Cristovam Buarque não virou vinho, virou vinagre

Fernando Brito, via Tijolaço em 9/4/2018

A frase que se atribui ao papa João 23 – Os homens são como o vinho – alguns viram vinagre, mas outros melhoram com a idade – bem cabe para colocar o Senador Cristovam Buarque na categoria de “alguns”, não na de “outros”.

A destilar seu fel e seu ressentimento, ao reduzir o momento dramático do discurso de Lula pouco antes de seu encarceramento e uma observação azeda e “despeitada” sobre a suposta “demagogia” de permitir o acesso de pessoas mais pobres à Universidade porque, segundo ele, seria preciso antes haver um “bom ensino médio”, como se isso fosse uma excludente e – pior ainda – a condenação de que não o teve a não poder ter um curso superior, recuperar as deficiência e tornar-se um profissional de boa qualidade ou desenvolver as virtudes que o ambiente universitário e seus espaços de conhecimento e convívio oferecem.

O castigo à pequenez do senador, porém, veio depressa.

Em uma enxurrada de tuítes de gente que se beneficiou do que ele chamava de “demagogia”, mas que foi essencial em suas vidas, que reproduzo abaixo numa coleta feita por uma moça lá das Alagoas de meus avós paternos.

Talvez piores para Cristovam nem sejam as palavras de João 23, mas as de Cora Coralina, que falava da ação dos tempos sobre os homens dizendo que a uns transformavam em água – capazes do que ele não foi, da “ajuda em hora difícil de um amigo, mesmo estranho” – outros em vinho – “arrolhado seu espírito de conteúdo excelente em todos os sentidos” e que “não improvisa – estuda, comprova”.

Pois, no poema de Cora, Cristovam não cabe nestas categorias, faz parte de outra:

Há de permeio o homem vinagre,
uma réstia deles,
mas com esses, não vamos perder espaço.
Há lugar na vida para todos.

 

2 Respostas to “Cristovam Buarque não virou vinho, virou vinagre”

  1. Aristóteles Barros da Silva Says:

    Como diziam meus avós: “isso não vale um tostão de mel coado!”.

  2. Geraldo Lobo Says:

    Em belzonte de meus dias de jovem, havia um Governador, safado, que tomava para si os salários das professoras e as pagava seis, oito meses depois. Era um retardado completo. Uns o chamavam de “burrinho” outros de “praxedes porcalhão”. Graças ao bom deus a minha memória me faz esquecer o seu nome, que ante a figuras expressivas da época, como o Magalhães, o Tancredo que concorriam ao seu cargo, nunca foi além das pedras, muito menos se sabe o seu fim, no princípio dos anos de 1960. Agora, reaparece a figura emblemática e metafórica do burrinho e do praxedes o porcalhão, vindo do Nordeste, com um grau ou dois em Economia, ao que parece das cozinhas locais, já tão bem tratadas por Gilberto Freire, faz tempo. Que será que ele quer mais? Passou anos lambendo as botas do PT tentando ser convidado pra seu fausto governo, não passou do PDT. Será que é a vingança que jurou, todo esse fel destilado assim gratuitamente, demonstrando que de fato — é — um burrinho, um praxedes porcalhão, fora a metáfora que de hábito injustamente nos assola?

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