Luiz Fux: “Há crime de obstrução à Justiça por parte de Blairo Maggi”.

Via Política em 14/9/2017

Na autorização para o cumprimento de mandado de busca e apreensão na quinta-feira, dia 14/9, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), afirmou que há indícios de obstrução à investigação que envolve o ministro da Agricultura, Blairo Maggi, e empresários e autoridades em Mato Grosso (MT). Blairo foi citado na delação do também ex-governador daquele estado, Silval Barbosa (PMDB).

“São veementes os indícios quanto ao cometimento do crime de obstrução de investigação de crimes de organização criminosa por parte de Blairo Borges Maggi, José Aparecido dos Santos (Cidinho Campos), Gustavo Adolfo Capilé de Oliveira, Marcelo Avalone, Carlos Avalone Jr. e Carlos Eduardo Avalone”, diz despacho do ministro do STF. Gustavo de Oliveira, e os irmão Avalone, todos de Mato Grosso, estariam envolvidos nos supostos crimes.

No pedido de busca e apreensão enviado ao Supremo, o Ministério Público Federal (MPF) cita outro caso que envolve Blairo Maggi e que também foi citado na delação premiada do ex-governador de MT Silval Barbosa. Segundo o MPF, Blairo Maggi teria oferecido vantagens a Silval, logo após sua prisão na operação Ararath.

“Blairo Maggi teria enviado seu suplente, o senador José Aparecido dos Santos (Cidinho Santos), como emissário de uma mensagem para Silval Barbosa, no presídio onde estava preso. Cuidar-se-ia de uma promessa de que a Operação Ararath seria anulada perante o Tribunal Regional Federal da 1ª Região, cumulada com um conselho para evitar o caminho trilhado por José Geraldo Riva, que, segundo o senador, havia confessado crimes, e mesmo assim foi condenado a penas altas”, diz trecho da decisão de Luiz Fux.

Silval Barbosa gravou o diálogo com Cidinho Santos e entregou o áudio ao Ministério Público Federal.

“O procurador-geral da República sublinha que a fala final do diálogo indica que José Aparecido dos Santos falava em nome do atual ministro da Agricultura. Com esteio nos indícios das práticas criminosas assim narradas, o procurador-geral da República pugnou pela decretação de medida cautelar de busca e apreensão nos endereços dos envolvidos”, escreveu Fux.

O ministro Luiz Fuz autorizou a apreensão de computadores, celulares e valores em dinheiro acima de R$30 mil.

Acusação de compra de silêncio
O ministro da Agricultura é acusado de ter comprado o silêncio de um preso na operação Ararath ainda em 2014. Segundo narrado pelo procurador-geral da República, Rodrigo Janot, há indicativos de que Blairo Maggi se envolveu na compra da retratação de Éder Moraes Dias, preso pela Polícia Federal (PF) e que teria prestado depoimento ao Ministério Público do Estado de Mato Grosso (MP/MT).

“Acordou-se o pagamento de R$6 milhões, dos quais metade seria paga por Silval Barbosa e a outra metade por Blairo Maggi”, diz a decisão do ministro Fux.

De acordo com o despacho do ministro, ainda segundo o procurador-geral da República, “Sílvio Cesar Correa Araújo, chefe de gabinete do então governador do Mato Grosso, Silval Barbosa, recebeu no seu gabinete o empresário Gustavo Adolfo Capilé de Oliveira, que se apresentou como o responsável pelo pagamento da parte de Blairo Borges Maggi”.

Entre os alvos da ação de hoje também está o senador Cidinho Santos (PR/MT). Mas a indicação é para busca e apreensão em endereço residencial dele em Cuiabá.

Além do imóvel funcional em que Blairo reside em Brasília na quadra 309 sul, a PF também faz buscas em outros endereços vinculados ao ministro da Agricultura: avenida Ary Coelho, nº 633, Cidade Salmen, Rondonópolis; e sala supostamente ocupada por Blairo Maggi na Amaggi na Avenida André Antônio Maggi, 303, Cuiabá.

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ACUSADO DE OPERAR MENSALINHO, BLAIRO MAGGI TEM CASA VASCULHADA PELA PF
Via Jornal GGN em 14/9/2017

O ministro da Agricultura do governo Temer, Blairo Maggi (PP), foi alvo de busca e apreensão pela Polícia Federal na manhã de quinta-feira, dia 14/9, em Brasília.

Blairo é acusado pelo delator Silval Barbosa (PMDB) de ter pagado “mensalinho” aos deputados de Mato Grosso, quando era governador.

Silval sucedeu Blairo no comando do Estado e também foi deputado quando os pagamentos de vantagem indevida aconteciam.

Na delação, Silval diz que a propina com Blairo “começou a se operar o chamado ‘mensalinho’ no ano de 2003, quando o colaborador era da Mesa Diretora [da Assembleia Legislativa]. Esse mensalinho era uma vantagem indevida que era paga para cada deputado estadual do Estado de Mato Grosso, tendo começado no ano de 2003, em torno de R$30 mil por deputado”.

Ainda de acordo com a delação, em 2003 houve “um acréscimo de R$12 milhões a R$15 milhões no orçamento da Assembleia Legislativa para que pudessem retirar desse valor as vantagens indevidas”.

Além da casa de Blairo, na Asa Sul de Brasília, a PF também faz buscas em gabinetes de deputados estaduais da Assembleia Legislativa do Mato Grosso que foram citados da delação.

Maggi foi governador do Mato Grosso de 2003 a 2010.

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