“Fake news” é rótulo publicitário usado pela mídia para combater a perda da hegemonia

Nilson Lage, via Esquerda Caviar em 2/4/2018

1) Fatos são eventos concretos e observáveis ocorridos no mundo real ou em algum mundo imaginário; ou ainda eventos necessários, inevitáveis, implicados em uma teoria ou a partir de axioma; Exemplos:
● o avião caiu ou não caiu; houve uma explosão a bordo antes da queda ou não houve.
● o cano do revólver do atirador tinha um silencioso ou não tinha.
● Lee Oswald atirou quando Kennedy desfilava em Dallas ou não atirou.
● Na cosmogonia cristã, Deus criou o mundo ou não foi Ele.
Fatos são falsos ou verdadeiros. Notícia falsa é a notícia de um fato que não houve ou não poderia haver.

2) Versões são interpretações mais ou menos prováveis, enviesadas ou evidentes dadas aos fatos; ou algo que se atribui a eles.
Exemplos:
● o policial atirou “para matar” (intenção).
● o governante é “ditador” ou “líder”; o combate é “rebelde” ou “terrorista” (valoração ética).
● a austeridade da política econômica vitoriana acentuou a diáspora europeia e conteve a escravidão de africanos no século 19 (causa).
● tulipas holandesas são um bom investimento (valor).
Versões não são falsas ou verdadeiras. Podem ser adequadas ou inadequadas, aceitas ou rejeitadas, prováveis ou improváveis, positivas ou negativas, datadas ou permanentes, honestas ou desonestas, interesseiras ou isentas etc.

3) Interpretações são narrativas ou conclusões extraídas de aspectos particulares ou versões de fatos. Se expostas corretamente, podem ser validadas conforme a veracidade dos fatos, a adequação das versões e lógica dos raciocínios.

4) Opiniões são juízos sem suporte claro. Podem ser contestadas, não discutidas.
O noticiário jornalístico de fatos e versões. Interpretações costumam estar embutidas como pressupostos nas notícias e são objeto usual de reportagens e artigos. Opinião é gênero jornalístico que deveria conter-se em editoriais.

Fake news é rótulo publicitário, como “lenda urbana” ou “teoria da conspiração” as três categorias são usadas para desqualificar ou conter a abrangência de alguns tipos veículos em benefício de outros.

É preciso lembrar que a censura só foi, de fato, abolida no Ocidente quando, em meados do século 19 ou depois disso, a mídia hegemonicamente controlada pela ordenação econômica.

A perda dessa hegemonia é inaceitável para o sistema.

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