Jornais quiseram minar chances de Lula: liderança em pesquisas é inquestionável

Patricia Faermann, via Jornal GGN em 15/4/2018

Buscando eliminar Lula da disputa eleitoral e tentando legitimar as ações da Lava-Jato contra o ex-presidente, duas pesquisas foram divulgadas neste final de semana: Ipsos e Datafolha.

A primeira foi lançada pelo Estadão no sábado, dia 14/4, estampando a manchete “Maioria vê culpa de Lula; 95% quer que Lava-Jato continue”. Entretanto, ao verificar a pesquisa, a conexão feita no título não existe nos resultados.

Da mesma forma que 57% dos consultados acreditam que Lula cometeu os crimes atribuídos a ele, um pouco menos, 50%, é efetivamente favorável à prisão, enquanto um quase equilíbrio de 46% dos entrevistados são contra. E, ainda: se 95% da população defendem que a Lava-Jato continue após a prisão de Lula, a maioria também aponta que a Operação não está investigando “todos os políticos”.

A análise por completo da pesquisa leva, assim, a outra conclusão, diferente das anunciadas pelo noticiário deste sábado: uma pequena maioria acredita que Lula cometeu crimes, um empate ocorre entre os que defendem a prisão e os que são contra, e a grande massiva maioria defende a continuidade das apurações – boa parte porque ainda não atingiu todo o espectro político.

“Os resultados mostram que a Lava-Jato continua com alto suporte da população e que a prisão de Lula não encerra esse anseio”, admitiu o próprio diretor do Instituto, Danilo Cersosimo ao jornal. O resultado pode ser observado, contraditoriamente, no infográfico feito pelo Estadão com base na pesquisa Ipsos:

Já o Datafolha fez com que a Folha de S.Paulo amanhecesse com o título “Prisão enfraquece Lula e põe Marina perto de Bolsonaro”, seguido da linha-fina “Apoio a petista diminuiu e desconfiança sobre candidatura aumentou”.

Na prática, ao visualizar os números, a interpretação do jornal está claramente enviesada: ao contrário do diz o lead da matéria, que a diminuição do apoio do eleitorado mantém “indefinida a disputa pelo seu espólio eleitoral”, Lula segue, mesmo preso, na liderança dos resultados da pesquisa.

As perguntas foram feitas entre a quarta e sexta-feira (11-13/4). São 31% dos brasileiros que votariam em Lula para presidir o país, ainda que hoje ele esteja preso por determinação de Sérgio Moro. O segundo colocado é Jair Bolsonaro (PSL), com 15% das intenções de voto e Marina Silva (Rede), com 10% das intenções.

Se fossem feitas as comparações diretas desta pesquisa com a anterior, quando o ex-presidente tinha 34% dos votos, é verificada uma baixa nas intenções. Mas de apenas 3 pontos percentuais, ou 1 se considerar que a margem de erro é de dois pontos para mais ou para menos. Assim, pouca mudança.

Mas, ainda, a própria reportagem da Folha deste domingo assume: “Como os cenários pesquisados são diferentes dos analisados em janeiro, a comparação direta entre os dois levantamentos não é possível”, o que contradiz o próprio título da matéria:

Os números estão bem longe de tornar a mirada da Folha real, que conduz à percepção de uma disputa talvez acirrada para o ex-presidente. Bolsonaro, estando em segundo, não arrecadaria o suficiente de votos para ser eleito tampouco, porque nos cenários em que se retira a opção Lula da disputa, Bolsonaro e Marina empatam, ainda com poucas porcentagens: ele com 17% e ela com 15%.

O Instituto Datafolha também usou poucas opções dos pretendentes ao pleito presidencial: depois de Marina, aparecem Joaquim Barbosa com 8%, Geraldo Alckmin com 6%, Ciro Gomes com 5%, Álvaro Dias com 3%, Manuela D’Ávila com 2%, Fernando Collor com 1%, Henrique Meirelles com 1%, Rodrigo Maia, com 1%, e Flávio Rocha com 1%.

Mas diante das pesquisas tradicionais que alimentaram a análise da grande imprensa neste final de semana, outro instituto divulgou o resultado de levantamento: para os entrevistados da pesquisa Vox Populi, registrada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e encomendada pelo PT, a prisão de Moro surtiu efeito contrário à eliminação de Lula da disputa presidencial.

Os números mostram que aumentou de 40% para 43% as intenções de eleger Lula presidente em pergunta espontânea, e de 45% para 51% nas perguntas estimuladas, colocando-o como vitorioso em 1º turno. Também, aumentou de 16% para 19% a identificação dos entrevistados com o PT, mostrando diferença grande com as demais siglas tradicionais, como o MDB e o PSDB.

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