Lúcio Funaro diz ter “110% de certeza” que Cunha distribuía propina a Temer

Temer recebeu propina da Odebrecht e Andrade Gutierrez em obra de Furnas, diz Funaro.

Presidência rebate e diz que depoimento do doleiro “desinforma o MPF”.

Via Jornal do Brasil em 21/9/2017

O operador financeiro Lúcio Funaro afirmou em depoimento que tem “certeza” de que o presidente Michel Temer recebia parte da propina paga no esquema na Caixa Econômica Federal, e que envolvia políticos do PMDB. Documentos com o conteúdo dos depoimentos de Funaro foram anexados ao inquérito que investiga supostos crimes cometidos por políticos do PMDB da Câmara. Funaro ainda afirma que tem “110% de certeza” que o ex-deputado Eduardo Cunha distribuía propina a Temer.

“[Funaro disse] que sabe que Eduardo Cunha redistribuía propina a Temer com ‘110% de certeza’”, diz trecho do relatório.

“[Funaro disse] que [Eduardo] Cunha falava ao depoente [Funaro], abertamente, que Michel Temer também recebia propina e tinha conhecimento dos fatos; [acrescentou] que tem certeza que Michel Temer tinha conhecimento e recebia parte da propina”, diz outro trecho do relatório da delação.

O operador fechou acordo de delação premiada na Operação Lava-Jato. O acordo foi homologado pelo Supremo Tribunal Federal no início deste mês. Funaro afirmou ainda que Cunha era quem recebia os recursos ilícitos e enviava ao presidente Temer. Quem administrava a propina era José Yunes, ex-assessor especial de Temer, e o coronel Lima, amigo do presidente.

O advogado de Yunes afirmou que Lúcio Funaro apresentou várias versões sobre “inúmeros fatos” e “mais uma vez faltou com a verdade”

O Palácio do Planalto afirmou que a acusação “é uma mentira absoluta. O presidente contesta de forma categórica qualquer envolvimento de seu nome em negócios escusos”.

Funaro afirmou que Temer foi um dos destinatários de propina paga pela Odebrecht e Andrade Gutierrez em uma obra de Furnas no Rio Madeira, em Porto Velho, Rondônia. As declarações foram dadas em depoimento à Procuradoria Geral da República (PGR).

Também teriam recebido propina os ex-deputados Eduardo Cunha e Henrique Eduardo Alves. Os valores da propina não foram detalhados. As informações são de O Estado de S.Paulo.

Funaro afirmou que Eduardo Cunha lhe contou que a propina foi acertada pelos executivos Benedicto Júnior, da Odebrecht, e Otávio Azevedo, da Andrade. De acordo com o doleiro, os valores foram recebidos por Eduardo Cunha e, posteriormente, repartidos com Henrique Eduardo Alves, Arlindo Chinaglia e para Michel Temer.

Ainda segundo o delator, “provavelmente os pagamentos foram feitos parte em espécie e parte em doação de campanha, como era feito de costume na maioria dos casos”.

O Palácio do Planalto que afirmou versões de delator “já apontado pelo Ministério Público Federal (MPF) como homem que traiu a confiança da Justiça não merecem nenhuma credibilidade. O criminoso Lúcio Funaro faz afirmações por ‘ouvir dizer’ ou inventa narrativas para escapar de condenação certa e segura”.

A Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência da República (Secom) emitiu nota na tarde de quinta-feira, dia 21/9, explicando a origem do dinheiro usado pelo presidente Michel Temer para a compra de um imóvel em São Paulo. A nota foi emitida após a divulgação de um depoimento do doleiro Lúcio Funaro dado em 23 de agosto. A nota diz ainda que Funaro “desinforma as autoridades do Ministério Público Federal”.

No depoimento, divulgado pelo jornal O Globo, Funaro afirma que o advogado José Yunes levava para Temer dinheiro desviado do Fundo de Investimento do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI-FGTS) e uma das formas de repassar esse dinheiro seria através de investimentos imobiliários.

No depoimento, Funaro não afirma quais imóveis teriam sido comprados com dinheiro ilícito, mas diz saber “por meio de Eduardo Cunha, que Michel Temer tem um andar inteiro em um prédio na Avenida Faria Lima, em São Paulo, num prédio recém-inaugurado”.

A Secom rebateu as insinuações de Funaro. “O doleiro Lúcio Funaro mais uma vez desinforma as autoridades do Ministério Público Federal. Todos imóveis do presidente Michel Temer foram comprados de forma lícita e estão declarados à Receita Federal. O imóvel na Avenida Faria Lima, em São Paulo, por exemplo, foi adquirido no início de 2003. Eduardo Cunha sequer era filiado ao PMDB no momento da compra”.

A secretaria detalha ainda as fontes de renda do presidente Michel Temer para a compra do referido imóvel. Segundo a Secom, o dinheiro veio de contas pessoais e aplicações, “todos devidamente declarados em imposto de renda”. A secretaria finaliza a nota dizendo que Funaro espalha “mentiras e inverdades de forma contumaz”.

Lúcio Funaro é processado pela Justiça Federal em Brasília em três investigações da Polícia Federal (PF) – Greenfield, Sépsis e a Cui Bono – que envolvem suspeitas de desvios de recursos públicos e fraudes na administração de quatro dos maiores fundos de pensão de empresas públicas do país: Funcef (Caixa), Petros (Petrobras), Previ (Banco do Brasil) e Postalis (Correios). O empresário também foi citado nas delações da JBS.

Funaro é testemunha-chave em processos que envolvem o deputado cassado Eduardo Cunha (PMDB/RJ) e os ex-ministros Henrique Eduardo Alves e Geddel Vieira Lima.

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