Luis Nassif: Com a Cyrella, a mais atrevida tacada de Dória

Luis Nassif em 1º/11/2017

João Dória Jr. é um bem-sucedido homem de negócios. Por tal, não se entenda o empreendedor convencional, ou o gestor. Toda a carreira empresarial de Dória foi feita no campo dos patrocínios, permutas e lobbies, colocando empresários em contato com autoridades através dos múltiplos fóruns da Lide. A missão da Lide é montar eventos que permitam a empresários e autoridades estreitar relacionamentos.

As autoridades vão porque querem um público de empresários e CEOS. E estes vão porque querem contato direto com as autoridades.

Simples assim. Em cima dessa fórmula, Dória montou inúmeros filhotes da Lide, tanto setoriais – Lide do agronegócios, da exportação etc. – quanto regional, com filiais inclusive na América Latina.

Agora, está completando a inovação tornando a Prefeitura uma filial da Lide. E aí entra em um terreno pantanoso, principalmente se os Ministérios Públicos fizerem a ligação entre os eventos da Lide e as ações de Dória na prefeitura.

É como se ele acenasse para os membros da Lide: o coroamento do investimento de vocês é que, a partir de agora, não será mais necessário investir em relacionamento: vocês serão as autoridades.

É o que aconteceu com essa nomeação escandalosa de Claudio Carvalho de Lima, vice-presidente executivo da Cyrella para a Secretaria das Subprefeituras.

A Prefeitura é a agência reguladora do setor de construções e incorporações de edifícios de São Paulo. Tudo passa pela Prefeitura, do inicio ao fim da obra, o relacionamento com a Prefeitura é essencial para uma grande incorporadora, do alvará ao habite-se, da mão de transito a permissão de estacionamento e Zona Azul, do ISS na construção, zona de alta arbitragem à altura de prédio.

Cabe à Prefeitura defender a lógica do zoneamento, para impedir abusos e distorções.

A Cyrella é a maior empresa do setor. E as subprefeituras são a principal moeda de troca com vereadores. Agora entrega-se essa moeda de troca a um executivo da Cyrella, que tem enormes interesses que dependem da Câmara Municipal, a começar pelo caso do Parque Augusta. Mesmos os piores prefeitos que passaram pela cidade não ousaram uma esbórnia tão ampla, assim, entre interesses públicos e privados.

É uma audácia sem desconfiômetro, típico da ambição sem limites de Dória, para suas investidas políticos-financeiras.

Através da Câmara, e usando as Subprefeituras como moeda de troca, será possível alterar zoneamentos fixados pelo Plano Diretor, permitindo às incorporadoras a jogada óbvia: comprar terrenos em Zona 1, vedadas a construção de edifícios e, em seguida, alterar as condições da região.

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