Dória e os trouxas profissionais

Leandro Fortes em 14/3/2018

Dizer que Dória enganou os eleitores que votaram nele é um contrassenso.

Os eleitores de Dória, mesmo os da periferia, não são ingênuos nem ignorantes, mas gente de má-fé.

Dória sempre soube, assim como José Serra, que possui o tipo de eleitor que pode ser abandonado a qualquer momento, porque quase sempre se trata de gente com a perspectiva política de um percevejo.

Um eleitor que vive o paradoxo de viver na maior cidade do Brasil e, ainda assim, ser desprovido do sentido social do coletivo.

Uma massa social gelatinosa moldada em um sistema liberal no qual o opressor se veste de gari para produzir lixo midiático. E é aplaudido por isso.

Assim como José Serra, João Dória vai cuspir na cabeça de seus eleitores sem nenhuma cerimônia, rasgar o compromisso de ser prefeito até o fim do mandato e manter a tradição de alimentar com alfafa um eleitorado que segue escolhendo os próprios algozes em nome de interesses que não são seus.

***

DÓRIA REPETE SERRA E DESCUMPRE PROMESSA DE TERMINAR MANDATO; RELEMBRE DECLARAÇÕES
O prefeito de São Paulo, João Dória, repete o que fez o colega de partido, José Serra, e vai deixar a prefeitura para concorrer ao governo do Estado com apenas um ano e três meses de mandato. Assim como Serra, Dória se comprometeu, em vários momentos, a completar os quatro anos de governo, mas não cumpriu a promessa.
Guilherme Balza em 12/3/2018

“Todos os compromissos que eu assumo, eu cumpro. Todos. Não preciso assinar papel, não preciso publicar. Eu cumpro. Eu não sou candidato a nada.”

A exemplo de Serra, João Dória assinou uma carta se comprometendo a ficar na prefeitura nos quatro anos.

O documento foi elaborado pelo site Catraca Livre no dia 16 de setembro de 2016, durante a campanha eleitoral.

Cinco dias depois, em entrevista ao G1, Dória reafirmou o compromisso.

“Tenho respondido essa pergunta todo dia. Até por essa situação passada. Eu sou candidato a prefeito. Vou disputar a prefeitura. E serei prefeito pelos quatro anos.”

Já como prefeito, o que se viu foi uma metamorfose do discurso de Dória.

Nos dois primeiros meses de gestão, repetia o mantra de que tinha sido eleito para prefeitar.

Em 17 de março, em entrevista ao jornalista Kennedy Alencar, no SBT, reafirmou que não seria candidato, mas acrescentou que nada na vida é irreversível.

A declaração provocou polêmica, e no dia Primeiro de Abril, ele voltou a negar que disputaria as eleições.

“Eu fui eleito para ser prefeito da cidade de São Paulo. É o que estou fazendo. É prefeitar. Eu fui eleito para quatro anos. Eu vou cumprir esse mandato. É isso.”

Ainda em abril, Dória admitiu que disputaria o governo do Estado se houvesse um pedido de seu padrinho político, o governador Geraldo Alckmin.

Em maio, em entrevista à rede Bloomberg, pela primeira vez admitiu a possibilidade de concorrer não ao governo do Estado, mas à Presidência, desde que fosse uma escolha do PSDB.

A partir daí, por seis meses, o prefeito oscilou quando questionado sobre uma candidatura ao Planalto. Chegou a dizer que, abre aspas, “não descarta, nem encarta”, concorrer o cargo mais alto do país.

Falou ainda que disputar uma indicação com Alckmin lhe causaria constrangimento, mas que só o tempo diria se isso iria acontecer.

A partir de outubro, após despencar nas pesquisas de avaliação, Dória perdeu força como nome ao Planalto e passou a defender Alckmin para a sucessão presidencial.

No dia 21 de dezembro, foi além e pela quarta vez disse que cumpriria o mandato até o fim.

“Eu nunca me apresentei como candidato, nunca fiz discurso, nunca assim lei, nunca escrevi, nunca mencionei. As pessoas que falaram isso. Eu continuo fazendo aquilo para o qual fui eleito: ser prefeito de São Paulo. Vou cumprir o meu mandato, integralmente, como prefeito da maior cidade brasileira.”

Neste ano, pouco a pouco, Dória passou a admitir a candidatura ao governo. A narrativa adotada para justificar a saída da prefeitura é que foi um pedido da militância tucana. Se for o escolhido do PSDB, Dória deixa o cargo no início de abril.

“A gestão na cidade de São Paulo é uma gestão compartilhada. O Bruno Covas, que é meu vice, foi eleito comigo, com os mesmos votos que recebi. Na mesma chapa. Chapa-pura.”

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