Temer castiga traidores e fornece benefícios a seus salvadores

Via Jornal GGN em 27/10/2017

Logo após o resultado dos infiéis a Michel Temer no banco de votações da segunda denúncia contra o mandatário, o Palácio do Planalto publicou a primeira lista de exonerações de cargos de segundo e terceiro escalões e, da mesma forma, liberou 40% a mais de emendas orçamentárias aos deputados que barraram a peça.

O painel da Folha de sexta-feira, dia 27/10, indica que o Diário Oficial publicou na quinta-feira, dia 26/10, a primeira parte das exonerações de afilhados de deputados que foram infiéis a Temer na votação. Dos oito parlamentares que mudaram seus votos em relação à primeira denúncia, seis deputados já não foram poupados.

A lista foi feita pelo próprio Planalto, que teria publicado as exonerações de apadrinhados de parlamentares e bancadas: “O governo seguiu um raciocínio simples para mensurar a erosão da base. Na primeira denúncia, Temer obteve o apoio de 263 deputados, com 19 abstenções. Na segunda, de 251 com 25 ausências. A diferença nas somas dos placares é de seis parlamentares”, informou o Painel.

Boa parte dos deputados que mudaram seus votos em relação à primeira denúncia, anteriormente salvando Temer e agora votando pelo processo contra o mandatário peemedebista, integram o PSD: Heuler Cruvinel/GO, Jaime Martins/MG, Delegado Éder Mauro/PA e João Paulo Kleinubing/SC. Também mudaram os votos parlamentares do DEM (Abel Mesquita Jr./RR), PMDB (Mauro Mariani/SC), Podemos (Cícero Almeida/AL) e PRB (João Campos/GO).

Desde o início, o recado do Planalto era de que ninguém seria poupado. A próxima leva de cortes em cargos de órgãos federais indicados por parlamentares que “traíram” o peemedebista deve ser publicada já na próxima semana no Diário Oficial.

As medidas duras fizeram, ainda, com que deputados de partidos aliados amanhecessem em gabinetes de ministros de Temer, explicando seus votos: respondendo a apelações de suas bases regionais, os parlamentares teriam lembrado o apoio a medidas econômicas, como a reforma trabalhista e o teto dos gastos públicos, além do impeachment de Dilma Rousseff.

Conforme mostrou o GGN na quinta-feira, dia 26/10, a imagem de dissidência de boa parte dos políticos não representa ameaça à governabilidade de Temer até o fim de seu mandato, conforme divulgou massivamente os jornais nesta semana, mas integra estratégia de tentativa de apelo de deputados junto ao eleitorado. De olho em eleições 2018, bancadas que apresentaram “traições” na votação da denúncia são os maiores interessados nas propostas econômicas do governo Temer.

Assim, ressaltando este argumento é que parlamentares foram se “justificar” aos interlocutores do governo Temer e pediram clemência. Ainda assim, a resposta do governo foi dura e não voltou atrás. Já demitiu apadrinhados nesta quinta e deve retomar outras demissões na próxima semana.

A linha-dura das retaliações também foi proporcional em benefícios aos votos angariados: os deputados que engavetaram a peça ganharam um adicional de 40%, em média, a mais do que os outros parlamentares em liberação de emendas.

Foram investidos um aproximado de R$2,6 milhões para estes deputados, desde agosto deste ano, quando foi votada a primeira denúncia contra o peemedebista, segundo cálculos da Folha. Os demais políticos, sobretudo oposição e “rebeldes”, receberam R$1,9 milhão: uma diferença de 40%.

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