Quase falida, Editora Abril quer dividir rescisão de jornalistas em 10 vezes

Via Portal Imprensa em 28/9/2017

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo convocou repórteres, editores, designers, repórteres fotográficos e revisores da Abril em 14 de setembro para uma Assembleia Geral Extraordinária. O objetivo era debater as informações sobre a possibilidade de demissões na editora ainda em setembro.

Segundo uma fonte de dentro da editora, os advogados do Grupo entraram em contato com o sindicato para tentar um acordo. “Eles querem demitir, mas não têm dinheiro pra pagar as rescisões. Querem parcelar em dez vezes”, disse.

Ainda de acordo com a fonte, faz três meses que a Abril realiza empréstimos no banco pra cobrir a folha de pagamento. Diante deste cenário e de um suposto ultimato dado à Abril pelo banco, o sindicato convocou a categoria para informar a situação e debater o que os jornalistas preferiam: aceitar ou negar a proposta.

A informação foi confirmada por Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo. Ele afirmou que a Abril “pretende demitir um certo número de jornalistas – um pequeno número-, no quadro de uma demissão de dezenas de funcionários, mas sobretudo administrativos, e pretende parcelar as verbas rescisórias”.

O receio de parte dos profissionais da Abril é que em novembro passa a valer a reforma trabalhista e “vão poder mandar embora mais tranquilamente, oferecer aquele comum acordo, que não precisará mais ser homologado pelo sindicato”, aponta a fonte. Até o momento, o sindicato identifica abuso em casos como este. “A editora poderá elaborar uma cláusula de que está quitando tudo, abdicando assim, de qualquer processo judicial posterior”, lamenta a fonte.

Segundo Zocchi, a editora pretende depositar os 40% de multa sobre os depósitos no FGTS, parcelar as verbas rescisórias em até 10 vezes, pagando a primeira parcela em até 10 dias, e as demais num prazo de um mês, a partir do pagamento da primeira. Também pretendem pagar a multa do artigo 477 da CLT. Esse pagamento aconteceria junto com a última parcela. Estender o plano de saúde por mais um mês, além do período do aviso prévio.

Outra proposta seria estender por seis meses o vale-refeição. Formalizar os valores devidos em título executivo, como forma de garantir o pagamento. Se comprometer que demissões com pagamento parcelado sejam todas feitas no Sindicato, mesmo após a entrada em vigor da nova lei trabalhista.

Resoluções
Na assembleia realizada com cerca de 50 jornalistas, a decisão foi por apresentar condições aos pedidos do Grupo, como abrir uma consulta interna sobre quem quer ser demitido e garantir que os atrasados sejam títulos executivos. O acordo seria válido, no máximo, para 20 demissões e até novembro, assim, teriam de realizar o pagamento em até cinco parcelas, sendo que cada uma deveria ter no mínimo o valor do salário do demitido. O plano de saúde deveria ser estendido até o final do período de parcelamento mantendo, ainda, os seis meses de vale-refeição.

Também optaram por incluir a multa de um salário e o adicional de 10% sobre o valor total da rescisão. A empresa ficaria ainda, obrigada a homologar no sindicato qualquer demissão realizada até 31 de maio de 2018, sob pena de multa de um salário para o demitido.

A empresa, no entanto, não aceitou a proposta alegando dificuldades de caixa. O Sindicato deve chamar nova assembleia para debater a posição dos jornalistas. “De pronto, o manifestamos à empresa que não há acordo, e que a entidade mantém sua oposição às demissões e ao parcelamento de verbas rescisórias”, conclui Zocchi.

Mudanças
Até o momento, o Grupo não registrou atrasos nos pagamentos. “Ainda estão pagando os funcionários. O atraso é de umas três horas. Antes entrava às 6h e agora está entrando no meio da manhã”, pondera a fonte.

Em agosto, a Abril soltou um comunicado interno anunciando aos funcionários que a editora deve deixar o prédio que ocupa atualmente em São Paulo. A localização da nova sede ainda não foi confirmada, mas deve ser no Morumbi, próximo à ponte João Dias.

“Esse rito de passagem da Abril para uma nova era também inclui uma mudança física. Um lugar mais adequado para essa nova empresa está sendo procurado, um espaço mais moderno e integrado, que atenda às necessidades de uma empresa de mídia. A Previ, proprietária do edifício Birmann 21, ofereceu algumas opções de outros locais que estão sendo analisados. Todos os funcionários serão informados tão logo haja uma decisão sobre a nova casa e demais detalhes sobre a mudança”, afirmou a editora no comunicado.

Ainda de acordo com a fonte, a Abril fala pouco a respeito da atual situação e os e-mails enviados aos profissionais são vagos e com cunho corporativo. “Ficamos sabendo da situação pelo sindicato”, afirma. Procurada pela reportagem da IMPRENSA, a Abril afirmou que não vai comentar o caso.

***

EMPRESAS JORNALÍSTICAS SOFREM COM A CRISE QUE AJUDARAM A CRIAR
Carlos Motta em 29/9/2017

Não é só a Editora Abril, em situação pré-falimentar, que tem tido dificuldade para pagar seus funcionários, recorrendo a empréstimos bancários: outras empresas jornalísticas menores também enfrentam grave crise financeira, talvez como resultado de terem trocado sua função primordial, que é fazer jornalismo, pela de produzir peças de propaganda para a oligarquia nacional.

Os jornalistas do Diário de S.Paulo, da capital paulista, entraram em estado de greve na tarde de quarta-feira, dia 27/10, em protesto ao atraso no pagamento de salários, de benefícios, do Fundo de Garantia do Tempo de Serviços (FGTS), além da não concessão de férias. O atraso salarial ocorre desde o último dia 20 de agosto.

Na quinta-feira, dia 5/10, às 15h30, os profissionais pretendem realizar assembleia em frente à sede do “Diário”, na Barra Funda, zona oeste paulistana, e se a empresa não negociar os pagamentos, os jornalistas podem entrar em greve e cruzar os braços por tempo indeterminado.

Para discutir os constantes atrasos salariais, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) solicitou reunião com a direção do “Diário” no dia 18, mas não houve resposta.

Na Rede Anhanguera de Comunicação, em Campinas, depois de mais de um ano e meio enfrentando constantes atrasos no pagamento de salários, benefícios e férias, além do 13º de 2016, os jornalistas, gráficos e administrativos deverão entrar em greve a partir da segunda-feira (2/10).

Os profissionais decidiram cruzar os braços depois de assembleia na sexta-feira (22/9), em frente à sede da empresa, na Vila Industrial. No dia anterior (21/9), sindicalistas das três categorias e a direção da empresa se reuniram, e a expectativa era por uma resolução para a crise que os trabalhadores têm enfrentado, mas a única sinalização da RAC foi a “possibilidade” de um empréstimo para quitar os débitos.

Como diz a sabedoria popular, colhe-se o que se planta.

2 Respostas to “Quase falida, Editora Abril quer dividir rescisão de jornalistas em 10 vezes”

  1. Aristóteles Barros d (@AristtelesBarr1) Says:

    Não adiantou nada puxar saco de golpistas e ditadores!

  2. heloizahelenapiasblog Says:

    eles n devem aceitar nem mortos, quem mandou n saber administrar bem esta empresa, agora danem-se.

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