A técnica nazista de transformar mentiras em verdades

José Carlos de Assis em 7/11/2017

Métodos de comunicação nazista (Joseph Goebbels) estabeleciam que uma mentira repetida várias vezes como técnica de propaganda tornava-se uma verdade para a opinião pública. Quando Henrique Meirelles fala que o rombo orçamentário de R$159 bilhões neste ano é culpa do déficit da Previdência, estamos diante de uma mentira que, graças à repetição pela grande mídia e principalmente pela TV Globo, transforma-se numa verdade definitiva.

O papel da mídia nesse processo é fundamental. No caso da Previdência ela não apenas tem deformado a notícia como esconde informações relevantes. Para os que tem dúvida sobre esse comportamento nazista basta observar o resultado do inquérito no Congresso sobre a situação do sistema previdenciário. A comissão mista de parlamentares que examinou o assunto confirmou que a Previdência é superavitária. A Globo ignorou o tema.

As técnicas de transformar mentiras em verdades não são exclusivas de Meirelles. Elas têm propósitos ocultos, tendo-se tornado uma marca de todo o governo. Michel Temer transformou evidências de propinas para ele, rastreadas publicamente pela polícia, num ataque pessoal pelo procurador-geral da República. Repetiu essa defesa várias vezes, comprou parlamentares para lhe dar uma aparência de razão e instaurou a dúvida em alguns.

Entretanto, como é necessário fazer em investigações policiais, é preciso encontrar a motivação da mentira. E isso não é nada difícil. Se não ficar provado que a Previdência tem um grande déficit, não há como justificar sua privatização em favor do sistema financeiro, o verdadeiro objetivo oculto da mentira. Mais do que isso: repetir sem parar que o setor público está quebrado é fundamental para justificar a privatização generalizada de estatais, dos bancos públicos e da Petrobras.

A verdade encoberta pela mentira é que o governo Temer tem como prioridade absoluta, além de evitar a cadeia para o presidente e os ministros acusados de receber propinas, a redução no limite do espaço do setor público para ampliar o espaço, o lucro e o patrimônio do setor privado, mesmo que seja a expensas de áreas estratégicas. Para isso é preciso assegurar, de forma genérica, que o setor público é ineficiente, mal administrado e deficitário.

Num país em que o presidente, o líder do governo no Senado e os dois principais ministros do Planalto estão sendo acusados de corrupção aberta e descarada, colocar em pauta dezenas de privatizações, notadamente as hidrelétricas, é altamente suspeito. Será que vão continuar a roubar? Será que estão tão empenhados com os leilões porque já acertaram receber algum dinheiro por conta? Ora, se Temer é ladrão, tudo pode se esperar do governo!

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