FAB insiste em não investigar autor de ameaças contra Lula em voo

Patricia Faermann, via Jornal GGN em 9/4/2018

Os dois áudios vazados com pessoas ameaçando o ex-presidente Lula, durante o voo da Força Aérea Brasileira (FAB) que o levou do aeroporto de São Paulo a Curitiba, para ser preso, podem ter partido de qualquer pessoa. A investigação para saber os autores das declarações, contudo, é considerada simples e compete à FAB, que até agora não se mostra interessada em realizar apuração.

“Podemos afirmar que as referências ao ex-presidente não foram emitidas por controladores de voo”, insiste a FAB, em nota divulgada a toda a imprensa. A certeza, contudo, não foi comprovada.

A possibilidade de o diálogo ter partido de um próprio controlador de tráfego aéreo surgiu porque em um dos áudios, o segundo a ser divulgado, teve a participação de três pessoas, sendo uma delas o piloto da aeronave e outra uma controladora de voo, conversando com o autor da ameaça.

“Tá autorizado abrir a porta aí, e colocar esse lixo pra fora”, disse inicialmente o sujeito, recebendo a imediata resposta do piloto do avião que levava Lula: “Atenção os colegas na fonia, vamos tratar só o necessário tá? Que é meu trabalho aqui, vamos respeitar nosso trabalho. Obrigado”.

“Eu respeito, mas manda esse lixo janela abaixo”, continuou a pessoa, o que levou a uma controladora de tráfego aéreo interferir no diálogo e comentar: “Pessoal, a frequência é gravada e ela pode ser usada contra a gente. Então mantenham a fraseologia padrão na frequência, por gentileza. Quem tá falando agora é o [inaudível]. Por gentileza, mantenham a fraseologia padrão”, solicita.

Em seguida, a mulher passa informações ao piloto sobre o tráfego e a rota de outra aeronave.

Se a pessoa não identificada era ou não um membro da Força Aérea Brasileira ou controlador de tráfego, não há comprovações. Mas o verdadeiro autor das fortes declarações vazadas, enquanto o ex-presidente estava sendo levado em voo à prisão em Curitiba, pode ser facilmente descoberto pela FAB.

“Quem estiver conectado pode ouvir e falar, seguindo as regras de tráfego aereo, devendo utilizar a fraseologia padrão e se identificar”, admitiu a própria Força Aérea na nota à imprensa.

Pelo teor lógico da conversa entre três pessoas, a conclusão inicial que se chega é que a pessoa fazia parte da Torre de controle aéreo. Entretanto, além de um controlador, por ser aberta, a comunicação pode sofrer interferência de qualquer um: desde uma rádio pirata, algum outro piloto sintonizado e também entusiastas da aviação que têm o hábito de acompanhar e escutar as comunicações de tráfego aéreo.

Para isso, é possível acessar a essas comunicações a partir de qualquer avião, seja ele de companhia aérea, particular ou não, mas também desde uma rádio. O vídeo gravado e divulgado pelo Jornal do Brasil e pela Revista Fórum com a comunicação, por exemplo, mostra o display de um equipamento de rádio comum.

Na imagem, aparecem duas numerações: a primeira é a que indica a origem da Torre de Controle aonde foi trocada a conversa. O número 118.900 indica a Torre do Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba, Paraná. A lista das frequências da aviação pode ser encontrada em diversos sites e blogs na internet.

A própria FAB admitiu que um dos diálogos gravados foi feito desde essa Torre situada no município de Curitiba. “As frequências utilizadas para essas comunicações aeronáuticas são abertas. O objetivo é que todos na sua escuta tenham conhecimento do que está ocorrendo no tráfego aéreo, condução importante para a manutenção da segurança operacional”, informou.

Para saber se o autor das declarações partiu de uma Torre de Controle, bastaria à FAB recuperar a comunicação entre o piloto e o controlador, na íntegra, e comparar a voz do funcionário que passava as orientações do tráfego, antes da ameaça, além de acessar o próprio registro da Torre, com o funcionário responsável por se comunicar com aquela aeronave no dia 7 de abril.

Nenhuma informação a respeito disso foi divulgada ou fornecida pela Força Aérea, até agora.

***

VOO DA MORTE COM LULA: A FACE MACABRA DA DITADURA GLOBO/LAVA-JATO
Jeferson Miola em 9/4/2018

São autênticos e reais os áudios em que um energúmeno se comunicou com os pilotos do monomotor que levou Lula de São Paulo a Curitiba na noite de sábado, 7 de abril.

O diálogo começa com uma orientação macabra: “Tá autorizado abrir a porta aí [do avião], e colocar esse lixo [Lula] pra fora”. A partir daí, seguiu-se o seguinte diálogo:

[Piloto do avião] – “Atenção os colegas na fonia, vamos tratar só o necessário tá? Que é meu trabalho aqui, vamos respeitar nosso trabalho. Obrigado”.

[Energúmeno] – “Eu respeito, mas manda esse lixo janela abaixo”.

[Controladora de tráfego aéreo, que interceptou o diálogo] – “Pessoal, a frequência é gravada e ela pode ser usada contra a gente. Então mantenham a fraseologia padrão na frequência, por gentileza. Quem tá falando agora é o [inaudível]. Por gentileza, mantenham a fraseologia padrão”.

Segundo fontes especializadas consultadas pelo GGN e Revista Fórum, a investigação para se chegar à identificação do autor da sugestão macabra e homicida seria muito simples: “Na imagem [do áudio gravado], aparecem duas numerações: a primeira é a que indica a origem da Torre de Controle aonde foi trocada a conversa. O número 118.900 indica a Torre do Aeroporto de Bacacheri, em Curitiba, Paraná. A lista das frequências da aviação pode ser encontrada em diversos sites e blogs na internet”.

Em nota oficial, a FAB afirmou simplesmente que “podemos afirmar que as referências ao ex-presidente não foram emitidas por controladores de voo”, porém a FAB não se esforçou em identificar o verdadeiro autor desta barbaridade – inclusive para comprovar que não foi um ato insano cometido por um controlador de voo da FAB.

O GGN revelou ainda que “a própria FAB admitiu que um dos diálogos gravados foi feito desde essa Torre situada no município de Curitiba. Para saber se o autor das declarações partiu de uma Torre de Controle, bastaria à FAB recuperar a comunicação entre o piloto e o controlador, na íntegra, e comparar a voz do funcionário que passava as orientações do tráfego, antes da ameaça, além de acessar o próprio registro da Torre, com o funcionário responsável por se comunicar com aquela aeronave no dia 7 de abril”.

É inescapável pensar na associação entre este voo da morte do Lula e os voos da morte da ditadura argentina, que macabramente “desovavam” presos políticos de aviões – “inimigos” da ditadura e da continental Operação Condor – no Oceano Atlântico e no Mar del Plata.

Decorridos 30 dias do atentado fatal que assassinou Marielle Franco e Anderson Gomes; e passadas 2 semanas do atentado a tiros contra a caravana do Lula no Paraná, os órgãos policiais da ditadura Globo-Lava-Jato ainda não avançaram 1 milímetro sequer nas investigações para revelar os autores de tais atos terroristas.

Por outro lado, entretanto, estes mesmos órgãos da polícia política do regime fascista já “identificaram” os autores do protesto na residência da Carmem Lúcia em Belo Horizonte – são os integrantes do MST e do Levante Popular da Juventude, que nunca esconderam suas identidades – porque agem à luz do dia – e assumiram desde sempre a autoria do protesto pacífico e sem riscos à vida até mesmo de uma cucaracha.

O fascismo começa primeiro aniquilando os inimigos. E então os fascistas celebram com happys hours, cervejadas e piadas infames.

O problema é que depois, quando o fascismo ganha vida própria e foge ao controle, ele aniquila os próprios fascistas que propagam o ódio, a violência e a intolerância. E aí, então, pode ser tarde.

A ditadura Globo/Lava-Jato será vítima da violência, da intolerância e do ódio que ela própria propaga. A ditadura Globo/Lava-Jato experimentará do próprio veneno que infunde contra seus inimigos – Lula e o PT.

Uma resposta to “FAB insiste em não investigar autor de ameaças contra Lula em voo”

  1. Claudio Corrêa Says:

    O Fascismo estatal opera nas nuvens e tanto a FAB como o Ministro da (in)Segurança Pública, Raul Jungmann, se ausentam da responsabilidade de investigar, por omissão ou cumplicidade.

    ““Tá autorizado abrir a porta aí, e colocar esse lixo pra fora”, disse inicialmente o sujeito, recebendo a imediata resposta do piloto do avião que levava Lula: “Atenção os colegas na fonia, vamos tratar só o necessário tá? Que é meu trabalho aqui, vamos respeitar nosso trabalho. Obrigado”.

    “Eu respeito, mas manda esse lixo janela abaixo”, continuou a pessoa, o que levou a uma controladora de tráfego aéreo interferir no diálogo e comentar: “Pessoal, a frequência é gravada e ela pode ser usada contra a gente. Então mantenham a fraseologia padrão na frequência, por gentileza. Quem tá falando agora é o [inaudível]. Por gentileza, mantenham a fraseologia padrão”, solicita”.

    Quando o fascismo adentra aos Aparelhos de Estado, como Segurança e Judiciário, a muito o Brasil pós golpe ultrapassou o fundo do poço institucional.

    Essa pretensa investigação seguirá o rito das da execução de Marielle Franco e Anderson no Rio de Janeiro ou do atentado a tiros à Caravana #LulaPeloBrasil Sul, o NADA omisso ou parceiro.

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