José Dirceu: “Como vou deixar o país se o Lula está preso?”

“NÃO SE ABANDONA UM COMPANHEIRO ASSIM”, DIZ DIRCEU, REITERANDO APOIO A LULA
Ex-ministro diz que muitas vezes é aconselhado a buscar asilo em outro país, mas afirma que “não pode nem quer pensar nisso” com Lula preso. “Há erros que se pode cometer, outros não”.

Via RBA em 30/4/2018

O ex-ministro José Dirceu questionou, em entrevista concedida ao portal Congresso em Foco, veiculada na segunda-feira, dia 30/4, os que lhe perguntam por que não sai do Brasil e procura asilo em algum país, diante da proximidade de ser decretada nova prisão contra ele, no processo na Lava-Jato – cuja seletividade das condenações passou a ser vista como politizada e contrária às forças de esquerda. “Como é que eu vou deixar o país se o Lula está preso? Não se abandona um companheiro assim”, afirmou.

Segundo reportagem de Fábio Gois e Basilia Rodrigues, Dirceu disse: “Há erros que você pode cometer. Outros, não”, negando qualquer possibilidade que represente abandonar o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Dirceu contou que está aproveitando os dias que lhe restam até o provável retorno ao cárcere no convívio com a família e amigos e buscando “trabalhar intensamente”. Segundo ele, não vê sentido em sair do país porque “Lula, o Partido dos Trabalhadores e a luta se tornaram sua vida”. “A vida não é assim. Com Lula preso, não há chances de deixar o Brasil”, destacou.

Aos 72 anos, José Dirceu foi condenado na Ação Penal 470, referente ao mensalão, em 2012. No processo não foi comprovada prova material contra ele, mas o Supremo Tribunal Federal (STF) mudou o entendimento jurídico até então existente para adotar a tese do “domínio do fato”, do jurista alemão Klaus Roxin, entendendo que, por terem sido observadas ações relacionadas à pasta que ele ocupou no governo Lula, deveria ser condenado. Menos de um ano depois, em passagem pelo Brasil, Roxin declarou que sua doutrina foi usada de forma diferente.

O ex-ministro cumpriu a pena até outubro de 2016, mas permaneceu preso em função da Lava-Jato. Ele foi solto em maio passado, em função de um habeas corpus concedido pelo STF.

Recentemente, foi julgado o último dos recursos ao qual o ex-ministro tinha direito a apresentar, no Tribunal Regional Federal da 4ª Região (TRF4). Os desembargadores rejeitaram os argumentos da defesa e mantiveram sua condenação.

Mostrando resignação, José Dirceu chegou a rir quando os jornalistas lhe perguntaram se ele não pensou em ir para Cuba, onde se refugiou na época da ditadura militar. “Tem muita gente querendo que eu vá para Cuba mesmo”.

Reservas
A entrevista foi curta e concedida com certo cuidado, porque depois de ter falado com a jornalista Mônica Bergamo,  do jornal Folha de S.Paulo, poucos dias atrás, Dirceu foi aconselhado pelos advogados a não mais se manifestar publicamente – sobretudo em relação a questões políticas.

Mas um José Dirceu bem-humorado discorreu sobre seriados que está assistindo, jogos de futebol, livros e ainda posou para fotos com pessoas que estavam saindo de uma reunião na sua casa.

Ressaltou, ainda, que pretende aproveitar o tempo na prisão para ler muito e espera ser beneficiado não só pela progressão de pena por bom comportamento, como também por trabalhos e estudos que podem levar à diminuição do tempo de detenção – apesar do endurecimento das regras de indulto pelo STF no final do ano passado. “Cada dia é um dia”, afirmou.

Leia aqui a íntegra da entrevista.

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