Não vamos falar de Lula, vamos falar do “Ninguém”

Sergio Sampaio em 15/4/2018

A pesquisa Datafolha de abril de 2018 permite que se analise o desempenho de outros candidatos – além de Lula – por incrível que pareça.

Vamos então a algumas análises, com a ajuda de um microscópio.

Jair Bolsonaro – bateu no teto. Neste momento, é um nome certo no 2º turno, mas isso em função da pulverização de candidaturas. Parece não conseguir ir além dos 17% de intenções de votos. Não só nesta pesquisa, isso já vem de tempos. E em qualquer cenário. No 2º turno, só ganha de quem não está em campanha – Haddad e Jaques Wagner. Mas consegue a proeza de empatar até com Alckmin.

Marina Silva – sofre da síndrome do 3º colocado. Embora no 2º turno consiga aglutinar votos para derrotar tanto Bolsonaro quanto Alckmin, só tem chances que chegar até lá se o PT não tiver candidato. Consegue ainda algum recall da esquerda quando Lula está fora – 16% de intenções de votos. Talvez pela aversão que Bolsonaro cause, mas em uma campanha, quando suas fotos com Aécio forem resgatadas, vai ficar difícil se fazer passar pela viúva de Lula.

Ciro Gomes – o eterno “plano B” das esquerdas. Os resultados da pesquisa não lhe são nada favoráveis, se pretendia negociar com o PT em posição de força. Ciro parece não conseguir emplacar. Desta feita, consegui a proeza de ficar numericamente abaixo de Joaquim Barbosa, quando Lula está na disputa. Sem Lula, consegue um empate. Ambos na casa dos 9% de intenções de votos. Neste instante, sem nenhuma chance.

Joaquim Barbosa – o fato “novo”. Com Lula na parada, quando muito disputa com Marina Silva o quarto lugar. Sem Lula, consegue o terceiro. Está fora das eleições, neste instante. Barbosa não herda votos de Lula. Logo, seu crescimento de até 5 pontos percentuais, no melhor cenário – desde a última pesquisa em janeiro quando tinha 5% – dobrando sua intenção dos votos – deve-se muito mais a algum recall do mensalão associado ao desencanto de parte do eleitor da direita com o PSDB. Joaquim Barbosa não tem nenhum carisma ou proposta de governo. É apenas uma imagem forte que a realidade da campanha tende a destruir.

Alckmin – o mais poderoso dos candidatos – fora Lula. Mas porque é o candidato do Judiciário. O Partido da Justiça tem um enorme poder de angariar adesões e facilidades. Eleitoralmente, Alckmin não existe. Num cenário com Lula, na melhor situação tem 8% de intenções de voto e no cenário sem Lula tem os mesmos 8% dos votos. É o quinto colocado.

Além destes, há ainda mais 11 candidatos; mas sobre eles, diria Hamlet: “o resto é silêncio”.

E essa é a questão da falta de Lula nas eleições – quando não falamos de Lula, o resto é um silêncio tão profundo que qualquer 10% dos votos já fala grosso.

E alguém falando grosso com apenas 10% dos votos é fraude.

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