Lula e seu povo

O ex-presidente sobe nas pesquisas mesmo depois das condenações, mas seus eleitores não saem à rua contra os golpistas.

Maurício Dias, via CartaCapital em 10/3/2018

Lula não teve apoio das forças políticas e econômicas agora, ou mesmo antes, com as quais conviveu o governo petista ao longo de 13 anos e meio no poder, incluindo nessa conta os oito anos dele e os cinco anos e meio de Dilma, enfim golpeada pelo impeachment. E continuará sendo assim até que o indômito metalúrgico seja exterminado da vida política, conforme o processo em ação há tempos e ainda em andamento.

A derrota sofrida por ele no Superior Tribunal de Justiça é tão somente um exemplo. Bom para os aliados fáceis, mas ruim para Lula. O julgamento no STJ não buscava por decisões judiciais favoráveis ao ex-presidente, muito pelo contrário, sua decisão já estava tomada.

Os advogados de defesa pediam, desde sempre, por julgamento sem influência política nunca oferecida pelo juiz Sérgio Moro e, menos ainda, pelos desembargadores que, em Porto Alegre, ampliaram de nove anos e seis meses para 12 anos e um mês de prisão a punição do petista.

Lula envolveu-se nas malhas da conciliação. Na Presidência foi tolerado, assim como a própria democracia é tolerada pelos guardiões da elite brasileira. Embora incomodado, meteu-se onde não cabia. Nunca esqueceu ou se distanciou da necessidade social da maioria. Nem dela se afastou. E ela retribui. Não é por acaso que ele lidera a corrida pela Presidência, como registram as pesquisas de intenção de voto chanceladas por todos os institutos de pesquisa.

Salvo uma catástrofe, ele não pode ser superado. Talvez por Bolsonaro? Quem sabe por Alckmin? Por Marina? Ou por Temer? Tem sido frequente o esforço feito para aproximar Lula de Getúlio Vargas ou de João Goulart. São próximos, embora diferentes, quando se fala em mobilização popular.

Vargas e Jango conseguiam levar milhares à porta do Palácio do Catete, e inflamaram o povo à sombra da bandeira do PTB. Lula, neste momento, ainda não conseguiu alcançar uma forte mobilização popular, a não ser nas caravanas, que mais induzem a festa do que a revolta. Por que razão? Há várias respostas para esta pergunta. Nenhuma delas, porém, satisfaz os interessados.

Lula agora não mobiliza sequer a própria militância do PT. Sobe exponencialmente nas pesquisas, mas quem votaria nele e lhe daria a vitória protesta nas ruas contra os golpistas.

Que papel exerceriam, e quantos seriam agora, os manifestantes em Brasília dispostos a se confrontar com o poder e gritar, o repicado refrão Fora Temer?

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