Doleiros presos pela Lava-Jato já passaram pela Satiagraha, Banestado e outros escândalos

Dario Messer é o “doleiro dos doleiros”.

Via Jornal GGN em 3/5/2018

Os doleiros presos na fase da Lava-Jato do Rio deflagrada na quinta-feira, dia 3/4, já foram citados nas operações Satiagraha, Castelo de Areia, Banestado e caso Siemens. Mais de 40 mandados de prisão cumpridos pela Polícia Federal foram autorizados pelo juiz Marcelo Bretas.

Segundo as informações divulgadas na quinta-feira, dia 3/4, a operação surgiu a partir da delação premiada de Vinicius Claret, mais conhecido como Juca Bala, um doleiro utilizado pelo grupo do ex-governador Sérgio Cabral.

O Estadão acrescentou que Alberto Youssef já havia dito que o líder do grupo e principal alvo da operação, Dario Messer, é o “doleiro dos doleiros”.

Parceiros de Messer no mercado paralelo, os Matalon, cujo patriarca Marco Matalon é um dos “mais conhecidos doleiros de São Paulo”, foram alvos da operação. A família foi investigada na Satiagraha por suspeita de ser atuado para Naji Nahas. O caso foi anulado pelo Supremo Tribunal Federal.

Segundo a operação “Câmbio, Desligo”, a família Matalon movimentou US$100 milhões entre 2011 e 2017. É o aponta a delação de Juca Bala.

“Outro alvo da operação de pedido de prisão por parte do MPF é o doleiro Marco Antônio Cursini. Alvo do caso Banestado, Cursini assinou um acordo de colaboração premiada que deu origem à operação Castelo de Areia. A investigação, anulada pelo Superior Tribunal de Justiça, investigou a construtora Camargo Correia e foi a primeira a descobrir o cartel de empreiteiras depois alvo da Lava-Jato. De acordo com Juca Bala, o doleiro teria voltado a atuar no mercado de câmbio paralelo em 2010”, escreveu o Estadão.

O Estadão divulgou em 2013 uma matéria dizendo que Cursini foi condenado em 2009 “a uma pena de 3 anos e 3 meses de prisão por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e sonegação no caso Banestado. Foi beneficiado com redução de pena em delação premiada. Ele revelou clientes e pagou indenização significativa, R$4 milhões ao todo, por imposição da Justiça Federal no Paraná e em São Paulo.”

Entre os alvos de pedido de prisão da “Câmbio, Desligo” também está o doleiro Raul Srour, que foi preso na primeira fase da Lava-Jato, em março de 2014. “Srour também foi alvo do caso Banestado e recebeu dinheiro da conta secreta aberta por ex-diretores da Siemens em Luxemburgo”, apontou o jornal na quinta-feira, dia 3/4. Há suspeita de que a conta tenha servido para pagar agentes públicos.

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OPERAÇÃO DA PF BUSCA DOLEIRO QUE REPASSOU R$1 MILHÃO A MINISTRO DA CASA CIVIL, ELISEU QUADRILHA
Via Estadão em 3/5/2018

A Operação “Câmbio, Desligo”, deflagrada na manhã desta quinta-feira, dia 3/4, agiu contra Antônio Claudio Albernaz Cordeiro, conhecido como Tonico, em Porto Alegre. Ele já havia sido alvo da 23ª fase da Lava-Jato, a “Xepa”, mas foi liberado ao fim do período da prisão temporária.

Albernaz teria recebido R$1 milhão para o ministro da Casa Civil Eliseu Padilha, sob o codinome “Angorá”, segundo delação de Cláudio Melo Filho. No mesmo depoimento, ele cita que a Odebrecht teria efetuado o repasse de outra parte do valor acordado por meio da entrega no escritório do advogado José Yunes, amigo de Michel Temer.

“No caso em concreto o codinome utilizado pelo setor de operações estruturadas para definir Eliseu Padilha nesta operação financeira foi “Angorá”. A título de informação, que reforça a relação de representação entre Eliseu Padilha e Moreira Franco, este último tem o apelido de Gato Angorá”, diz o delator na página 53 do anexo sobre o pagamento dos R$4 milhões para Padilha.

O ministro Eliseu Padilha negou qualquer relacionamento. “Não fui candidato em 2014! Nunca tratei de arrecadação para deputados ou para quem quer que seja. A acusação é uma mentira! Tenho certeza que no final isto restará comprovado”, explicou Padilha na época.

A “Câmbio, Desligo” visa desarticular organização criminosa especializada na prática de crimes financeiros e evasão de divisas, responsável por complexa estrutura de lavagem de dinheiro transnacional, ocultação e ocultação de divisas. São cumpridas 43 ordens de prisão preventiva no Brasil e mais seis no exterior, além de quatro mandatos de prisão temporária e 51 mandados de busca e apreensão.

A delação dos doleiros Vinícius Vieira Barreto Claret, o Juca Bala, e Cláudio Fernando Barbosa, o Tony, resultou na operação. Ambos trabalhavam em esquema que envolvia o ex-governador do Rio de Janeiro Sérgio Cabral (MDB) e revelaram a existência de um sistema chamado Bank Drop, composto por 3 mil offshores em 52 países, e que movimentava US$1,6 bilhão. O principal alvo é Dario Messer, o “doleiro dos doleiros”.

É a maior ofensiva já desfechada no País contra o mundo dos doleiros. Os maiores operadores do câmbio negro estão sendo presos. Nomes históricos, alguns até então intocáveis, são alvo de mandado de prisão, como a família Matalon, Marco Antônio Cursini, os irmãos Rzezinski e Chaaya Moghrabi.

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LAVA-JATO PRENDE SUSPEITO DE SER “HOMEM DA MALA” DE GEDDEL VIEIRA LIMA
Letícia Casado, via Folha on-line em 3/5/2018

A nova fase da Operação Lava-Jato no Rio de Janeiro, deflagrada na quinta-feira, dia 3/4, prendeu em Brasília um doleiro apontado por Lúcio Funaro como a pessoa que fez entrega de dinheiro ao ex-ministro Geddel Vieira Lima (MDB), apurou a Folha.

Essa suposta entrega de dinheiro está sendo investigada em um dos inquéritos em que o presidente Michel Temer é alvo no STF (Supremo Tribunal Federal).

Em outubro de 2017, o operador financeiro Lúcio Funaro disse à Procuradoria Geral da República ter direcionado R$1 milhão a Geddel, dinheiro que teria recebido do advogado José Yunes, ex-assessor especial de Temer.

Segundo Funaro, o dinheiro foi enviado por meio de um doleiro sediado no Uruguai que prestava serviço para ele, chamado Tony. Esse doleiro teria feito o trabalho de “logística” –receber o dinheiro em São Paulo e entregá-lo em Salvador: “Ele [um funcionário do doleiro Tony, de nome “Júnior”] entregou no comitê do PMDB da Bahia para o próprio Geddel”, disse Funaro.

Funaro disse também que não tinha a exata identificação de Júnior – o doleiro preso nesta quinta –, “pois tal pessoa era mencionada apenas dessa forma”.

Funaro entregou às autoridades anotações que, segundo ele, comprovam a entrega de R$1,2 milhão em Salvador no dia 3 de outubro de 2014, às vésperas das eleições daquele ano.

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