Com reforma trabalhista, empresas oferecem salário de R$4,45 por hora trabalhada

Júlia Dolce, via Brasil de Fato em 31/11/2017

Um anúncio de vagas da empresa Sá Cavalcante, que opera franquias das redes Bob’s, Spoleto e Choe’s Oriental Gourmet, chamou a atenção nas redes sociais nos últimos dias. Isso porque a oferta de emprego destaca um salário de R$4,45 por hora trabalhada, em uma jornada de cinco horas nos finais de semana.

Trata-se do chamado trabalho intermitente, possível no país com a aprovação da reforma trabalhista, que entrará em vigor no dia 11 de novembro.

Para a vice-presidenta da Associação Nacional dos Procuradores do Trabalho, Ana Claudia Bandeira Monteiro, o contato intermitente dificulta a garantia dos direitos dos trabalhadores:

“Eu considero essa questão do trabalho intermitente como uma das mais graves e mais lesivas ao trabalhador, porque o trabalho intermitente em si já traz uma série de retirada de direitos. Então, a partir dessa mudança, o trabalhador intermitente viverá sempre a incerteza de ter trabalho ou não, e de quanto ele ganhará em razão disso. E aí fica difícil de consolidar uma demanda em torno de direitos mínimos. Da forma como está colocado, é a insegurança absoluta”, afirmou.

Nesse sentido, Adriana Marcolino, pesquisadora da subseção do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) na Central Única dos Trabalhadores (CUT), ressalta que essa forma de trabalho também prejudica a organização sindical:

“Ele não vai ter uma relação mais fixa e concreta com seu local de trabalho. É difícil formar vínculos de trabalho considerando esse tipo de contrato. Então, para o movimento sindical conseguir organizar esse tipo de trabalhador vai ser muito mais difícil”.

Marcolino aponta que uma das maiores responsáveis pela aprovação da medida dentro da reforma trabalhista é, justamente, a indústria de fast food, que já vem anunciando vagas intermitentes, como o caso do grupo Sá Cavalcante.

“Já estão pipocando anúncios desse tipo. E é para o setor de fast food, que mais jogou peso na aprovação do trabalho intermitente. Até chamavam a proposta de “proposta Mcdonald’s”, porque essa empresa sofreu processos por funcionários que trabalhavam nesse regime”, afirmou.

O contrato intermitente não define uma carga horária mínima de trabalho. A lei determina que a empresa deve avisar os trabalhadores com pelo menos três dias de antecedência, por “qualquer meio de comunicação eficaz”.

O trabalhador terá o prazo de um dia útil para responder ao chamado, se não, fica presumida a recusa da oferta. Caso o trabalhador não compareça ao trabalho, deverá pagar ao empregador uma multa de 50% da remuneração.

Procurada pela reportagem, a empresa Sá Cavalcante não retornou contato.

***

A ESQUERDA ERROU
Fernando Horta em 2/11/2017

É preciso que a esquerda reconheça quando erra.

Isto é essencial. Nós, da esquerda que sempre fomos contra a reforma trabalhista, temos de dar o braço a torcer já no início dela.

Veja que antes mesmo de as novas regras trabalhistas entrarem em vigor o salário já mudou de patamar. Agora ele é R$4,45 a hora.

Agora, a ministra dos Direitos Humanos de Temer disse que o salário que ela ganha a coloca na condição de “trabalho escravo”. Ela ganha R$33,7 mil. Menos que isto é trabalho escravo.

Vamos calcular quantas horas nosso novo empregado a R$4,45 precisará se esforçar se ele quiser sair da “linha Luislinda de escravidão”.

Ele precisará trabalhar 7.573 horas.

Contando que ele trabalhará apenas 10 horas por semana ele precisará de 757 semanas para atingir a “linha Luislilnda de escravidão”. Isto dá 180 meses ou 15 anos de trabalho para receber o que a ministra recebe por mês e diz ser trabalho escravo. O que é totalmente possível e basta apenas “se esforçar”, conforme o novo pensamento do século 19 da direita brasileira.

A esquerda errou.

A nova legislação trabalhista não “precariza” o trabalho.

Ela torna o trabalho escravo.

E isto dito pela ministra dos Direitos Humanos de Temer.

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Uma resposta to “Com reforma trabalhista, empresas oferecem salário de R$4,45 por hora trabalhada”

  1. COPACABANA EM FOCO Says:

    Criou-se a geração do bico que o escravizará o trabalhador. O (A) trabalhador (a) não vai querer sair de um sábado e ou de um domingo com R$ 23,50. Acabará por ficar no trabalho mais 5 horas para aumentar a sua renda, perfazendo um total de 10 horas de trabalho, isso se não sair para almoçar ou jantar do qual sairá com R$ 47,00 e com o domingo trabalhado, o total R$94,00. Continuando… Por semana nos 6 dias trabalhados nas dez horas – deve ter folga, ou não -R$ 282,00, e por mês R$ 1.126,00 nas 240 horas trabalhadas, isto é, se minha conta não estiver errada. Sem plano de saúde, sem ticket refeição, sem ticket transporte…E sem os seus direitos trabalhistas. É muita maldade!!!

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