O mensalão de Beto Richa

A campanha ao Senado está ameaçada.

Em delação, empreiteiro cita repasses mensais ao governador do Paraná em meio a esquema de desvios em escolas do estado.

René Ruschel, via CartaCapital em 11/9/2017

O governador do Paraná, Beto Richa, do PSDB, andava esquecido em meio a tantas denúncias de corrupção Brasil afora. Não mais. O empresário Eduardo Lopes de Souza, dono da Construtora Valor, preso durante a Operação Quadro Negro, que investiga o desvio de mais de R$22 milhões na construção de escolas no estado, fechou acordo de delação premiada, à espera apenas da homologação pelo ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal.

Souza acusa Richa de ser o principal favorecido no esquema de propina que teria abastecido sua campanha à reeleição em 2014. O empreiteiro citou ainda o atual chefe da Casa Civil do governo estadual, Valdir Rossoni, e o presidente da Assembleia Legislativa, Ademar Traiano (PSDB), ambos correligionários do governador.

Segundo o delator, a negociação para fraudar o Erário era conduzida por Mauricio Fanini, à época diretor da Superintendência de Desenvolvimento Educacional, amigo pessoal e homem de confiança de Richa. Para demonstrar intimidade com o governador, Fanini citava viagens em companhia do tucano (fotos a respeito foram anexadas ao inquérito decorrente da Quadro Negro).

O dinheiro, aponta o empreiteiro, era entregue a Fanini na sede da superintendência. Os primeiros valores chegaram em mochilas. O empresário conta que entrava por uma porta lateral do prédio e deixava a quantia no banheiro da sala do diretor, “ao lado do vaso sanitário”.

A partir de outro momento, para aumentar a segurança, os valores eram guardados e entregues em caixas de vinho. Os repasses foram efetuados entre abril e setembro de 2014. Fanini era responsável pela elaboração dos relatórios falsos sobre as obras contratadas pela Valor e não realizadas. O plano era arrecadar R$32 milhões para a campanha de Richa.

Souza vencia as licitações com ofertas 20% abaixo dos preços médios praticados pelo mercado. Mais tarde, os contratos eram reajustados. A Construtora Valor conseguiu sete aditivos que somaram mais de R$6 milhões. De acordo com um empresário do setor, era impossível competir com os preços apresentados pela empreiteira. “Não havia lógica. Em alguns casos, chegava a 25% menos”, afirmou.

O delator afirmou ainda que, em janeiro de 2015, Fanini o chamou para repassar um recado de Richa: seria necessário repassar mais dinheiro para o esquema. O tucano pretendia montar um fundo de campanha para sua almejada candidatura ao Senado em 2018.

Os recursos também seriam usados nas campanhas a deputado federal de seu irmão, Pepe Richa, e a deputado estadual do filho Marcelo. Ainda segundo Souza, a Valor pagou um “mensalão” no valor de R$100 mil até junho, quando o escândalo veio à tona e Fanini foi demitido.

Além de Richa, Traiano, presidente da Assembleia Legislativa do Paraná, teria recebido R$300 mil por meio de caixa 2, em três parcelas de R$100 mil. Duas delas teriam sido levadas em malas até o gabinete do deputado. A outra teria sido entregue em sua residência. Em uma das entregas, detalha Souza, havia uma quantia a mais. Ao perceber a diferença, o deputado quis saber se o empreiteiro não poderia aumentar o valor do repasse. Resposta: a diferença “estava prometida para a campanha do governador”.

O repasse a Rossoni somaria R$460 mil. “Quando ele me via, me chamava no canto e falava ‘e aí, Eduardo, tem coisa boa pra mim hoje?’, esfregando as mão”, contou o delator aos procuradores do Ministério Público Federal. No depoimento, o empresário afirma ter sido Rossoni quem o apresentou a Fanini. Confirmou ainda que as primeiras obras públicas executadas por sua empresa foram realizadas em 2011 em Bituruna, no sul do Paraná.

Coincidentemente, Bituruna é o reduto eleitoral da família Rossoni. Valdir e o filho Rodrigo foram prefeitos da cidade. O herdeiro enfrenta, aliás, problemas com a Justiça por conta de atos de sua administração. O juiz da 1ª Vara da Fazenda Pública de União da Vitória, Luis Mauro Lindemeyer Eche, determinou, em março último, o bloqueio de seus bens em face das denúncias do Ministério Público, por ter, supostamente, atuado para direcionar uma licitação na reforma de uma escola no município.

A obra foi realizada em 2011 e a construtora responsável era justamente a Valor.

Os tentáculos da corrupção, ainda segundo o delator, estenderam-se ao Tribunal de Contas do Estado. Fanini teria insinuado que seria “bom ter alguém do tribunal com eles”.

Souza articulou contribuições à campanha a deputado estadual de Tiago, filho do conselheiro do TCE Durval Amaral. Richa nega as acusações e classifica as afirmações do delator de “mentirosas, próprias de um criminoso que busca amenizar sua pena”. Segundo o governador, a própria Secretaria de Educação constatou as irregularidades. O tucano afirma ainda nunca ter tido contato com o empresário e que todas as doações à campanha de 2014 “seguiram a legislação e foram aprovadas pela Justiça Eleitoral”.

Rossoni fez uma transmissão ao vivo no Facebook, no domingo 4, para rebater o empreiteiro. Em nota, Traiano afirmou “repudiar veementemente as acusações infundadas e sem provas”. Disse ainda não ter “conhecimento da delação, que não foi homologada e corre em segredo de Justiça”.

A pouco mais de um ano das eleições, Richa desidrata. Os sinais do abandono político e do isolamento se avolumam. Sua candidatura ao Senado corre o risco de morrer antes de sair do papel. Há quem defenda sua permanência no Palácio Iguaçu até o último dia de governo. Mas a decisão não está mais totalmente nas mãos do tucano.

Uma resposta to “O mensalão de Beto Richa”

  1. heloizahelenapiasblog Says:

    esse é outro come quieto, fez hoprrores e ainda continua bem faceiro no Paraná, aliás eles qq dia váo cair do cavalo.

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