Paulistano aponta piora no trânsito e no transporte em 2017

Estudo da Rede Nossa São Paulo e da Cidade dos Sonhos feito pelo Ibope mostra nota 2,7 para o trânsito na capital; 58% sentem-se pouco ou nada seguros ao utilizar as ciclovias ou ciclofaixas.

Via G1 em 20/9/2017

A satisfação do paulistano em relação a aspectos da locomoção na cidade e sobre o transporte público piorou em 2017, segundo a Pesquisa de Mobilidade Urbana, feita pelo Ibope a pedido da Rede Nossa São Paulo e da ONG Cidade dos Sonhos, e divulgada na quarta-feira, dia 20/9, na Semana Nacional de Mobilidade.

O estudo mostra piora em notas atribuídas pela população em 11 aspectos avaliados também nos últimos anos e que vão da quantidade de faixas de pedestres a respeito às leis de trânsito por motoristas e pedestres.

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As notas revertem uma tendência de alta verificada desde 2008. A pior avaliação ficou para o tema “situação do trânsito na cidade”, que caiu 3,2 para 2,7 em uma escala de 1 a 10. A nota sobre controle da poluição caiu de 3,5 para 2,8; assim como a quantidade de faixas de pedestres, que teve avaliação 4,4 – menos que os 5,5 do ano passado.

A pesquisa foi realizada entre os dias 27 de agosto e 11 de setembro com 1.603 moradores da cidade de São Paulo com 16 anos ou mais. A margem de erro é de dois pontos.

Também houve piora na avaliação do transporte público, que teve queda de nota de 5,1 para 3,8.

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Trânsito intenso na Marginal Pinheiros, em São Paulo.

Os usuários também votaram nos principais problemas dos ônibus, e a causa mais escolhida foi a lotação (23%). O preço da tarifa ficou em segundo lugar, com 20%, seguido da segurança com relação a furtos e roubos (11%), da frequência do ônibus (9%) e da segurança com relação ao assédio e a pontualidade dos ônibus (ambos com 7% das citações).

O assédio, porém, recebeu a pior nota entre os problemas dos ônibus quando as pessoas foram solicitadas para avaliar o serviço em uma escala de 1 a10.

As manifestações acontecem no momento em que a prefeitura discute uma nova licitação para remodelar totalmente o serviço de ônibus na cidade.

Visitas e bicicletas
A pesquisa trouxe ainda outros dados. O aspecto segurança é principal entrave à adesão da bicicleta: 58% sentem-se pouco ou nada seguros ao utilizar as ciclovias ou ciclofaixas de São Paulo e 33% nunca utilizaram esses espaços.

O receio tem razão de ser. Apenas neste ano o número de morte de ciclistas cresceu 75% nos primeiros seis meses deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado. Foram 21 mortes entre janeiro e junho, número maior que o de 2016, quando foram registradas 12. Os dados são do Infosiga, site do governo de São Paulo que concentra estatísticas de óbitos no trânsito.

Sobre a tarifa do transporte público: 52% afirmam que “sempre” ou “às vezes” deixam de visitar amigos ou familiares que moram em outros bairros por conta do preço da passagem; mesmo percentual afirma que deixa de ir a parques, cinemas e outras atividades de lazer; 42% não fazem consultas médicas e exames e 28% deixam de ir à escola ou universidade.

A tarifa simples do transporte público está em R$3,80 e não subiu neste ano. A prefeitura ainda não divulgou, porém, se haverá aumento no ano que vem.

Já a pesquisa da Rede Nossa São Paulo traz ainda outro dado. O uso do automóvel poderia ser menor se a qualidade do transporte público fosse melhor, segundo a pesquisa. Oitenta por cento das pessoas entrevistadas afirmam que “com certeza” ou “provavelmente” deixariam de utilizar o carro se tivessem “melhor alternativa de transporte”. O número supera o da pesquisa anterior, que estava em 74%. Os que “não deixariam” de usar o carro mesmo com uma boa alternativa de transporte caíram de 18% para 9%.

Em média, o paulistano que usa o carro todos os dias ou quase todos leva 2h02 indo e voltando de sua atividade principal. Já quem usa transporte público leva 2h11.

Prefeito
O prefeito de São Paulo, João Dória (PSDB) comentou o resultado da pesquisa em coletiva na sede da Prefeitura, também na manhã de quarta-feira, dia 20/9. “Quero deixar claro uma coisa: nós fazemos quase o impossível, milagre ainda não. Em oito meses não dá para você fazer uma transformação no trânsito da cidade. Não dá para uma transformação que impacte a ponto de resolver os problemas históricos e muito densos da nossa cidade”.

Dória citou dados do Infosiga divulgados na terça-feira, dia 19/9, que mostram queda de mortes na capital em agosto. “Vale a pena mencionar o Infosiga porque ele reproduz um fato real, específico. A pesquisa Infosiga é mensal, não é uma pesquisa de recall. Uma pesquisa que estabelece não o sentimento, fatos reais”, disse o prefeito.

O secretário de Transportes, Sérgio Avelleda, mostrou cautela e preferiu não comentar os resultados por enquanto. “A pesquisa foi divulgada nas últimas horas. É preciso conhecer a metodologia utilizada para que a gente possa avaliar”, disse. Ele citou programas e ações com foco na mobilidade que foram realizados durante a gestão Dória, como o “Marginal Segura”.

O G1 também questionou a Secretaria dos Transportes Metropolitanos do governo estadual sobre o tema e não obteve retorno.

Mobilidade
Para Flávio Siqueira, representante do projeto Cidade dos Sonhos, os resultados mostram uma percepção negativa sobre o transporte público. “O resultado nos permite uma reflexão de que o serviço é ruim, cheio de falhas e muito caro”, afirmou.

Jorge Abrahão, coordenador-geral da Rede Nossa São Paulo, afirma que a pesquisa retrata dificuldades em relação ao direito de ir e vir. “A gente percebeu que há alguns impedimentos em relação a esse direito de ir e vir que impactam na qualidade de vida as pessoas. Isso se dá por conta do preço das passagens, do medo, na questão do assédio etc.”.

Saúde
“Saúde” continua em primeiro lugar desde 2008 como a “área mais problemática da cidade”, com 71% de menções (um aumento em relação ao ano passado, que contabilizou 58% do total menções). Em segundo lugar, “segurança pública” tem 45% das menções, “educação” (44%), “desemprego” (42%) e, em outro patamar, “transporte coletivo” (24%) e “trânsito” (17%).

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