O Helicoca e a intervenção no Rio: Por que os verdadeiros chefões do tráfico estão rindo de Temer e associados

Kiko Nogueira, via DCM em 19/4/2018

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, classificou o decreto da intervenção das Forças Armadas como um “gesto de coragem” de Temer.

“Não tenho dúvidas de que o Rio de Janeiro vai superar esse momento de dificuldade. O planejamento pensado pela equipe do governo federal terá êxito e tudo que depender do Congresso será feito”, falou.

“A gente precisa aprimorar a legislação contra o tráfico de drogas e criar leis que punam o crime organizado no nosso país”.

A medida eleitoreira veio acompanhada, hoje, da possibilidade aventada por Raul Jungmann, ministro da Defesa, de mandados de busca e apreensão coletivos.

Segundo Jungmann, “em lugar de você dizer, por exemplo, rua tal, número tal, você vai dizer, digamos, uma rua inteira, uma área, um bairro”.

Não é preciso ser muito esperto para saber que isso não ocorrerá no Leblon ou em Ipanema.

Uma classe média de manifestoches vai vibrar com a prisão e “eliminação”, como apontou o general Augusto Heleno, de traficantes como Nem da Rocinha e quejandos com apelidos peculiares.

O Helicoca tem sido lembrado como símbolo do fracasso da chamada guerra às drogas e da presepada intervencionista. Nunca foram encontrados os donos do pó. E nunca serão.

Os 445 quilos de pasta base de cocaína foram apreendidos por uma força tarefa que uniu policiais federais e militares do Espírito Santo.

Estavam sendo descarregados do helicóptero da família do senador Zezé Perrella, de Minas Gerais, aliado fiel de Aécio Neves. O carregamento ocorrera no Paraguai.

A PF prendeu os dois pilotos – um deles, funcionário da Assembleia Legislativa de MG por indicação do então deputado estadual Gustavo Perrella, filho de Zezé –, um empresário que mora no interior do Rio de Janeiro e um jardineiro contratado para ajudar a carregar a mercadoria.

Os Perrellas foram inocentados alguns dias depois. Seis meses mais tarde, no dia em que prestariam depoimento, os quatro envolvidos foram soltos sem interrogatório.

O Exército no Rio.

O Helicoca foi vendido para um empresário. Em 2016, a aeronave foi apreendida após realizar uma série de manobras irregulares sobre banhistas no Lago de Furnas.

O jornalista inglês Misha Glenny, que mergulhou no crime organizado transnacional no livro McMáfia, falou ao El País sobre os atacadistas e os varejistas do mundo do tóxico.

“O perfil social dos envolvidos no tráfico do atacado no Brasil não tem nada a ver com a figura do bandido morador de favela que existe no imaginário da população” disse.

“Quem faz esse serviço costumam ser pessoas de classe média e classe alta que têm negócios legítimos operando, geralmente nas áreas de transporte e agricultura”, prosseguiu.

“Acontece que os lucros desses negócios são multiplicados quando eles utilizam essa rede de logística para transportar toneladas de cocaína através do país. Já descobriram carregamentos de cocaína dentro de carne bovina brasileira que seria exportada para a Espanha, por exemplo”.

Os verdadeiros chefões estarão sempre protegidos por Temer e sua turma. Para os outros, pé na porta e uma reportagem no Jornal Nacional sobre a mansão do sujeito (um banheiro de hidromassagem num barraco ajeitado).

Enquanto os soldados estiverem no morro, o Helicoca estará voando por aí.

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