A face escravocrata, misógina e rentista do golpe

Jeferson Miola em 7/3/2018

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O Banco Itaú, sozinho, teve um lucro líquido de R$24,9 bilhões em 2017.

Estima-se que em 2018 o lucro do setor bancário brasileiro, que é extremamente oligopolizado nas mãos de poucas famílias biliardárias, deverá ultrapassar R$110 bilhões.

Outros 800 a 900 bilhões de reais serão drenados para os agiotas não-brasileiros da mesma forma, ou seja, mediante o pagamento de juros e amortização da dívida indecente.

Enquanto isso, projeta-se um estouro do orçamento federal de 2018 em R$150 bilhões.

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O desemprego continua grave no Brasil, apesar do esforço coordenado entre o governo ilegítimo, os partidos golpistas, a Rede Globo e o conjunto da mídia, que buscam edulcorar um cenário para a eleição – artificial – de fim da recessão e de retomada do desenvolvimento.

O golpe retirou o Brasil de uma realidade de pleno emprego dos períodos do PT para jogar a economia num dos patamares de desemprego mais elevados do mundo: 12,4% – mais de 13 milhões de desempregados.

Curiosamente, entretanto, os empregos domésticos estão dentre aqueles que tiveram maior oferta de número de vagas de trabalho desde a perpetração do golpe.

Conforme a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua [PNAD Contínua] do IBGE de janeiro de 2018, o Brasil é recordista mundial de empregos domésticos – 6,37 milhões [tabela abaixo].

Os empregos domésticos respondem por 6,95% dos empregos totais do país. São empregos de pior remuneração, de grande informalidade [sem carteira assinada] e que empregam quase a totalidade mulheres. Dentre as mulheres, a enorme maioria são negras.

Estes dados demonstram que a oligarquia e a classe média branca, misógina e escravocrata está em estado de graça com o golpe; celebra o retorno à vida da Casa Grande.

A oligarquia golpista voltou a contar com suas escravas domésticas que realizam os serviços braçais e sujos da casa e da família.

Com a derrubada dos governos do PT, a oligarquia e sua classe média auxiliar finalmente se liberaram para acumular ainda mais riqueza às custas das suas escravas domésticas exploradas, mal-remuneradas e precarizadas nos seus direitos.

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O crescimento do emprego doméstico é a evidência cabal da natureza escravocrata e racista do golpe. É um indicador do aumento da exploração das mulheres negras e das mulheres mulatas e brancas pobres. É um indicador, enfim, da regressão civilizatória do Brasil.

O crescimento deste tipo de emprego – que revela atraso ao invés de desenvolvimento – é uma metáfora da índole misógina do golpe, que não só derruba e desempodera a mulher no poder – como fizeram com o impeachment fraudulento da Dilma – como subalterniza a mulher e destina a ela os papéis mais humilhantes na sociedade.

Não bastava derrubar Dilma, a mulher que liderava os destinos do país. Era necessário colocar a mulher, especialmente a negra e pobre, de joelhos à dominação patriarcal, branca e autoritária.

Só cego não vê. A face escravocrata, misógina e rentista do golpe está escancarada.

A história da dominação oligárquica no Brasil é a história do poder do dinheiro, das finanças e da propriedade.

É a história do poder exercido por uma oligarquia burra, autoritária e conspirativa, que é incapaz de admitir a modernização do próprio capitalismo.

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