Luis Nassif: Cármen Lúcia, a que diz “sim” sem dizer “não”

Luis Nassif, via Jornal GGN em 13/3/2017

Ao declarar, de forma altissonante, que não se dobra a pressões, a ministra Cármen Lúcia encontrou sua melhor tradução. A física diz que a característica de todo corpo não submetido a pressão é a inércia.

A inércia sempre foi a maneira de Cármen Lúcia agir.

Teve em suas mãos a decisão sobre as “pipelines”, a jogada dos laboratórios internacionais de renovar patentes já vencidas. Se aceitasse a tese da Procuradoria Federal dos Direitos do Cidadão (PDFC) e não reconhecesse as patentes, haveria um amplo impacto sobre o custo dos medicamentos para o SUS. Como não se submete a pressões, Cármen Lúcia não disse sim, nem não: engavetou a ação. Engavetando disse SIM aos grandes laboratórios sem precisar dizer NÃO ao SUS.

Como ninguém, Cármen Lúcia representa o estereótipo mais negativo do mineiro, sintetizado no brado de Magalhães Pinto ante o golpe de 64: “Minas está onde sempre esteve e daqui não arredará pé”. Do mineiro não preservou a sagacidade, a compreensão do mundo a partir do seu canto, a sabedoria das decisões analisadas e a capacidade de dar um boi para não entrar na briga, e uma boiada para não sair.

Cármen Lúcia é do tipo mais comum de pessoa: a que não se dobra às pressões dos mais fracos. Da parte de Lula, a pressão maior é solicitar direitos concedidos a qualquer pessoa. Da parte contrária a Lula, a pressão maior é expor os pontos fracos da Ministra à opinião pública, valendo-se dos expedientes conhecidos de taxar qualquer crítica ao arbítrio como concessão à corrupção. Ou relembrando os macaquinhos guardados no sótão de Carminha.

Assim, a brava Cármen Lúcia se dobra à pressão do mais forte, não se dobrando à pressão do mais fraco. Transformou o recuo em relação ao mais forte com um grito retumbante de independência em relação ao mais fraco.

É pos-doutorada na técnica da tergiversação.

Uma resposta to “Luis Nassif: Cármen Lúcia, a que diz “sim” sem dizer “não””

  1. Aristóteles Barros da Silva Says:

    Não nos iludamos, senhores e senhoras: estamos em plena ditadura judiciária/midiática/parlamentar. Para o Poder Judiciário, em especial, “nada vem ao caso”. Nada, a não ser polpudos e desmerecidos salários/penduricalhos. Vade retro!

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