Janot usa imprensa para criticar delatores e tentar salvar acusações

Via Jornal GGN em 20/9/2017

Na atual condição de ex-procurador-geral da República, Rodrigo Janot concedeu entrevista para se defender de ataques contra a credibilidade das investigações da Operação Lava-Jato e tentar ainda salvar as acusações dos executivos da J&F, ainda que considerando que cometeram irregularidades. Fora do posto maior do Ministério Público Federal (MPF), Janot mostra que não medirá esforços, incluindo espaços públicos e meios de imprensa, para se defender.

Nesse intento, apesar de aparentemente os novos áudios de conversa entre o dono da JBS, Joesley Batista, e o executivo Ricardo Saud se apresentarem como um engano, Janot sustentou outra tese: a de que os delatores colocaram os novos arquivos nos autos do processo de forma mascarada para passarem despercebidos.

Teria sido um tiro no pé: enquanto a Polícia Federal apurava áudios possivelmente omitidos dos delatores e se aproximava de uma possível recuperação do grampo, eles anexaram a conversa ao processo com outro título e como se fosse referência a outra linha de investigação. Mas os procuradores abriram o áudio e confirmaram que se tratava de outras informações.

“Na leitura que fizemos, isso [a entrega de áudios] não poderia ter sido um equívoco, foi uma casca de banana mesmo. O ministro [Edson] Fachin lacrou os 11 áudios, nem nós conhecemos. Eles, com medo de um dos 11 áudios ser um dos que estão recuperados pela polícia, colocaram um jabuti”, explicou o ex-procurador-geral da República.

O objetivo era de que “lá na frente, quando estourasse o negócio, diriam que entregaram e nós ficamos calados”. Entretanto, para Janot, ficou demonstrado que se tratava de uma “armadilha”. “E como desarma uma armadilha? Coloca luz sobre ela”, completou.

Nessa mesma linha, o ex-procurador-geral aproveitou para criticar a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) da JBS, criada pelo Congresso e que vem sendo acelerada por parlamentares governistas. Para Janot, ela foi instaurada para “investigar os investigadores”.

“Essa CPI não pode ser a CPI dos investigadores. Essa CPI tem que seguir o escopo dela. Não é a CPI dos empréstimos do BNDES? E querem investigar quem? Eu?”, questionou. Mas disse ser normal a tentativa de atingidos e aliados de descontruírem a imagem do acusador: “De repente, passo a ser o vilão da história. […] O que fizeram comigo vão fazer com outros”, disse.

Sobre ainda a polêmica de ter se encontrado com o advogado de Joesley Batista, Pierpaolo Bottini, em um boteco em Brasília, respondeu: “Advogado de bandido não é bandido, a gente tem que ter esse relacionamento”.

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