Provas contra Yunes, Padilha e Moreira são anexadas no inquérito contra Temer

Via Jornal GGN em 8/5/2018

O amigo e ex-assessor de Michel Temer, José Yunes, recebeu R$1 milhão da Odebrecht em duas parcelas de R$500 mil. É o que diz o laudo produzido pela Polícia Federal de Curitiba, indicando, ainda, que os repasses a Yunes e aos ministros e da cúpula de Temer, Eliseu Padilha e Moreira Franco, foram todos registrados no sistema de propina da empreiteira.

Padilha e Moreira Franco são investigados ao lado do presidente Michel Temer por corrupção e lavagem de dinheiro em inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), na mesma apuração que remete à reunião que Temer participou com seus aliados no Palácio do Jaburu, negociando R$10 milhões em doações ilícitas da Odebrecht. O laudo produzido pelos investigadores foi concluído em abril deste ano e foi anexado aos autos da investigação, mas foi mantido em segredo de Justiça.

Jornais como a Folha de S.Paulo e o Estadão obtiveram o arquivo, e revelam mais indícios contra a cúpula do MDB e contra Michel Temer, corroborando a suspeita de repasses de propinas denunciados por executivos da Odebrecht a campanhas do partido, em troca de favorecimento à empreiteira em contratos com órgãos públicos sob influência do partido, como a Secretaria de Aviação Civil, comandada por Padilha e Moreira entre 2013 e 2015.

Entre os documentos trazidos pelos peritos estão planilhas, e-mails, correspondências e documentos que supostamente pertencem aos sistemas Drousys e My Web Day, que supostamente foram usados pelo departamento de operações estruturadas, chamado de departamento da propina da Odebrecht.

Neles, há menções aos codinomes “Primo”, “Tabule”, “Angorá” e “Kibe”. Moreira e Padilha teriam sido chamados pelo codinome de “Angorá”, e o apelido aparece ao lado de um repasse de R$1,5 milhão da Odebrecht Transport, na data de 15 de agosto de 2014.

Outra menção é denominada “Aeroportos/Angorá/R$3.000.000/Praça: São Paulo”, em um e-mail de Paulo Quaresmo, diretor da Odebrecht Transport, a um funcionário do departamento de operações estruturadas, Ubiraci Santos, mostrando a relação de Moreira Franco com suposto recebimento de propinas em contratos relacionados a aeroportos.

Em delação premiada, o executivo Benedicto Júnior afirmou que as despesas relacionadas a Moreira eram relacionadas à Odebrecht Transport porque tinha “o Aeroporto do Galeão como ativo” e porque o hoje ministro de Temer era uma pessoa muito próxima do núcleo duro do governo federal, sendo um dos mais fortes representantes do PMDB ligado a Michel Temer”. E que os repasses “seria uma contrapartida por todo o empenho do ministro Moreira Franco nos temas relacionados a concessão do Aeroporto do Galeão”.

Em outro documento que o codinome Angorá aparece foi relacionado pelos investigadores ao advogado José Yunes, ex-assessor e amigo próximo do mandatário. Trata-se de uma planilha anexa a um e-mail do dia 1º de setembro de 2014, que informa o envio de R$1 milhão a Angorá, com a informação: “Entregar na rua Capitão Francisco, 90 – Jd. Europa. Procurar Sr. José Yunes ou Sra. Cida”.

O PM Abel Queiroz, da transportadora de valores que fez a entrega, narrou que realizou duas entregas, pelo menos, do endereço mencionado do correio eletrônico, que é aonde fica o escritório de advocacia de Yunes.

Já Eliseu Padilha, hoje chefe da Casa Civil, teria recebido repasses pelos codinomes de Angorá e Primo. No dia 17 de março, um e-mail registra a entrega de R$1 milhão ao endereço relacionado a “Aeroportos” e o apelido, para o endereço aonde está o escritório de advocacia de Padilha em Porto Alegre, no Rio Grande do Sul.

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PRISÃO APÓS FIM DO MANDATO SERIA UMA INDIGNIDADE, DIZ MICHEL TEMER, O GOLPISTA
Via Folha on-line em 7/5/2018

O presidente Michel Temer afirmou que seria uma indignidade se ele fosse preso em 2019, logo depois de deixar o cargo. Em entrevista à rádio CBN, Temer disse não ter medo de ir para a cadeia após o fim do mandato.

“Não temo, não temo, não temo. Eu acho que seria uma indignidade. Eu lamento estarmos falando [sobre isso]”, disse.

A pergunta foi feita ao presidente com base em informações publicadas na segunda-feira, dia 7/5, pela colunista Mônica Bergamo, da Folha, que apontam que setores do Ministério Público já falam na aplicação de medidas cautelares a Temer após o exercício da Presidência.

“Eu prezo muito a instituição [Ministério Público], mas critico membros que agem politicamente”, afirmou.

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