É necessário ousar sonhar e lutar por um novo mundo

Luis Miguel Felipe em 7/11/2017

Pelo menos desde o famoso texto de Plekhanov, no finalzinho do século 19, o marxismo discute “o papel do indivíduo na história”. Afinal, se o motor das transformações reside mesmo nas contradições estruturais, a ação de tal ou qual pessoa é sempre irrelevante.

A revolução que hoje [7/11] completa 100 anos é a prova de que a realidade é mais complexa. É difícil imaginar Outubro sem a genialidade política de Vladimir Ilich Lênin, que naquele momento foi capaz de decifrar com perfeição a fortuna e encarnou de maneira cabal a virtù.

No Ocidente, o discurso hegemônico tenta vesti-lo com a fantasia do “ditador sanguinário”. O desconhecimento em relação a seu pensamento é gritante. Nem estou me referindo às ridículas matérias que a Folha de S.Paulo andou publicando. Até um intelectual liberal esclarecido, como Robert Dahl, quanto dedica algumas páginas a ele (em seu Democracy and its critics), não passa de generalizações primárias e comete erros tão pueris quanto chamá-lo de “Nikolai”.

Na esquerda ortodoxa, foi transformado numa espécie de Messias. Sua obra foi tão embalsamada quanto seu corpo, passando a integrar o corpo de escritos sagrados – o “marxismo-leninismo” – que não se podia interpelar, nem aproveitar criticamente, apenas reverenciar.

Mas Lênin foi um teórico sutil e complexo, cujas contribuições para a estratégia da transformação social, para a compreensão do Estado capitalista e para o estudo do imperialismo continuam merecendo atenção. Foi também um exemplo de militante revolucionário, com dedicação a toda prova e uma incrível capacidade de sacrifício pessoal.

Não foi um santo – ninguém que se dedica à ação política pode se dar ao luxo de sê-lo. Acertou e errou, como todos nós. A revolução que comandou se perdeu no caminho e pereceu de forma melancólica. Mas sua principal lição nós não podemos apagar: a de que é possível, de que é necessário, ousar sonhar com um novo mundo e lutar para construí-lo. Assim, tenho certeza, outros Outubros virão, outras manhãs, plenas de sol e de luz.

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