. Na época em que contratos teriam sido fraudados, Carlos Maciel era Secretário de Assuntos Jurídicos da Prefeitura. Ele também é sogro de Fábio Favaretto, um dos empresários envolvidos no esquema.

Segundo a PF, “há diversos áudios” cujos “diálogos demonstram de forma clara que Fábio Favaretto estabeleceu uma ‘parceria’ com o candidato que se tornou Prefeito com vistas a manter contratos com esta Prefeitura.”

“Em 2017, o contrato nº 40/2015 mantido com a Le Garçon é prorrogado no valor aproximado de R$6 milhões. Tendo em vista o modus operandi das associações criminosas bem como pelo fato de que o sogro e parceiro de Fábio nas práticas criminosas – Carlos Roberto Maciel – ocupar o cargo de Secretário Municipal de Coordenadoria de Assuntos Governamentais do governo de Orlando Morando, é possível que tal contrato esteja sendo fraudado na sua execução para compensar os custos com as propinas concedidas durante a campanha eleitoral. Os desvios de recursos desse contrato beneficiaram ao empresário Fábio e a Carlos Roberto Maciel, que na época ocupava cargo público nesta Prefeitura, razão pela qual vislumbramos indícios de corrupção ativa”, apontam os investigadores.

Os grampos ainda indicam que Favaretto não financiava apenas o candidato com mais chances de chegar à Prefeitura, mas também seus eventuais concorrentes.

A PF pediu à Justiça autorização para fazer buscas e apreensões, além de executar prisões temporárias em vários estados. Mais de 60 pedidos foram negados, segundo informações do Estadão.

Mas contra os agentes políticos do PSDB de São Bernardo, a PF resolveu não avançar com nenhum pedido “em razão da necessidade de aprofundamento das investigações acerca da participação de Admir Donizete Ferro e do atual Prefeito Orlando Morando.

Ainda segundo a PF, “os elementos probatórios envolvendo os agentes públicos da Prefeitura de São Bernardo do Campo são incipientes e necessitam de aprofundamento. Entretanto, verifica-se que já se encontram delineadas algumas fases descritas no modus operandi das associações criminosas em comento visto que já temos indícios de corrupção ativa e fraude a licitações e à execução dos contratos.”

Leia, abaixo, a nota da PF sobre a operação:

A Polícia Federal deflagrou nesta quarta-feira (9/5), em parceria com a Controladoria Geral da União, a Operação Prato Feito, para desarticular cinco grupos criminosos suspeitos de desviar recursos da União destinados à educação em municípios dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal.
Estão sendo cumpridos 154 mandados de busca e apreensão, além de afastamentos preventivos de agentes públicos e decisões de suspensão de contratação com o poder público referentes a 29 empresas e seus sócios. Todas as medidas foram expedidas pela 1ª Vara Criminal Federal de São Paulo e pelo Tribunal Regional Federal da 3ª Região.
O inquérito policial foi instaurado em 2015, a partir de informação apresentada pelo Tribunal de Contas da União relatando possíveis fraudes em licitações de fornecimento de merenda escolar em diversos municípios paulistas.
As investigações apuraram que os grupos criminosos agiriam em 30 municípios, contatando prefeituras por meio de lobistas, para direcionar licitações de fornecimento de recursos federais para a educação destinados ao fornecimento de merenda escolar, uniformes, material didático e outros serviços.
Há indícios do envolvimento de 85 pessoas, sendo: 13 prefeitos, 4 ex-prefeitos, 1 vereador, 27 agentes públicos não eleitos e outras 40 pessoas da iniciativa privada. A Controladoria Geral da União identificou, ao longo das investigações, 65 contratos suspeitos, cujos valores totais ultrapassam R$1,6 bi.
Os investigados responderão, na medida de suas participações, pelos crimes de fraude a licitações, associação criminosa, corrupção ativa e corrupção passiva, com penas que variam de 1 a 12 anos de prisão.

***

“CORTA A CARNE, FORNECE OVOS PARA AS CRIANÇAS”, DISSE EMPRESÁRIO EM GRAMPO DE INVESTIGAÇÃO SOBRE FRAUDE NA MERENDA
PF cumpriu 154 mandados de busca em operação que investiga prefeitos e ex-prefeitos por fraudes em licitações de alimento, uniforme e material escolar.
Via G1 em 8/4/2018

Investigação da Polícia Federal que durou três anos sobre fraude nas licitações do fornecimento de merenda escolar, uniforme, material e até limpeza de escolas públicas municipais no Estado de São Paulo flagrou em um grampo um empresário que buscava reduzir gastos para roubar dinheiro público dizendo a frase “corta a carne, fornece ovos todos os dias para estas crianças”, afirmou a delegada da PF Melissa Maximino Pastor.

Segundo a delegada, leite também era diluído para dar de alimentação aos alunos.

“O interessante desta investigação, o que é chocante, foram os registros na inexecução contratual da merenda escolar. Nós tivemos registro, ao longo destes anos, do fornecimento de lanche para uma criança de uma bolacha maisena com leite diluído, suco substituindo o leite. Áudio de empresários que falavam “corta a carne, fornece ovos todos os dias para estas crianças”, afirmou a delegada.

A Polícia Federal fez na quarta-feira, dia 9/5, uma operação, em parceria com a Controladoria Geral da União (CGU), para desarticular cinco grupos criminosos suspeitos de desviar recursos da União em relação à merenda escolar e outros itens escolares.

O dinheiro era destinado à merenda em municípios dos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. Há indícios de envolvimento de 13 prefeitos e 4 ex-prefeitos na operação nomeada como Prato Feito.

As investigações apontam que empresas pioneiras de um esquema conhecido como “máfia na merenda”, entre os anos de 1999 e 2000, estão por trás das fraudes descobertas na operação Prato Feito, diz a Polícia Federal.

Principais pontos da operação
– 65 contratos suspeitos na área da educação somam R$1,6 bilhão
– 5 núcleos empresariais são investigados
– Entre os alvos, há empresários ligados a grupo investigado pela “Máfia da Merenda”
– PF diz que cartel direcionava licitações e superfaturava contratos
– 154 mandados de busca e apreensão são cumpridos
– Prefeitos investigados são das seguintes cidades paulistas: Barueri, Embu das Artes, Mauá, Caconde, Cosmópolis, Holambra, Hortolândia, Laranjal Paulista, Mogi Guaçu, Mongaguá, Paulínia, Pirassununga e Registro.
– Ex-prefeitos investigados são de: Águas de Lindoia, Pirassununga, Mauá e Mairinque.
– Justiça pediu afastamentos preventivos de agentes públicos

[…]

***

Prefeito de Embu Ney Santos.

PREFEITO ALVO DE OPERAÇÃO DA PF ERA FIGURA CARIMBADA EM PROTESTOS POR PRISÃO DE LULA
Via DCM em 8/5/2018

A Polícia Federal deflagrou uma operação na manhã de quarta-feira, dia 9/5, contra fraudes e desvio de dinheiro público em licitações.

O principal alvo é o prefeito de Embu das Artes, em SP, Ney Santos (PRB). Agentes da PF cumpriram um mandato de busca e apreensão em sua casa em Barueri.

Pelo menos 19 prefeituras estão sendo investigadas pela PF em licitações de merenda. A Polícia Federal chegou a pedir a prisão de diversos acusados, mas o Tribunal Regional Federal da 3ª Região não autorizou.

Ney Santos é acusado pelo Ministério Público de envolvimento com lavagem de dinheiro em postos de gasolina. Além disso, o MP aponta uma ligação com o PCC e o tráfico de drogas em Osasco, Embu das Artes, Taboão da Serra, Carapicuíba, Cajamar e São Paulo.

Preso por roubo de malotes em Marília em 2003, saiu da prisão em 2006 e, nos últimos anos, acumulou, segundo as investigações, um patrimônio de mais de R$50 milhões.

Em 2010, teve o apoio de Alckmin para deputado estadual. Com o uniforme da CBF, saiu fantasiado de manifestoche em 2016 nas manifestações do MBL.

Recentemente, exonerou de Renato Oliveira, ex-coordenador do MBL, da secretaria de comunicação, por ter cometido um atentado contra a vida de um jornalista na cidade.

***

LIGUE OS PONTOS
• A máfia da merenda está em São Paulo há mais de 20 anos;
• Os tucanos governam São Paulo há mais de 20 anos;
• O tucano Fernando Capez, presidente da Alesp, é investigado no escândalo da merenda;
• Ney Santos, prefeito de Embu e ligado ao PCC, é afilhado político de Alckmin.

Deu pra entender ou quer que desenhe?

Leia também:
Desembargador vê “inúmeros indícios” de elo do tucano Fernando Capez na máfia da merenda
Contratada por Dória, empresa que proíbe repetição de merenda é investigada pela PF
Alckmin, o Santo da Odebrecht, vai processar quem o chamou de ladrão da merenda
Blindagem: Relator da CPI vai livrar Capez de cassação no caso da “máfia da merenda”
Máfia da Merenda: Delator pagou propina dentro da Alesp
No grampo, alvo da Máfia da Merenda diz que Russomanno é “novo parceiro”
CPI da Merenda: 8 dos 9 denunciados são da base de Alckmin
Gestão Alckmin: Estudantes mantêm ocupação da Assembleia paulista para exigir CPI da merenda
Alckmin nomeia investigado na Máfia da Merenda para cargo público
Sob proteção da mídia, máfia da merenda paulista segue impune
Acusado de obstruir investigação da máfia da merenda, chefe de gabinete de Capez é promovido

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

w

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: