Os candidatos aliados do Golpe na eleição de 2018 e a governabilidade

Alexandre Tambelli em 29/10/2017

Quanto tempo duraria a popularidade de um governo e seu governante fabricado e eleito pela elite golpista de 2016 em 2018?

A conjuntura política, econômica e social brasileira atual não dá espaço no pós-vitória em 2018 para a continuidade do modelo neoliberal radical em vigor no Brasil, penso eu.

Em 2018 uma candidatura “fake” como a de um Luciano Hulk e assemelhados, uma candidatura da direita ultraliberal na economia como a de Marina ou Alckmin, uma candidatura de extrema-direita como a de Dória ou Bolsonaro, candidaturas aliadas do Golpe, se vencesse, governa em paz por pouco tempo.

Não adianta se candidatar e querer discursar que é preciso mudar o que está sendo produzido por Temer & Cia., não adianta ter 10 minutos de TV no horário eleitoral e dizer um monte de coisas necessárias ao país que não vão ser cumpridas, porque não há interesse em cumpri-las.

E nem apelar para o moralismo da candidatura anticorrupção e nem se alicerçar no antipetismo clássico ou nas questões morais ligadas à ortodoxia de um conservadorismo cristão.

A durabilidade da popularidade deste Presidente e de seu Governo durará o tempo da percepção de que a realidade socioeconômica perversa não está sendo atacada e revertida.

Bem sabemos, na estrutura dominante do Golpe que junta velha mídia capitaneada pela Rede Globo, Judiciário morista, partes do MPF e PF, STF, Legislativo e Executivo golpista e os patrocinadores estrangeiros do Golpe: Imperialismo Norte-Americano, o grupo das sete maiores petroleiras e o Mercado (Sistema Financeiro) modificar a conjuntura e modelo econômico-social ultra neoliberal e antinacional que se apresenta é carta fora do baralho.

Vai aparecer o candidato “fabricado” da elite golpista fingindo ser oposição ao Golpe e alarmado com suas consequências socioeconômicas e estruturais num debate eleitoral dizendo que precisamos rever a Reforma Trabalhista e a terceirização irrestrita, que precisamos de mais investimentos do Estado em saúde e educação e que será preciso reverter o congelamento do orçamento público, congelado por 20 anos, para aumentar os investimentos, que será preciso a volta de uma política desenvolvimentista com fortalecimento dos investimentos em ciência e tecnologia e conteúdo nacionais para a produção de empregos de melhor qualidade e remuneração, que a venda do pré-sal e o fim do regime de partilha devem ser anulados? Etc.

Vai dizer o candidato da elite golpista que apoia um referendo popular para anular a maioria das medidas antipopulares e as privatizações ilegítimas do Governo Temer? Todas propostas de uma candidatura oposicionista?

E na hora de governar como é que faz? Defendendo em campanha algo semelhante ao que a candidatura oposicionista defende e quase tudo ser um discurso mentiroso?

Um Governo ultraliberal voltado apenas para o topo da pirâmide socioeconômica, nos moldes do Golpista Temer, está fadado a ser um fracasso sem chances de ser diferente o resultado final do que virá e não vai tirar o Brasil um centímetro do atoleiro.

Fabricaremos, isto sim, um novo Collor, um novo FHC, um novo Temer vapt-vupt, políticos e seus governos que acabaram sem nenhuma popularidade e que nunca terão chances de reverter o descrédito.

Nunca serão populares e respeitados, como paulatinamente acontece com a Presidenta Dilma e com o ex-presidente Lula, na medida em que a população descobre que foi enganada com a propaganda de que o Impeachment, tirando o PT do Poder, traria de imediato um oásis econômico e social para o Brasil, conto da carochinha maior não houve certo?

Lula e Dilma recuperam popularidade e respeito por méritos próprios de seus governos que elevaram em quase 5 vezes o PIB, que quase dobraram o valor do salário mínimo, que alcançaram o pleno emprego sem rasgar a CLT e que como consequência elevaram o padrão de vida, de escolaridade e de consumo da grande maioria do povo brasileiro, dentre tantas outras conquistas ofertadas à população.

Tirar o Lula da Eleição, não deixar um candidato progressista e defensor dos interesses nacionais concorrer e vencer em 2018, adiar eleições não será refresco nenhum para a elite do Golpe.

Não vai dar certo, é brincar com fogo e pode explodir uma revolta popular sem precedentes, por isto Lula será candidato, penso eu, e tem tudo para vencer.

Lula tem condições de chamar o povo para defendê-lo e defender sua candidatura e vencer, a elite golpista sabe disto, por isto faz uma perseguição que mais visa controlar os votos no Legislativo do que garantir a vitória de seu candidato, impedindo uma guinada progressista segura e o fortalecimento da esquerda parlamentar.

E a razão para a busca da não produção de um Legislativo progressista e com o fortalecimento da esquerda está relacionada a pelo menos seis coisas:

1) Dificultar a revogação da maioria das medidas antipopulares e privatizações chanceladas pelo Golpista Temer em especial a retomada do controle do pré-sal pelo Estado brasileiro.
2) Dificultar uma retomada de rumo do país na direção de um modelo desenvolvimentista com apoio à ciência, tecnologia, cultura e Educação, implodindo o neoliberalismo e o protagonismo do Mercado (Sistema Financeiro).
3) Dificultar a revalorização da classe trabalhadora e sua instrumentalização e formação acadêmico-cultural.
4) Dificultar a volta da soberania brasileira (Política Externa) em um mundo globalizado.
5) Dificultar a retomada da política de inclusão e ascensão social com competição mais justa e crescente no mercado de trabalho distribuindo melhor o PIB.
6) E, principalmente, evitar um novo sucesso de um Governo petista, assim acontecendo garantiria novas vitórias do PT nas eleições presidenciais subsequentes, sem, necessariamente o candidato ser Lula.

Para terminar, observamos que a parte financeira da elite golpista está em uma fase nova de suas ações, agora dentro de seus próprios domínios, este um fato relevante, busca levar para dentro da garrafa e tampá-los: Bolsonaro, radicais religiosos e MBL’s da vida, personagens destampados para a consumação do Golpe do Impeachment.

Estes personagens incontroláveis são ameaças ao convívio social de todos nós e ameaças da sobrevivência do poderio da Globo como meio de informação e da direita e elite não fascistas, da liberdade de escolhas, condutas, fé e ações dos brasileiros de todas as classes sociais, personagens capazes de produzir uma crescente influência da ortodoxia religiosa nos parlamentos brasileiros, o que facilitaria o surgimento de uma sociedade e mídia fortes e seus seguidores alicerçada no fundamentalismo cristão.

O Golpe produziu esta divisão de batalhas necessárias para a Globo, direita e elite liberais na Eleição de 2018: impedir a vitória da esquerda e impedir o crescimento eleitoral de Bolsonaro & Cia. Este fato pode ser bom para a candidatura Lula, líder disparado nas pesquisas.

Por quê?

Se a Globo & velha mídia, a direita Alckmin/Marina e a elite liberais radicalizarem contra o PT e Lula por buscarem a vitória a qualquer preço alimentarão a candidatura Bolsonaro, onde o antipetismo inconsequente e doentio é uma marca registrada colocando ele como o anti-Lula no segundo turno, e perdendo ou vencendo podem alimentar o inimigo dentro do próprio nicho político: Bolsonaro, MBL’s, radicais religiosos e uma mídia fundamentalista cristã.

Quanto mais radicalismo contra Lula e o PT em campanha menos racionalidade do eleitor e maior crescimento da candidatura Bolsonaro. O antipetismo sem limites, contra corrupção e moralista religioso radical da era pós-Lava-Jato e seus procuradores está aí para provar: produz a extrema-direita.

Se vencer Lula terão de negociar com o novo Presidente em condições pouco favoráveis, porque estiveram do lado do Golpe contra o PT e a Presidenta Dilma em 2016 e têm as imagens manchadas por este apoio ao pior, mais caótico e mais corrupto Governo da História do Brasil.

E Lula já afirmou, mais de uma vez, que irá democratizar os meios de comunicação no Brasil, assim, a Globo pode não radicalizar na Eleição de 2018, pois, como diz o ditado: “Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come”.

Como criar uma candidatura de direita neoliberal, liberal nos costumes, não fundamentalista cristã e nem modelo Bolsonaro/MBL, que tenha votos e que não possa ser associada ao Governo Temer e/ou seus apoiadores de Golpe a menos de 1 ano para a Eleição presidencial de 2018?

Esta deve estar sendo a pergunta mais processada nos fabricantes de Bolsonaro, mas anti-Lula e anti-PT.

Uma resposta to “Os candidatos aliados do Golpe na eleição de 2018 e a governabilidade”

  1. heloizahelenapiasblog Says:

    gentinha de caráter duvidoso,eles juntos parecem q estão sempre por cima de tudo, e agora pelo visto irão continuar, só q eles esquecerem que DEUS está no comando e vai colocalos cada um em seu lugar.
    ________________________________

Os comentários sem assinatura não serão publicados.

Faça o login usando um destes métodos para comentar:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s


%d blogueiros gostam disto: