A conta do ministro Henrique Meirelles

Moisés Mendes em 6/11/2017

Henrique Meirelles foi presidente mundial do Banco de Boston. Mas abriu uma conta secreta em 2002 num paraíso fiscal, para cuidar de sua herança e fazer, a partir dali, doações filantrópicas para entidades da área da educação.

O cara é presidente de um banco poderoso e guarda o dinheiro num paraíso fiscal do Caribe desde 2002. Quando voltou para o Brasil, por que não trouxe o dinheiro de volta, como pregou que os ricos fizessem, repatriando as malas que que tinham lá fora?

O que surpreende, a cada descoberta de dinheiro da direita em contas no exterior, é que o golpe deve ter pensando várias formas de plantar contas para Lula e Dilma em algum paraíso.

Desconfiou-se por certo tempo que em algum momento iriam aparecer as contas dos dois, ou de um deles, plantadas por algum gaiato. Joesley até tentou inventar a história das contas de Dilma e Lula, que ele manejava na Suíça. Mas não colou.

O que se sabe é que a direita tem contas em toda parte, quando não guarda o dinheiro em casa. E eu quase pensei em abrir uma conta no Banco de Boston, para a eventualidade de receber uma herança. Mas se nem o presidente do banco fazia isso…

***

A CONTA DO HOMEM DO OVO
Moisés Mendes em 5/11/2017

Vou dormir com a explicação do ministro Henrique Meirelles para a continha que ele tem no Caribe. A conta foi aberta para “propósitos de caridade”. Isso pode ser um novo nome para uma coisa velha que a gente sabe o que é.

Diz uma nota de Meirelles que, “na eventualidade da morte [do ministro], os administradores da conta renunciarão a seus direitos e apontarão novos beneficiários, cujos nomes estão indicados no testamento datado de 9 de dezembro de 2002”.

Tem um detalhe engraçado aí. Na “eventualidade” da morte significa que o ministro não considera a morte como coisa certa.

Mesmo que venha a dizer que a conta foi declarada, como já disse, é estranho demais. O ministro que fez campanhas e criou a possibilidade de repatriação da dinheirama (boa parte suja) dos ricaços, que estava no Exterior, tem dinheirinho fora do país.

Por que o dinheiro do Caribe não está na Caixa ou no Banco do Brasil? Imagino que amanhã teremos explicações no Jornal Nacional. Vamos esperar que desta vez o homem fale sem o ovo na boca.

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O OVO
Moisés Mendes em 3/11/2017

Henrique Meirelles não aguenta duas semanas de campanha. E não é porque trabalhou por quatro anos para Joesley, porque recebeu R$217 milhões como consultor no ano passado, ou porque vai acabar com a Previdência, porque vai aumentar impostos e reduzir o salário mínimo, ou porque aumentou o rombo das contas do governo, nem porque é amigo dos banqueiros, porque é candidato da imprensa, porque tenta enrolar todo mundo com essa história da recuperação da economia ou porque é queridinho do jaburu.

Não é nada disso. É porque nunca em lugar algum alguém se elegeu para qualquer coisa falando com um ovo na boca. Para ser candidato, Meirelles precisa tirar o ovo da boca, mesmo que o ovo seja da Globo.

(E Meirelles parece com o raciocínio lento, cada vez mais travado, às vezes distraído. Se juntassem Meirelles e Alexandre de Moraes seria uma conversa de dois engasgados com as próprias ideias.)

Leia também:
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