Palmério Dória: E assim se passou um ano

10 de maio de 2017: Lula em Curitiba, antes de depor ao juiz de 1ª instância.

Palmério Dória em 9/5/2018

Um ex-presidente setentão, líder em todas as pesquisas para a eleição de 2018, encara um guarda de esquina travestido de juiz durante cinco horas na sede da Justiça Federal, em Curitiba, no dia 10 de maio de 2017.

Dá-lhe vários dribles da vaca.

Tudo o que aconteceu ao setentão dali pra frente foi decidido pelo guarda de esquina naquelas cinco horas. A Ditadura do Judiciário que se instalou no país permitiu que o guarda de esquina se investisse do papel de Cronos, o deus grego que controla o tempo e rege a Operação Lava-Jato.

Cronos é um deus louco, que devora inclusive seus filhos. É o deus do tempo e do caos. Nada constrói. Destrói vidas, nações, empresas, esperanças. Age em total sincronia, bem no compasso da deusa Globos, com propósitos semelhantes.

E afinal alcançaram seu intento: lançaram o setentão numa masmorra dia 7 de abril deste ano, isolado. Lamentam que não seja numa cela escura, sem qualquer tipo de luz, como aquela em que Luís Carlos Prestes ficou durante 10 anos. Mas o objetivo é o mesmo: matá-lo.

Heráclito Sobral Pinto foi defensor do líder comunista e de Harry Berger durante o Estado Novo. No caso de Berger, exigiu a aplicação do artigo 14 da Lei de Proteção aos Animais numa petição em favor de tratamento humanitário para prisioneiros.

Cronos e Globos também lamentam a presença de impertinentes advogados entre eles e o setentão. Preferem manter o padrão de irregularidade medieval tocado por uma devota deles lá em Curitiba. Nada de médico, de visitas, de família, de apoio religioso.

Não é nada, não é nada, levam-lhe tudo.

“Solidão mata mais que infecção.”

O médico David Braga Junior, clínico geral de largo conhecimento, mal contém a indignação no saguão de um hospital paulistano que cuida de idosos.

Enumera todas as perdas a que o setentão vem sendo submetido: econômicas, familiar, liberdade, isolamento, internação, hospitalar – prisão sem direitos a acompanhantes. E os estados a que isso leva: perda da capacidade funcional, perda da capacidade cognitiva, depressão, morte.

Urge, portanto, invocar o Estatuto do Idoso, aprovado pelo Congresso em setembro de 2003 e sancionado pelo presidente Lula no mês seguinte, ampliando os direitos dos cidadãos acima de 60 anos, que prevê e protege o idoso de todas essas infâmias.

Urge, portanto, engrossar o movimento nacional e internacional pela libertação de Lula, encarcerado sem uma mísera prova.

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