Saída de Fernando Segóvia da PF pode significar enfraquecimento de Temer

Nomeação do agora ex-diretor-geral da PF foi defendida pelo grupo político mais próximo do presidente; Novo comandante, Rogério Gallaro, estava na lista tríplice enviada para Temer ainda em 2017.

Via Jornal GGN em 28/2/2018

Com a saída de Fernando Segóvia, assume o cargo de diretor-geral da Polícia Federal, Rogério Gallaro. O delegado, na verdade, deveria ter assumido a pasta em novembro de 2017, quando Leandro Daeillo, há quase sete anos no cargo, decidiu se aposentar. Seu nome tinha apoio da Associação dos Delegados da Polícia Federal desde aquele momento e estava na lista tríplice enviada a Temer ainda em 2017. Mas, por decisão política, da cúpula do MDB, o presidente decidiu colocar no cargo Segóvia, ex-superintendente da PF no Maranhão.

Vale destacar que Galloro era considerado como o número 2 na hierarquia da Polícia Federal na gestão de Daiello. E, além da lista tríplice, seu nome já havia sido sugerido pelo ministro da Justiça, Torquato Jardim.

O apoio político para Segóvia partiu do ministro-chefe da Casa Civil, Eliseu Padilha, do ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes e, nos bastidores, do ex-presidente José Sarney (MDB). Logo, a troca no comando da Polícia Federal, confirmada na terça-feira, dia 27/2, após Segóvia passar por uma série de desgastes significa também perdas para o grupo político mais próximos de Temer.

A condução de Gallaro para a direção-geral da PF foi feita pelo ministro da Segurança Pública, Raul Jungmann que, segundo apurações da Folha de S.Paulo disse que queria “liberdade” para escolher pessoas com quem tivesse mais “afinidade” no comando dos órgãos que o novo ministério tem sob comando.

Ainda, segundo a Folha, Padilha foi avisado pessoalmente sobre a demissão de Segóvia, mas não gostou da mudança. Na época em que conseguiu emplacá-lo no comando da PF, dizia-se que o objetivo era evitar avanços da Lava-Jato sobre membros do Palácio do Planalto.

ESCORREGADAS
Em apenas três meses a frente do cargo, Segóvia acumulou uma série de polêmicas. Na mais recente delas, e que culminou com a sua saída, deu uma entrevista à agência de notícias Reuters, no início do mês, afirmando que não havia indícios de crime no inquérito que investiga se Temer favoreceu empresas no porto de Santos por meio de um decreto em troca de propinas. Ele também criticou as 50 perguntas enviadas pela Polícia Federal ao presidente e indicou que a investigação poderia ser arquivada.

As declarações causaram indignação entre delegados, levando o ministro do Supremo Tribunal Federal, Luís Roberto Barros a intimidar o então diretor-geral da PF a dar explicações na Corte. Na reunião Segóvia se comprometeu a não fazer mais qualquer manifestação política sobre as investigações contra Temer.

Outras movimentações de Segóvia que causaram estranhamento entre os investigadores da Polícia Federal foi a troca de cargo na superintendência de Santos (SP), que cuida do inquérito do porto de Santos, em dezembro de 2017. Segóvia transferiu Júlio César Baida Filho que atuava no local para o Rio de Janeiro e colocou no lugar, como delegado-chefe, José Roberto Sagrado Da Hora, que teria agradado o grupo político de Temer.

Segóvia também realizou uma série de encontros com o presidente da República, além das audiências oficiais. Entre os encontros que chamaram atenção está uma reunião feita antes da posse de Segóvia que não constou na agenda oficial do presidente. Outra, que aconteceu em janeiro, foi na mesma semana em que Temer teve que responder às 50 perguntas da Polícia Federal sobre o inquérito do Porto de Santos.

Outro mal-estar dentro da corporação aconteceu quando criticou a investigação da Procuradoria Geral da República (PGR), então sob comando de Rodrigo Janot, considerando como “materialidade criminosa” suficiente em uma mala de R$500 mil recebida pelo ex-assessor especial do presidente, Rodrigo Rocha Loures e filmada em uma ação controlada pela própria PF.

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